UNIÃO EUROPEIA DECADENTE

As eleições da Catalunha, no passado Domingo, vieram reavivar a questão dos “nacionalismos no espaço europeu e, muito particularmente, em Espanha. A vitória da “Convergência e União(centro-direita) de Artur Mas foi esmagadora e, juntamente com a situação não resolvida da Flandres, volta a colocar o tema na ordem do dia.
Esta é uma questão, entre muitas outras, que os atuais dirigentes da União Europeia não estão a resolver. A cidadania europeia está muito mais distante do que estava há dez ou quinze anos atrás. A maioria dos que estão em Bruxelas, agem em perfeita sintonia com o diretório (França e Alemanha) onde, o que só importa, são os interesses egoístas dessa Europa que, de fato, já deixou de ser a nossa.
Esta Segunda e Terça-Feira, decorreu em Tripoli a Cimeira UE-África, instituição recuperada por Portugal em 2007,durante a presidência portuguesa. Também aqui se viu o pouco interesse que a União Europeia tem demonstrado pelo desenvolvimento das relações e estabelecimento de parcerias com o continente africano, que, não se limite, aos negócios bilaterais entre estados.

O polémico líder líbio, Muammar Kadhafi, que não costuma ter “papas na língua”, disse ontem que:

As parcerias económicas combinadas entre os dois continentes na cimeira de Lisboa em 2007, não levaram a nada, acabando por não passarem do papel.”

E ainda disse mais:

“Se os europeus não cooperarem com o continente africano, a África vai virar-se para a América Latina, Rússia e China.”

A União Europeia não avança de nenhuma maneira. São só planos de austeridade, controlo de deficits dos periféricos e reforço do poder do diretório. Quanto a desenvolvimento e investimento integrado, implementação de políticas comuns de recuperação do emprego, nada!
“A esperança é a última a morrer”, mas, desta maneira, o fim, nem nos vai dar tempo de ter esperança!
SBF

A COROA PORTUGUESA EMBARCA PARA O BRASIL

O que aconteceu a 29 de Novembro de 1807, faz hoje 203 anos, iria condicionar a vida portuguesa pelo século XX fora e, muito provavelmente, alguns dos problemas nos nossos dias, já no século XXI, ainda serão herança desse esvaziar do tesouro nacional.
Há já mais de meio século que tinha acabado o efémero período de faustosa riqueza que o ouro do Brasil tinha proporcionado aos poderosos deste País, como é exemplo o Real Convento de Mafra mandado construir por D. João V. Em 1807, 52 anos depois do terrível acontecimento nacional que foi o terramoto de 1755, Portugal vivia num limbo pobretanas em que só o edificado e as aparências douradas da coroa, destoavam da miséria abundante que se espalhava pelas cidades e pela ruralidade.
Até este dia ventoso de Novembro, o poder era exercido no meio dos disparates proferidos por uma Rainha louca, D. Maria I, por um Príncipe Regente que viria a ser D. João VI, a Consorte D. Carlota Joaquina que, diziam as más (e boas) línguas, encornava o marido a torto e a direito, e, fora do âmbito familiar, pelo domínio militar Inglês muito reforçado pela fúria conquistadora de Napoleão Bonaparte.
O Imperador francês exigia que Portugal encerrasse os portos aos ingleses, D. João dizia “nim” conseguindo enganar durante algum tempo Napoleão, e, no âmbito da aliança Anglo-Portuguesa, ou a seu pretexto, uma armada Inglesa se instalou ao longo da costa e, em Terra, muita infantaria e artilharia se aquartelou.
Foi com o Reino nesta situação e sem ceder às pretensões francesas, que o Imperador, depois de ter posto no “bolso” a grande Espanha, se decidiu pela invasão do minúsculo território de Portugal. Mandou 30 mil homens comandados por Junot, e, na manhã de 29 de Novembro, estava a duas léguas de Lisboa.

«As forças de Junot aproximavam-se de fato muito rapidamente da capital, mas continuava a soprar um vento adverso que mantinha a frota ancorada. Os navios portugueses, agora perigosamente sobrelotados, balançavam para um lado e para o outro. Um medo indizível espalhava-se pelo convés das embarcações – o da possibilidade muito real de serem apanhados no porto pelos franceses.»(1)

Mas não, isso não aconteceu e…

«Na manhã de 29 de Novembro o vento mudou. Às sete da manhã foi dada ordem para levantar âncora. Parara de chover e, com céu limpo, os navios, balanceando, desceram o Tejo até à barra.» (2)

E partiram Atlântico abaixo em direção ao Brasil, donde só voltariam 14 anos depois.

Para trás ficou um País abandonado, despojado das suas riquezas, descapitalizado e entregue à sua sorte, neste caso, aos franceses e ingleses e, no cais e nas suas proximidades, um rasto de destroços e restos da bagagem real como se de lixeira se tratasse. A biblioteca real da Ajuda composta por sessenta mil volumes ficou espalhada pela lama, caixotes e caixotes de documentos, mapas e outros livros, alguns deles, edições únicas e datados da época das descobertas, coches luxuosos vazios mas alguns ainda cheios de recheios retirados dos palácios.
Claro que, a maior parte das riquezas, incluindo o “Tesouro Real”, com pelo menos metade da moeda em circulação e todo o espólio de diamantes e ouro, não ficaram para trás e viajaram até ao Brasil.

Desde este dia, Portugal não voltou a recompor-se mas isso é outra história.

SBF

(Notas: (1) e (2) Extraído do livro “Império à Deriva” de Patrick Wilchen. Edição da “Civilização”)
(Gravura: Partida da Frota Real. – Wikipédia)

BANCO ALIMENTAR

O “Banco Alimentar Contra a Fome” é uma instituição credível e os portugueses correspondem sempre com confiança à sua solicitação.
Reparei, ontem e também hoje, no super-mercado onde costume ir, que são muito poucos os clientes que, depois da passagem pela caixa, não deixam o seu contributo com os voluntários do “Banco Alimentar”.
Tenho a certeza que muitas destas pessoas, também estarão a sentir as suas dificuldades mas sabem que outras estão muito pior e, mesmo pouco, não deixam aumentar esta cadeira de solidariedade que aumenta sempre, apesar da crise instalada.

Durante o dia de ontem, os portugueses deram mais cem toneladas de alimentos do que no dia equivalente do ano passado.

O “Banco Alimentar” tem vários armazéns espalhados pelo País, fornecendo outras 1800 instituições que, por sua vez, distribuem ajuda por quase 300 mil pessoas carenciadas.
Dá a cara (e o trabalho) completamente voluntária pelo “Banco Alimentar”, Isabel Jonet.

ANO DO PREC – DEPOIS DE 25 DE NOVEMBRO, DIAS 26 E 27 (1ª PARTE)

Quando já estavam perto do quartel, João disse ao amigo para ir mais devagar na aproximação. No início da reta que dá acesso à Porta-de-Armas, aperceberam-se que havia muita gente no largo fronteiro ao portão….
O parou a alguma distância da confusão e o João saiu do carro despedindo-se do amigo com um abraço e dirigindo-se ao portão da Unidade…
Dentro do quartel, João correu para a camarata fardou-se num minuto e…
Quando saía da CCS, já vinha o seu amigo Cruz ao encontro dele que, em trinta segundos, fez o ponto da situação e lhe disse que estava a contar com ele para a brigada de ronda que tinha sido encarregado de constituir…
O Furriel Cruz, no decorrer da ronda, foi passando toda a informação que considerava essencial e, relativamente à situação no quartel, disse ao João que era pacífica mas, a gestão mista entre os do quadro pelo novo Comando e os Milicianos pelo Comando antigo, causava alguns constrangimentos que estavam a ser difíceis de ultrapassar….
O turno da ronda era até às 2h da madrugada de 26 de Novembro e, de volta ao quartel e com a papelada toda preenchida, o Cruz e o João já tinham à espera o Vilaça e o Mata para irem ter com o “Chefe”Albertino à cozinha. À espera deles lá estavam umas febras na brasa e vinho verde que o Vilaça todas as semanas trazia da terra, lá para os lados de Guimarães….
No meio das febras e do “trotil”, foram fazendo o ponto da situação sobre as ações desencadeadas pelo Regimento de Comandos nos quartéis que eles designavam de rebeldes….
Todos sabiam que, não aceitando o novo Comandante, a Unidade estava na mesma linha de ataque do Regimento de Comandos….
A Comissão já tinha combinado uma Assembleia para as cinco da tarde e, para evitar confrontos quando os "Comandos" chegassem à Unidade, iam propor a entrega de todas as armas que estivessem com Milicianos, nas respectivas arrecadações. Todos acharam bem e combinaram mobilizar toda a gente para concretizarem esta proposta da Comissão.

(Continua)
(Partes do texto “25 de Novembro do Ano do PREC” de Silvestre Félix)
(Baseado na realidade com nomes e situações ficcionadas)

PENÍNSULA DA COREIA

A fronteira marítima, entre a Coreia do Sul e a do Norte, traçada pelas Nações Unidas em 1953, nunca foi reconhecida pelas autoridades de Pyongyang. Para além de todo o resto, este fato, tem sido motivo para que as escaramuças se tenham sucedido ao longo destes 57 anos.

Independentemente das razões que cada parte reivindica, e de nenhuma delas justificar o uso da força, parece-me de manifesto descuido, ou provocação intentada, que os militares Sul-Coreanos e Americanos decidam, mais uma vez, efetuar exercícios navais no Mar Amarelo.

Esperemos que os “descuidos” não tenham um preço demasiado alto.

MÁRIO CESARINY


RUA 1º DE DEZEMBRO

À hora X, no Café Portugal
à mesa Z, é sempre a mesma cena:
uma toupeira ergue a mãozinha e acena…
Dois picapaus querelam, muito entusiasmados:
Que a dita dura dura que não dura a dita dita dura – dura desdita!
Um pássaro cantor diz que isto assim é pena
e um senhor avestruz engole ovos estrelados

Mário Cesariny, Nobilíssima Visão – 1959

Mário Cesariny teria hoje 87 anos. Morreu neste dia 26 de Novembro de 2006. Pintor e poeta, era considerado “O surrealista” português, e, fazendo jus ao título, em tudo o que opinava, quer fosse na arte, na história, na antologia ou simplesmente no seu dia-a-dia, era sempre polémico.
O seu trabalho, nas duas vertentes, é vasto mas sem retorno financeiro. Só a partir dos anos 80, quando é reeditada a sua obra poética, readquire o equilíbrio orçamental e, quando morre, consegue deixar em testamento um milhão de euros à Casa Pia. Ainda em vida, entregou graciosamente todo o seu espólio à “Fundação Cupertino de Miranda”.


SBF


(Imagem: Wikipédia)

ANO DO PREC – DIA 25 DE NOVEMBRO

…Era uma das poucas coisas boas que ali encontrava, o “Chefe” Cabo Albertino, e os seus petiscos. Aliás, o Albertino viria a ser um dos milicianos companheiro de viagem de João, na caixa duma “Berliere”, na madrugada de 26 para 27 de Novembro, que foram distribuir pelas residências dos que moravam perto, e pela Estação de Santa Apolónia, para os que iam de comboio para casa com o “passaporte” na mão. …
…Para o João não havia dúvida. Embora, do ponto de vista político, estivesse na área da chamada esquerda revolucionária, ou melhor, do PS para a esquerda, e, neste caso, contrário ao “Grupo dos Nove”, para ele o mais importante era a hipótese de se ver livre da tropa, portanto, a sua escolha, como para a quase totalidade dos milicianos, era a disponibilidade, passagem à “peluda” como se dizia então. …
…Há uns dias que a Comissão de Unidade tinha elaborado uma escala de saídas do quartel, para se saber exatamente o que se estava a passar no País real. Começava a haver pouca confiança na informação que chegava via televisão e rádio, e, dentro do quartel, era a única que havia. …
…Tinha chegado o dia de João sair para o exterior. No dia seguinte, 25 de Novembro, 3ª Feira, ano do PREC, ainda não eram 9h quando transpôs a “Porta-de-Armas” sob o olhar protetor do Primeiro-Sargento Alves. Uma dúzia de passos andados já na rua, olhou para trás, contemplou aquele grande portão verde e, decidido, encaminhou-se para a estação …
…Pouco depois de João ter saído do quartel como estava previsto, ouve-se o toque para a formatura geral. …
…de frente para a formatura na parada…
…Botou discurso o novo Comandante mais uma vez, dizendo que lamentava a decisão da Assembleia, que ainda havia tempo para pensarem melhor mas, se for realmente essa a vontade, tudo fará para que a transição corra sem problemas. Quanto ao regresso do antigo Comandante, não é negociável e está fora de questão qualquer cedência nesse sentido. …
João Marques passou todo o dia em Lisboa, a maior parte com colegas de trabalho e, ao fim do dia, rumou a casa onde aproveitaria para matar saudades da família e dos amigos e preparar roupa, porque a prevenção continuava e não sabia quando poderia voltar a casa. Tinha consigo três ou quatro jornais e toda a informação atualizada que conseguiu obter. …
…A televisão, a um dos cantos da sala, transmitia notícias e, naquela altura, falava o Capitão do MFA, Duran Clemente e era nisso que João estava interessado.
De repente, o Capitão, interrompe o que estava a dizer, começa a olhar para cima e para os lados, a imagem desaparece e é substituída pela escuridão completa do ecrã. Momentos depois, volta a surgir som e imagem mas, o que o João via, não era o Capitão Clemente mas sim, o exterior dos estúdios da RTP do Porto no Monte da Virgem. Uma voz off anuncia de seguida uma comunicação de Sua Exa o Presidente da República: O General Costa Gomes anunciava o decreto da declaração de “Estado de Sítio” com recolher obrigatório durante a noite. …
…os pensamentos de João sucediam-se… e o que mais o atormentava era a ideia de que teria havido um golpe militar de direita e tudo ia voltar para trás: A guerra, a PIDE, a censura e a tortura iam voltar… tudo se tinha perdido. E foi neste turbilhão, sem fazer ideia do que estava a acontecer na sua Unidade e dos riscos que corria, que, voando, chegou ao café onde costumavam parar os amigos. O Zé Silva, que tinha acabado de ver na televisão o mesmo e como se estivesse à espera dele, quase sem perguntas, meteu-o no seu carro e acelerou até ao quartel. …
…durante o trajeto, os dois amigos foram conversando mas a ansiedade de João sobreponha-se a tudo… o que me irá acontecer quando lá chegar? Vão prender-me com certeza! Pensava o João em voz alta.

SBF

(Partes do escrito “25 de Novembro do Ano do PREC” de Silvestre Félix)
(Baseado na realidade, com nomes e situações ficcionadas)

DIRETÓRIO DA UE

Que farda terá ela levado hoje para a reunião do Diretório da União (??) Europeia? Amarela, vermelha, verde, azul, roxa ou cinzenta?

Que declarações bombásticas irão fazer aos jornalistas no final do encontro?

Serão decerto a jeito para ajudar a afundar mais os periféricos. Não dirão publicamente (por enquanto), mas pensam a toda a hora que é preciso limpar o “Marco”, aliás, o “Euro”, para que a Europa deles possa progredir.

Se estiverem em pé quando responderem às perguntas dos jornalistas, é muito importante que não se esqueçam de pôr o estrado de altura, para que o da França não se sinta inferior.

Tanto Mar à nossa frente…

Do ponto de vista económico e financeiro, o Diretório da UE, tem “mandado” fazer exatamente o contrário que Obama tem feito nos USA.

Pelos resultados conhecidos, os que estamos a sentir na pele, parece-me não haver dúvidas de quem está a fazer bem.

ANO DO PREC NA VÉSPERA DE 25 DE NOVEMBRO (2ª PARTE)

Saiu do quartel com mais dois colegas numa “Mercedes benz” de caixa aberta ainda não eram 8h. Era a sua vez de ir à manutenção buscar os mantimentos do dia.

Quando regressou, uma hora depois, o pessoal de serviço não era o mesmo e estranhou. A formatura era só às 10h porque é que mudaram mais cedo? Ainda estranhou mais quando olhou com mais atenção e reparou que não havia milicianos com braçadeira, estavam todas mas “mangas” de sargentos e até o oficial de dia era do quadro.

João estava escalado para entrar de serviço às 10h mas, numa consulta rápida, logo viu que já não constava. Melhor assim, pelo menos podia dormir descansado à noite.

Por volta das 9h30, ouviu-se o toque para formatura geral. Cinco minutos depois o quartel estava todo na parada em formatura. Correspondendo aos comentários que já tinha ouvido, João viu sair do edifício do comando um Tenente-Coronel com a farda cinzenta, ladeado pelo Major, antigo Segundo-Comandante e um Capitão também antigo.

Estava percebido que o nosso (antigo) Comandante, já era. João Marques, conversando com os seus botões, tentava perceber se seria melhor ou pior. Para ele, tudo o que correspondesse a mais militarismo, era mau. Rapidamente as suas dúvidas foram esclarecidas pelo discurso do novo Comandante.

Apresentou-se como novo Comandante da Unidade nomeado pelo Estado Maior por indicação do "Grupo dos Nove". Pediu a nossa adesão à nova ordem e prometeu tratamento adequado à situação. Justificou a substituição do anterior Comandante por ele não querer aderir à nova cadeia de Comando. Aplicou-se com um discurso de moral militarista, dando como exemplo a seguir e traçando-lhe rasgados elogios, o Regimento de Comandos que, como se sabia, era a ponta de lança do “Grupo dos Nove” e adversário primário dos “páras” e do COPCON.

Continuou, sublinhando o carácter definitivo das decisões tomadas que vão no sentido de melhorar a vida na Unidade. Afirmou ainda que o novo Comando ia impor as suas regras, ficando no entanto, para saber, até ao dia seguinte à mesma hora (25 de Novembro), se as aceitamos ou não. Se sim, tudo normal e a vida continua, se não aderíssemos, ou relativamente a quem não aderisse, que se comprometia a tratar rapidamente da passagem à disponibilidade sem aplicação de qualquer penalização ou castigo.

Esta “zona” do discurso agradou ao João. “Passagem à disponibilidade!”

Difícil de acreditar assim, com tanta facilidade mas, havendo essa possibilidade, é a que mais interessa a João.

SBF

(Texto extraído do escrito “25 de Novembro do ano do PREC” de Silvestre Félix)
(Baseado na realidade, com nomes e algumas situações ficcionadas)

EMMY PARA “MEU AMOR”

Não é coisa pouca!

A telenovela da TVI “Meu Amor”, que havia sido nomeada para um Emmy, acabou por ganhar o importante prémio Norte-Americano que, está para as televisões, como os Óscares estão para o cinema.

Quer se goste ou não do género, a ficção da televisão portuguesa está de parabéns e merece todos os elogios. A TVI, que já tinha alguma experiência em exportação de ficção, vai com certeza reforçar esta vertente com esta vitória.

Alguns dos responsáveis pelo êxito são: O autor António Barreira, o produtor José Rêtre, a Direção da TVI e as atrizes Rita Pereira, Margarida Marinho, Alexandra Lencastre, o ator Paulo Pires, etc., etc.

SBF

(Foto e Link: DN Online)

ANO DO PREC - VÉSPERA DE 25 DE NOVEMBRO (1ª PARTE)

Há cinco dias que João Marques não ia a casa e só saía do quartel em serviço. Estávamos a 24 de Novembro de 1975, Segunda-Feira.

João estava a par das novidades pela rádio e televisão da sala de Sargentos. Calculava que a qualquer momento a situação podia piorar. A posição rebelde e inflexível dos “Para-quedistas” incendiava o País. Já era muito claro quem estava com quem. Desde o fim-de-semana que várias organizações populares, como comissões de moradores e de trabalhadores que, duma forma completamente irresponsável, começavam a abancar à porta dos quartéis afetos ao COPCON, pedindo e, nalguns casos exigindo, armas. A nossa Unidade não estava com o “Grupo dos Nove” e, já no Sábado, se percebeu que o Comandante estava inseguro relativamente à sua permanência aqui no Regimento e, por outro lado, à continuação da existência do COPCON e ao destino do seu Comandante.

Nada disto agradava a João. Por um lado, nunca quis, não queria nada com tropa. Detestava farda, armas, tudo o que fosse militar. Só assentou praça porque foi obrigado. Por outro lado, o perigo de haver confronto com armas assustava-o muito. Era pacífico dos quatro costados e não admitia, contrariando muito a onda e o ambiente do PREC, qualquer tipo de violência. Ainda ficou pior porque uma das irmãs foi ao quartel saber como ele estava e ver se precisava de alguma coisa. Preocupação natural da família. Para quem ia todos os dias a casa, estar cinco dias sem aparecer não era pacífico.

SBF
(Continua)
(Texto extraído do escrito “25 de Novembro do ano do PREC” de Silvestre Félix)
(Baseado na realidade, com nomes e algumas situações ficcionadas)

A GREVE

Os portugueses têm todas as razões para estarem descontentes e a greve é um direito inalienável de quem trabalha.

Estou cansado e farto de aturar “tiradas” panfletárias do “baralho” de líderes dos mais variados grupos que, como protagonistas, vingam no sucesso à custa do povo português.

A propaganda, para mim, nunca deixou de ser o mesmo, numa forma reduzida, da expressão “vender banha da cobra”. Ou seja, tem uma grande dose de convencimento do destinatário que não corresponde, de maneira nenhuma, ao grau de qualidade do produto.

Pressupostos considerados, era bom que os tais protagonistas (de todos os naipes) se contivessem no uso de propaganda para venda do seu produto.
(Imagem: Arquivo 1975)

OS BLINDADOS

Os blindados e outro material para a PSP, inicialmente anunciados como sendo necessários para a cimeira da NATO, transformaram-se em notícia de primeira página.
Não dá para perceber, porque também ninguém se deu ao trabalho de bem explicar, a importância de aquisição destas viaturas numa altura crítica de falta de dinheiro.

Foi tudo mal justificado, mal explicado, mal comprado (só ontem chegou a primeira viatura) e muito dinheiro envolvido.

Frequentemente ouvimos os operacionais da PSP referir que carecem de muitas outras simples coisas para o seu dia-a-dia, e que, quem tem o poder de comprar, não o faz, justificando o aperto orçamental.

Ninguém é obrigado a dar tiros nos pés. Neste caso, quem o fez, deve ser penalizado e os portugueses devem disso ter conhecimento.
(Imagem: DN Online)

TANTOS TEMPOS

O tempo que o tempo cobra pela juventude que fica, é muito caro para o nosso nível de felicidade. O vício de nivelar o “material”, e deixar sem fasquia o “imaterial”, deixa-nos sem margem para acreditarmos na nossa capacidade regenerativa – mesmo com elixir – da juventude!

Não são poucas vezes que passa o gigantesco ecrã com todas as imagens projetadas daquele tempo que o tempo guardou. A memória, no papel de ferramenta de arrumação, empresta-nos o real lembrado e, com a pitada certa de tempero no tempo, selecionamos e encaminhamos para a tela, os momentos, as coisas e as pessoas, pelos bons ou maus motivos. No que me toca, só escolho pelos bons motivos.

Voltando ao tempo guardado pelo tempo, também ele tem folga para aplicar a sua própria vontade, o seu livre arbítrio. Consegue sobrepor-se à memória, manipulando-a, e impondo o sentimento ou imagem que, no seu juízo temporal, são os meus preferidos e os que me fazem feliz.

Tantos tempos na minha juventude real foram bem escolhidos e eufóricos com a crença na eternidade do amor.

Os tempos davam sempre tempo para recuperar algum passo perdido mas, as passadas foram sendo cada vez maiores e, quando o tempo já não tinha tempo de recuperação, acreditei, finalmente, que a memória não tem limite e que, com ou sem elixir, a juventude pode permanecer até quando eu quiser.

O PAPA E O PRESERVATIVO

Quais cimeiras, quais quê!

O preservativo é que é a notícia de primeira página dos jornais e a que abre os telejornais.

Entre:

Promessas de Shakira de fazer brilhar o Sol esta noite no “Atlântico”,

declarações do de Abril em entrevista ao DN,

rescaldo da estadia de Obama e das “notas” que tirou para melhorar a organização da sua própria cimeira em 2012,

a publicidade do branqueamento dentário que o da França não perdeu a oportunidade de fazer,

dos blindados, que de tão blindados que estão, ninguém sabe qual é o seu paradeiro,

destaca-se a temática do preservativo, camisinha como dizem no Brasil ou camisa de vénus como aqui se dizia. Não há dúvida que é a grande notícia do… do século XXI. Numa penada, o Papa passou de besta a santo. A hipocrisia é um mal bem entranhado na cabeça de muita gente. Não me digam que agora, depois da bênção do Papa, todos os “beatos” e “beatas” vão, finalmente, começar a utilizar a borrachinha?

A ignorância teima em manter-se coladinha às pessoas, mas, pior que isso, é quererem que os filhos também não saibam mais que eles. Existem ainda muitas comunidades, em que os Pais dos alunos não querem que eles assistam a aulas de educação sexual.

Continua a não ser fácil transmitir a noção de “planeamento familiar” ou “sexo seguro”.

A necessidade do uso do preservativo devia ser transmitida como se ensina a ler e a escrever ou a teclar o computador ou as PS!

NO AFEGANISTÃO

Estou com uma de “caixão à cova”… «CONSTIPAÇÃO» o que pensavam que era?

De cabeça mais que pesada, sem a conseguir levantar para olhar de frente o Obama… sim o Barack… porque desde ontem é visita permanente aqui em casa. Até parece que já nos conhecemos há muito tempo. O homem é mesmo a descontração em pessoa. Não casa bem com tudo o que o rodeia mas, em atentados a presidentes, os americanos vão à frente e com grande avanço, de forma que é melhor prevenir do que remediar.

De espirro e pingo no nariz, quase não consegui ver o da França. Ele tenta, com os tacões que o sapateiro lá do bairro lhe mete nos sapatos novos que semanalmente compra mas, mesmo assim, de tão pequeno, só se consegue ver de lado porque, à frente ou atrás, está sempre alguém mais alto.
Não me conformo com a ausência de protagonismo do da Itália. Que pena!
Até piorei da «constipação» por não ter percebido que farda legava hoje a "Big Boss". Seria amarela, verde, laranja ou vermelha?

Entretanto, noutro planeta...

Quantas pessoas, civis e militares – dum lado e doutro – morreram este ano, este mês, esta semana ou hoje, no Afeganistão?

OS JUÍZES E OS CORTES

Porquê tanta resistência à redução dos vencimentos dos Juízes?

Se o corte toca toda a gente que recebe do “Orçamento”, porque hão-de querer ser excepção?

SBF

NATO E CIMEIRAS

Nato e cimeiras com manifestantes do contra e tolerâncias de ponto. Todos vêm por aí de visita, com dezenas e dezenas de assessores, blindados e óculos escuros com fartura, não vá acontecer que alguém lhes tire a fotografia.

A verdade e o realmente são outro planeta. Ruas e avenidas vedadas ao trânsito, espaço aéreo livre foi-se, as lojas estão fechadas e até o Tejo se sente inibido de correr no seu manso leito porque não está para criar problemas.

Então e as pontes? O que vão fazer com as passagens para a outra margem? Há sempre a possibilidade de as fazer desaparecer por artes mágicas. Sim, nós temos grandes mágicos! Aconselho os políticos que são os melhores neste mundo e no outro. Já ouvi dizer que o assessor do Rei Saturno, por telepatia, mandou chamar um governante português, daqueles que conseguem fazer desaparecer o deficit, para derreter um dos anéis que lhe tira a vista espacial.

Estes ajuntamentos de estrelas são os melhores eventos do universo. Este pode ter acontecido há milhões de anos mas, para nós, que somos provincianos, é como se estivesse a acontecer agora.

A verdade e o realmente (outra vez) são outro planeta!

Podem os portugueses ficar descansados, a serenidade vai continuar, não está, nem vai acontecer nada!
(Imagem: Visão Online)

PILAR E JOSÉ SARAMAGO

Como é sabido, porque o próprio o contou, a Biblioteca Municipal instalada no Palácio Galveias, ao Campo Pequeno em Lisboa, era local habitual de aprendizagem no que respeitava a livros e, o que, da literatura portuguesa lhe podia transmitir.

José Saramago, pelos anos 30 do século passado, nas idades efervescentes de 16/17 anos, desviava-se para as bibliotecas. Pois o seu futuro ditado, era industrial e, para isso, queimava as pestanas (e os dedos) na Afonso Domingues em Xabregas. Mas as letras, tomavam a dianteira na sua formação intelectual e, pelos poemas de Ricardo Reis que não era, viria a passar toda a vocação de singular escrita premiada pelos cultos e odiada pelos ignorantes.

Continuo a surpreender-me com Pilar Del Rio, viúva de José Saramago. Contava, depois da morte do marido, com um apagamento silencioso e um regresso natural a Espanha e à sua vida profissional. Ao invés disso, comprova-se uma mulher ativa, instala-se em Portugal, Pátria de Saramago regressado, dedicando-se por inteiro ao trabalho iniciado, perpetuando e amplificando a importância da obra e do seu autor.

Nesta Terça-feira, foi inaugurada a “Sala José Saramago” na Biblioteca Municipal do Palácio Galveias. Padrinhos do evento, com os nomes a constarem na respetiva placa: Pilar Del Rio e António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. A viúva do Prémio Nobel da Literatura, ainda teve o ensejo de assinar o Livro de Ouro da Biblioteca do Palácio Galveias.

Em protesto contra os ignorantes…..

Que viva a memória e a obra do Nobel Saramago!

(Imagem e Dicas: DN Online)

O DIA NACIONAL DO MAR E A LUSOFONIA


O Dia Nacional do Mar comemora-se a 16 de Novembro.

O Mar, para muita gente, é qualquer coisa abstrata como o prolongamento da praia onde, no verão, o pessoal se frita ao Sol.

Como foi possível voltarmos as costas ao Mar e lançarmo-nos nos braços da “outraEuropa que, à primeira adversidade, cobra tudo e depois fica a assobiar p’ró lado?

O Mar, que desde os primórdios da nacionalidade nos acompanhou e, quando chegou a altura, nos deu o caminho para a afirmação dos portugueses no mundo. As descobertas foi o auge da nossa relação com o Mar. Em terra, nos entregou as suas riquezas, fazendo de Portugal o centro da Europa. O fim do Império, não devia ter sido o abandono do Mar como maior e fiel parceiro.

Hoje, felizmente, volta a falar-se na importância do Mar para os portugueses. Só é pena que seja porque não nos estamos a dar bem com o outro lado, mas, ainda assim, “há males que vêm por bem!”.

O NOSSO MAR é 18 vezes maior que a nossa área terrestre. O potencial económico em cerca 1,7 milhões de metros quadrados, pode duplicar várias vezes o nosso PIB.

Em “mar aberto”, e tendo em conta o atual deficit externo no que respeita a pescado, o destaque vai para a pesca devidamente planeada e orientada para a preservação das espécies, protegendo e utilizando os viveiros selvagens com rigor e em alternância com aquicultura em zonas costeiras determinadas, para espécies de insuspeito interesse económico tanto para consumo nacional como para exportação. O desenvolvimento da aquicultura em “mar aberto” é fundamental para o futuro de algumas qualidades de peixe e para a atividade económica costeira. As indústrias conserveiras modernas estão à espera.

Alguns que voltam agora a falar na importância do Mar, já tiveram em tempos, responsabilidade no seu abandono em parceria com a antiga “mãe” da atual UE, a CEE: Os abates da frota pesqueira de pequena e grande tonelagem, o encerramento de grandes e pequenos estaleiros navais para reparação e construção. O desaparecimento das grandes companhias de marinha mercante, etc., etc.

Se dissermos a um jovem de 20 anos, que há menos de 40 anos, os portugueses tinham uma frota de dezenas de bacalhoeiros, barcos de grande tonelagem que iam em viagens de muitos meses à Terra Nova, à Gronelância e outros mares do norte, pescar todo o bacalhau que consumíamos e que ainda exportávamos depois de procedermos à sua seca e salga. Será que o jovem acredita? Tenho as minhas dúvidas. Hoje, não temos um único bacalhoeiro e importamos da Noruega e de outras origens a norte, todo o bacalhau que comemos.

Para além de todo o resto, o Mar continua a ser a “estrada” da LUSOFONIA!
(Imagens: Wikipédia)

TOLERÂNCIAS DE PONTO

As tolerâncias de ponto concedidas pelo Governo a propósito das mais variadas situações, está a tornar-se um vício. Em circunstâncias normais já é um péssimo hábito, em tempo de crise é descabido e contraditório com todos os sacrifícios impostos pelo mesmo Governo.

A realização da cimeira da NATO em Lisboa vai com certeza quebrar algumas rotinas mas, daí a haver necessidade que os funcionários públicos fiquem em casa, porque é isso que vai acontecer, a distância é grande.

Melhor está o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, (CLICAR) que, resistiu às pressões e recusou a tolerância de ponto. O Presidente da Autarquia lisboeta está muito mais próximo da sociedade real do que os burocratas do Poder Central.
(Foto e Link: Económico Online)

SUU KYI, SÍMBOLO GRANDE

Finalmente, (CLICAR) Aung San Suu Kyi, líder da oposição birmanesa e Nobel da Paz em 1991, foi libertada depois de duas décadas de privação de liberdade.

Suu Kyi, símbolo grande de resistência e luta contra a ditadura militar e repressão de um regime déspota que teima em manter-se no poder.

O mundo da liberdade está com Suu Kyi e o futuro também!

“…Em menos de uma hora, o barco estava a passar as bóias que assinalavam as línguas de terra pouco fundas que se projetavam da foz do rio Rangum, um de centenas de rios que drenavam o delta do Irrawaddy. …”

Passagem do romance “O Afinador de Pianos” de Daniel Mason. Chegada de Edgar Drake, afinador de pianos, à capital da Birmânia, Rangum. A ação passa-se no último quartel do século IXX e é só ficção destacando o antagonismo entre o colonizador Britânico e o colonizado Birmanês. A narrativa mostra-nos o que era a Birmânia naquela época, mas, quando se fala deste País na atualidade, sou levado sempre a lembrar-me do gosto que senti na leitura deste romance.
(Foto e Link: DN Online)

O INFANTE D. HENRIQUE

“Eu, o infante D. Henrique, regedor e governador da Ordem de Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, duque de Viseu e senhor da Covilhã, faço saber aos que esta carta virem que, esguardando como ao cabo de Sagres vinham e vêm muitas carracas, naus galés e outros navios pousar por não acharem tempo de viagem…”

Este texto é o início da carta, de responsabilidade do Infante D. Henrique, feita menos de dois meses antes da sua morte, dando conhecimento da fundação da Vila do Infante, em Sagres.

O Infante D. Henrique, de Sagres, ou o Navegador, morreu a 13 de Novembro de 1460, fez hoje 550 anos. Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, era o terceiro infante da “Ínclita Geração” depois de D. Duarte e de D. Pedro. Foi o grande obreiro das descobertas portuguesas. Instalou-se entre Sagres e Lagos, no Algarve, e daí organizava e comandava a saída das Naus pela costa africana, primeiro para o Mediterrâneo e depois para sul pela costa ocidental, e também para o mar largo na descoberta do Porto Santo e da Madeira em 1418 com João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira e a colonização dos Açores em 1445 com Gonçalo Velho Cabral. Quando morre, em 1460, as caravelas Lusas, na costa africana, já tinham chegado à entrada do Golfo da Guiné, para ocidente com Diogo Gomes perto da Terra Nova em 1542 e, pelo mesmo navegador e António da Nola, exatamente em 1460, à Ilha de Santiago em Cabo Verde.

A designação de ”Ínclita Geração”, aparece nos “Lusíadas” de Luís de Camões, assim:

“Não consentiu a morte tantos anos / Que de Herói tão ditoso se lograsse / Portugal, mas os coros soberanos / Do Céu supremo quis que povoasse. / Mas para defensão dos Lusitanos / Deixou, quem o levou quem governasse, / E aumentasse a terra mais que dantes, / Ínclita geração, altos Infantes.”

A cidade de Lagos lembrou, com festividades, o Infante D. Henrique neste aniversário da sua morte.

O SENHOR DO ADEUS

O Senhor do Adeus disse o último Adeus!

Algumas (CLICAR) centenas de Lisboetas quiseram homenagear João Manuel Serra que, com a sua morte, provocou uma onda de comoção a quem com regularidade recebia a sua saudação mas, também, a quem só agora, através da comunicação social, conheceu o “Senhor do Adeus”.

A verdadeira bondade humana é uma coisa natural, a sociedade é que duvida disso e nos empurra para o litígio e para a competição.

Almas boas, grandes e esclarecidas, dão o melhor que têm à humanidade!

Foi decerto isso que fez o SENHOR DO ADEUS ao longo da melhor parte da sua vida!


(Foto e Link: DN Online)

ANGOLA

Angola era, aquando do triunfo da revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, palco de uma das frentes da Guerra Colonial que o antigo regime português teimava em manter.

Um dos principais objetivos dos revolucionários portugueses e que constava mesmo no programa do MFA, era o fim dos combates e iniciar negociações com os Movimentos de Libertação Nacionais para a autodeterminação e independência de cada uma das Colónias.

As duas primeiras intenções foram pacificamente atingidas mas, a seguir – dada a circunstância de Angola ter três Movimentos de Libertação ativos nas negociações e na ambição de chegarem ao poder – as coisas não foram fáceis, mas isso é outra história.

A data foi marcada e, antes da meia-noite deste dia 11 de Novembro de 1975, a bandeira portuguesa foi arreada, os últimos representantes da soberania portuguesa deixaram Luanda e, subiu ao mastro, a bandeira nacional de Angola.

Angola não se livrou da guerra com a independência em 1975. Os angolanos continuaram a ouvir os disparos das metralhadoras e os rebentamentos de minas, com os sacrifícios que isso implica, até 2002, ano em que, com a morte do líder da Unita, o confronto chegou finalmente ao fim.

Hoje, Angola é um dos principais Países africanos, com uma taxa de crescimento das mais elevadas, faz parte da “Lusofonia” integrando ativamente a CPLP, é um forte parceiro de Portugal a todos os níveis e, é um dos destinos prediletos dos portugueses para emigrarem.

De 1982 a 2002, fui muitas vezes a Angola e passei lá alguns períodos de dois ou três meses. Senti-me sempre em casa e tenho muitas saudades da terra e dos angolanos que tive o gosto de conhecer.
(Imagens: Wikipédia)

POLÍTICAS ULTRA-LIBERAIS

Nos meus tempos de Carga Aérea, os preços eram publicados pela IATA (Associação Internacional que regula o transporte aéreo de carga e passageiros) e vinculavam todas as transportadoras associadas e seus agentes. Os prevaricadores eram os que, clandestinamente, ofereciam preços diferentes.

Isto era no tempo (não foi na Idade Medieval) em que os mercados eram regulados. O ponto de partida era igual para todos e, por isso, a cativação de clientela, exigia muito mais imaginação. O cliente não decidia pelo preço mas sim pela qualidade do serviço. A fasquia era alta, nunca parava de subir e atingiam-se níveis de qualidade muito altos.

Hoje, com a desregulamentação, as pequenas e grandes decisões, resumem-se a simples atitudes economicistas. Não interessa nada a qualidade do produto ou do serviço, mas sim o preço de venda e as “luvas” que sobram. As políticas ultra-liberais, que têm dominado o ocidente nos últimos anos, promovem a mediocridade. A globalização só beneficia os chamados “emergentes”. É certo que estes Países mereciam ascender a melhores níveis de desenvolvimento mas, não deveria ter sido à custa da descida de outros. Hoje, as coisas estão diferentes, mas, ainda não há muito tempo, os produtos que por aí encontrávamos “made in China”, era como se tivessem um carimbo de “falta de qualidade”.

Com a eliminação das barreiras alfandegárias e os produtos dos “emergentes” a entrarem portas dentro, a economia ocidental tinha necessariamente de dar uma cambalhota. Uns aguentaram-se melhor que outros e, no que respeita à “decadente” União Europeia, só a Alemanha está forte do ponto de vista financeiro, económico e com todo o poder sobre os 27 que o usa quando quer e da maneira que mais lhe interessa em cada momento.

Bom, mas voltando à Carga Aérea. Soube-se ontem, que a Comissão Europeia, multou onze companhias de aviação de várias partes do mundo num total de 800 milhões de euros, por alegado desrespeito da lei da concorrência. São, as companhias em questão, acusadas de estabeleceram um cartel mundial no transporte de mercadorias entre 1999 e 2006.

Nota explicativa!

A Lufthansa e a sua filial Suíça (Swissair) receberam IMUNIDADE e não vão pagar nada porque colaboraram na investigação.

Palavras para quê? A Lufthansa é a companhia aérea de bandeira da ALEMANHA!

“GANDHI SARAUÍ”

A ativista Aminatu Haidar, também conhecida por “Gandhi Sarauí”, que, há quase um ano, esteve 32 dias de greve de fome em Lazarote, veio a Portugal para receber a Medalha da Universidade de Coimbra e participar num debate na Reitoria da Universidade de Lisboa.

Nesta 2ª Feira, (CLICAR) já com Aminatu em Portugal, as tropas marroquinas atacaram um acampamento de protesto saurí nos arredores da capital do Saara, provocando dezenas de mortos e desaparecidos e quase um milhar de feridos.

Existem algumas semelhanças com Timor-Leste, na luta pela independência do Saara-Ocidental. Marrocos está para o Saara-Ocidental como a Indonésia estava para Timor-Leste.

O antigo colonizador, neste caso a Espanha, sai do território em 1975 na sequência da morte de Franco e início do processo de transição para a Democracia e, imediatamente, as duas potências regionais – Marrocos e Mauritânia – invadem a antiga colónia espanhola. Mais tarde a Mauritânia sai mas Marrocos fica.

A comunidade internacional tem esquecido esta situação irregular estes anos todos. Entretanto, e já numa aparente fase avançada de entendimento, em 1991, Marrocos e Frente Polisário, concordaram que se realizasse um referendo para que a população do território se decidisse pela independência ou pela integração em Marrocos. Ninguém, nem as forças das Nações Unidas no terreno, criaram condições para se realizar o referendo, até hoje.
(Foto e Link: DN Online)

9 DE NOVEMBRO E A ALEMANHA

O dia 9 de Novembro está colado à Alemanha por boas e más razões.

A comemoração feliz tem a ver com o que se pode considerar, o princípio do fim do Muro de Berlim. A 9 de Novembro de 1989, o governo da extinta “RDA - República democrática Alemã” ou “Alemanha Oriental”, anunciou que todos os cidadãos estavam autorizados a visitar a “Alemanha Ocidental” ou “República Federal Alemã. Nos dias e semanas seguintes, multidões de cidadãos da RDA juntaram-se aos alemães do ocidente e, no caso de Berlim, inventaram todas as maneiras de ultrapassar o muro que dividia a cidade em duas. Em pouco tempo, o Muro de Berlim tinha tantas partes derrubadas, que não se justificava continuar a usar as “fronteiras internas”, a mais famosa “Checkpoint Charlie”, que passou a ser um dos pontos turísticos mais visitados naqueles meses.

Menos de um ano depois, a Alemanha voltava a estar reunificada. Eu estive em Berlim, na Primavera de 1990, trouxe um bocado de muro (PARA VER CLICAR), e o passaporte ainda carimbado com a RDA.

O outro 9 de Novembro ligado à Alemanha é pelas piores razões. Nesta noite, em 1938, que ficou conhecida pela “Noite dos Cristais”, os nazis de Hitler, mataram muitos Judeus e prenderam, pelo menos 30 mil, que de seguida foram levados para campos de concentração. Nessa mesma noite, os nazis reduziram a escombros 7.500 lojas e 1.600 sinagogas Judaicas. Foi na Noite dos Cristais que começou o longo calvário dos Judeus às mãos dos nazis.

PORTUGAL TELECOM LITERATURA 2010

Fico feliz com o vencedor do (CLICAR) Prémio Portugal Telecom Literatura 2010 anunciado hoje em São Paulo no Brasil. Chico Buarque com o “Leite Derramado”, deu-me algumas horas de prazer enquanto li a obra e ainda mais do que isso, deixou-me um gosto bom na Alma.

Em Agosto de 2009 fiz uma (CLICAR) postagem sobre este livro na “prateleira de Livros”, onde desabafei o quanto gostei de o ter lido.

Para conhecer melhor Chico Buarque e a sua escrita, para além do “Leite Derramado”, é importante que se leia “Budapeste” publicado em 2003. É uma história de amores, vivida duma forma pouco comum, entre o Rio de Janeiro e Budapeste.

Depois de ler o livro, já pode ver o filme. Tem a direção de Walter Carvalho e, em tempo, a crítica foi generosa.

Junto de mim, tenho a 2ª edição de “Budapeste”, coleção BIS da Editora LEYA de Março de 2009.

(Dicas e Link: O Público Online)

RATING DO BES

Na sequência de corte no rating do BES, BCP, BPI e BANIF pela agência de notação financeira Fitch, o (CLICAR) BES, decidiu não renovar o contrato com esta agência por considerar não se justificar a revisão em baixa da sua notação financeira.

É uma atitude de quem OS tem no sítio!

MAIS UMA ACHA PARA A FOGUEIRA

As recentes afirmações de Pedro Passos Coelho, sobre responsabilidade civil e criminal, a propósito de eventuais desvios nas execuções orçamentais, têm o consciente efeito de “atirar mais uma acha para a fogueira”.

Estou a achar que PPC assumiu definitivamente, a corrida da asneirada e da teimosia com José Sócrates. Dá para perceber que vem fazendo “orelhas moucas” a tudo e a todos, incluindo a alguns antigos apoiantes.

Não entendo como é que, de vez em quando, lhe foge o tiro para os pés. Em tão pouco tempo, já foram tantos os tiros que, qualquer dia, vai ter dificuldade em manter-se em pé.

Devia ser inventado um aparelho para medir a demagogia. Se essa ferramenta existisse, PPC já estaria nos primeiros lugares. As contas do Estado são permanentemente auditadas e, se PPC não se lembra, existe uma instituição que se chama Tribunal de Contas, com poderes para responsabilizar e agir criminalmente no âmbito de todos os serviços do Estado e de outras instituições, deles dependentes, sempre que seja necessário.

Como podemos ganhar confiança numa personalidade que, depois duma primeira “abordagem” de entendimento e de defesa do interesse nacional, elogiada e classificada de muito positiva por quase todos os quadrantes da sociedade portuguesa, virou, a partir do Verão, para uma estratégia de confronto “barato” com o Governo, acabando por ficar encurralado no tabu sobre o Orçamento, provocando “resmas” de incertezas lá fora e cá dentro, materializadas no aumento dos juros da nossa dívida soberana?

Mesmo depois do Orçamento aprovado, e sabendo que até Março de 2011 o Parlamento não pode ser dissolvido, Pedro Passos Coelho continua, erradamente para a maioria dos portugueses, a alimentar uma guerrilha partidária permanente, criando um ambiente de pré-campanha eleitoral, quando, por enquanto, o que se lhe exige, é uma atitude de Estado, compatível, com quem pode estar muito perto de ser o próximo Primeiro-Ministro.
(Gravura: DN Online)

GREVE GERAL

São muitas as razões que legitimam a convocação da greve geral do próximo dia 24.

O rendimento disponível dos trabalhadores portugueses tem vindo a diminuir e, a partir de Janeiro, ainda mais e duma maneira mais acentuada.

Partindo desta dura realidade, existem contudo, três formas de sentir os “cortes” já feitos e os que ainda aí vêm, a saber:

Primeira: Naquela enorme faixa de famílias que já aufere tão pouco – muitas, abaixo do salário mínimo – que qualquer cêntimo que recebam a menos, pode significar um pão a menos na mesa, ou a falta de um medicamento indispensável à cura da doença.

Segunda: Outra faixa de famílias com rendimentos médios e encargos equilibrados que, considerando as quebras anunciadas, podem ter de prescindir ou reduzir: Na ida ao ginásio, ao instituto de beleza, ir jantar fora, passar férias no estrangeiro, lições de equitação e esgrima da(o) filha(o), trocar este ano só um carro em vez de dois, etc., etc.

Terceira: As classes abastadas ou famílias ricas, tanto lhes faz impostos baixos como altos, que não precisam alterar o seu estilo e nível de vida.

Nesta conformidade, e como todos já sabemos, não há dúvida que a crise custa muito mais a uns do que para outros. Por isso lamento, que a comunicação social duma forma geral, mas principalmente as televisões, estejam – a propósito da greve ou das medidas de austeridade – a dar voz, preferencialmente a classes profissionais do segundo nível, ou seja, com vencimentos superiores a cinco ordenados mínimos, fora os extras.

É claro que é difícil aceitar, não poder trocar o carro este ano ou não ir ao estrangeiro de férias, mas caramba, pelo menos sejam discretos.

(Foto: Manif. F. Pública 6.11.10 – DN Online)

SOBERANIA E ESPERANÇA

No terceiro andar, olhando pela janela, conseguia viajar ao futuro.

Mais depressa do que a velocidade das águas do Tejo que, sem hesitações, corriam na direção da barra, desviando-se a seguir do Bugio, a ida ao futuro entusiasmava-me e colocava-me no melhor dos mundos com que alguma vez fosse possível sonhar.

O Outono Marcelista ameaçava permanecer infinitamente e nem a ala liberal conseguia transformar em luz, as nuvens que por aqui pairavam.

E a Guerra continuava!

Daquela janela do terceiro andar, conseguia saudar os do “Bragança” quando subiam os degraus de pedra da do Alecrim ou pela outra janela bem encostada à “minha”. Neste caso – tratando-se de albergue tão ilustre, não fosse pelo Eça do IXX assim tratado nos vários escritos e na “Tragédia da Rua das Flores” que, daqui consigo mirar, não a “tragédia”, mas a rua – dada a circunstância de, em vez de andar para a frente, me inspirar passado, tratei de apurar aqueles momentos mágicos de recolhimento e concentração, para que as idas ao futuro saíssem muito mais certeiras do que as “revisões” em alta ou em baixa das instituições de controlo económico e financeiro, que saltitam por tudo o que é comunicação social e a toda a hora.

Em Alcântara-Mar, a abarrotar de Mães e Pais, Irmãos e Irmãs, Mulheres e Filhos, que, por sua vez, se multiplicavam em lenços brancos marcados pela saudade antecipada. O “Niassa”, apontado ao corredor da barra, separava-se do Cais, e de verde azeitona colorido lá começava a dobrar a ondulação em sintonia com os silvos estridentes assinalando a partida.

A Guerra ainda estava lá!

De Salazar se fez Caetano e da Primavera se fez Outono!

Doze dias depois, outro Cais em África, muita gente mas agora é a chegada. A bordo só fica a esperança no regresso. Fora de bordo está o desconhecido, a ansiedade e muitas vezes o medo e o desespero.

Pela janela do terceiro andar, numa das idas ao futuro em muito tempo contado em anos e a do Alecrim em fundo…

Com intermitências, conseguia perceber as imagens, mesmo foscas, duma SOBERANIA desanimada e indefesa perante um gigante louro de olhos azuis, fêmea q.b. e vestimenta colorida. A servir de ESCUDO, o gigante trazia uma plataforma de coesão que, quando muito bem entendia e porque tinha todo o poder e dele fazia o que queria, a transformava em arma de arremesso, mais conhecida como MERCADO, com um alcance periférico sem limite de distância e vergonha. Embora um pouco encobertos pelo gigante que os protegia, dava para ver, sempre a crescer, os peões que me sopraram chamarem-se JUROS. Estes peões iam avançando no tabuleiro de xadrez que agora via claramente, enquanto o gigante se resguardava entre as TORRES DE BRUXELAS. Os JUROS conseguiram ameaçar as defesas da SOBERANIA que, num último momento, se aguentou e recuperou até algumas linhas no tabuleiro. A resistência está difícil, o XEQUE-MATE pode surgir a qualquer momento mas, enquanto há vida, há esperança!

Naquele terceiro andar, à janela, conseguia ver a continuação da Guerra que matou e estropiou. Conseguia sentir a emoção dos portões de Caxias e de Peniche que se abriram a Portugal. Conseguia sentir o peso dos séculos duma NAÇÃO, tantas vezes ameaçada e outras amordaçada, mas sempre libertada.

Da janela do terceiro andar, vi calarem-se as granadas e as metralhadoras, vi abraços fortes de liberdade e vi o fim da Guerra.

As portas que Abril abriu à SOBERANIA não se fecharão à esperança!

MONSTROS DE SABEDORIA

Os Ex-Ministros das finanças ou Ex-Secretários de Estado das finanças, são, na minha opinião, demasiadas vezes solicitados pela comunicação social a pronunciarem-se sobre a atual situação e o que fariam se fossem agora Ministros.

Todos eles, pelas mais variadas razões, têm responsabilidade na forma como o nosso País tem caminhado, do ponto de vista financeiro, nas últimas décadas. Nenhum se pode pôr de fora, ou melhor, nenhum se devia pôr de fora, mas, a humildade e a modéstia, não fazem parte do dicionário da maioria destas personagens.

Todos foram e são muito bons. A generalidade, se fossem agora Ministra(o)s, tinham solução para todos os nossos males. Este excesso de “competência” “ataca” “monstros de sabedoria” de todo o “arco do poder”.

Tantos “sábios” em bicos de pés!

Tudo o que é demais enjoa!

DONATIVOS = CANDIDATOS

O financiamento oficial dos partidos é, em si, polémico. Em tempo de crise e a credibilidade dos políticos em baixo, o universo da nossa política, decide, mais uma vez, mexer na legislação que regula a entrada de dinheiro nos seus cofres.

Nesta Quarta-Feira, na Assembleia da República, uma nova Lei foi aprovada com os votos favoráveis do PSD, PS e abstenção do CDS e de mais 9 deputados do PS. Os restantes votaram contra. Na “dissidência” no voto do PS, destacam-se António José Seguro, Strech Ribeiro e Vera Jardim que não conhecidos como não alinhados com José Sócrates.

A nova Lei, entre outras coisas mais ou menos discutíveis, tem uma novidade que me parece altamente perigosa e que acentua o critério da capacidade financeira de cada um, na altura da escolha de candidatos para as listas eleitorais, incluindo para Câmaras Municipais, Assembleias Municipais e Assembleias de Freguesia.

Até aqui, só os eleitos podiam fazer donativos oficiais aos partidos. Com a nova Lei, para fazer um donativo legal a um partido, não é necessário estar eleito, basta só que seja candidato oficial numa lista eleitoral desse partido, podendo, até, nunca vir a ser eleito. A partir de ontem, só nas autarquias, os potenciais ofertantes passam a ser mais de 40 mil candidatos.

Não é difícil começarmos a perceber que, “fulano de tal”, conseguiu determinado lugar na lista, porque “entrou” com um donativo para o partido, a atirar para o “gordo”. O outro, o “fulano menos de tal”, embora mais competente, e tudo leva a crer, honesto, não aparece no topo ou nem sequer lá está, porque não tem condições financeiras para avançar com um “bom” donativo, ou seja, faz toda a diferença que o donativo passe de jusante para montante, sendo o ponto de partida a elaboração da lista.

Passa a vigorar a lei do mercado. Tudo depende da oferta e da procura!

Os Deputados que votaram favoravelmente esta nova Lei, prestaram um mau serviço ao País!

(Foto: DN Online)

ATRÁS DE MIM VIRÁ, QUEM DE MIM BOM FARÁ!

Atrás de mim virá, quem de mim bom fará!

Nada mais apropriado do que citar este antigo provérbio, a propósito da participação da ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, no debate parlamentar do OE durante a manhã de hoje. Do que ouvi em direto e do que li posteriormente, concluo que a Senhora usou aquela dose de bom senso e responsabilidade que tem faltado ao seu sucessor e a quem o rodeia.

Nunca “morri” de simpatia por MFL. Esse sentimento tem a ver com a forma, como ela, ao longo dos anos, tem intervindo na política portuguesa, incluindo o mandato à frente do PSD. Por isso mesmo, com a sua saída, acreditei que os interesses partidários iriam passar para segundo plano e, com a nova liderança, seria possível percorrer um caminho sereno e seguro com destino a uma governação competente e estável.

Enganei-me redondamente!

Numa primeira fase, ainda vi um PPC com bom senso e responsabilidade e um Sócrates menos arrogante e dialogante, naquele encontro em São Bento, mas, “foi sol de pouca dura”. PPC abriu as hostilidades e nunca mais parou. Sócrates, como também é seu lema, respondeu e contra-atacou em sucessivas ocasiões e, os portugueses, principalmente desde o Verão, sofrem cada vez que ouvem ou lêem notícias, ou, ainda pior, quando conseguem assistir a um debate parlamentar.

Na verdade enganei-me várias vezes!

Com Manuela Ferreira Leite, não tinha havido tabu em relação à passagem do OE de 2011. Tinha dito mais ou menos assim: “É mau, não é o meu orçamento, mas, em nome do interesse nacional, o PSD não o vai inviabilizar”. Os “mercados” tinham reagido de outra maneira e a situação hoje seria mais favorável, ou seja, Pedro Passos Coelho não foi solução nenhuma e, em vez disso, está a ser o problema!

(Foto: DN Online)

O NOSSO REGIME

Assistindo ao debate parlamentar de hoje, com o OE de 2011 em cima da mesa, percebe-se bem, que, qualidade é uma característica que não abunda naquela “casa da democracia”.

Mário Soares, no seu habitual artigo do Diário de Notícias de hoje, aborda a questão do regime. Diz ele: “Alguns analistas que não gostam particularmente do 25 de Abril têm insistido muito – nos órgãos de comunicação social – que o nosso regime está esgotado e em crise.”

Tal como Mário Soares, eu também acho que o nosso regime não está esgotado, antes pelo contrário, precisa de algumas reformas que “refresquem” a sociedade e, ao mesmo tempo, que se consolide uma tendência segura de melhoramento das condições de vida dos portugueses. Infelizmente a austeridade não deixa, e não sabemos quantos mais anos teremos que esperar para recuperarmos o que agora estamos a perder.

A crise atual é financeira, foi importada e, amplificada em virtude das nossas deficiências estruturais. E, esses problemas que vêm muito de trás – reposição do nosso tecido produtivo, na agricultura, nas pescas, na reparação e construção naval, nos portos e transportes marítimos, na reparação e construção de equipamento circulante e não, de caminho de ferro, a par da investigação e desenvolvimento de todas as componentes de energia renovável, investigação, desenvolvimento e produção de novas tecnologias, etc. – para serem corrigidos, precisam de muita competência e, com os atuais atores (no PS e PSD), não tenho motivos para acreditar que exista essa capacidade.

O TERRAMOTO

“Quase todos os Palácios e igrejas grandes foram rachados ou abateram em parte e poucas casas ficaram em estado de continuarem a ser habitadas. Todas as pessoas que não foram esmagadas mortalmente pela queda dos edifícios, correram para os largos e para as maiores praças. Aqueles que estavam mais perto do rio, fugiram para a beira da água, procurando salvar-se em botes ou qualquer outra coisa em que fosse possível flutuar. O povo corria e gritava chamando para os navios que fossem em seu socorro mas, enquanto a multidão se juntava à beira do rio, a água elevou-se a uma tal altura que invadiu e inundou a parte mais baixa da cidade, aterrorizando tanto os já horrorizados e míseros habitantes que mesmo aqui de bordo podíamos ouvir os seus gritos terríveis e via-se a multidão correndo de um lado para o outro completamente desorientada, convencida de que tinha chegado o fim do mundo, para depois cair de joelhos implorando o auxílio de Deus Nosso Senhor!”

Este texto é parte do relato de um Inglês que tinha entrado a barra do Tejo e assistiu ao terramoto de 1 de Novembro de 1755 de dentro do seu navio no rio frente a Lisboa.

Faz hoje 255 anos que Lisboa foi arrasada pelo terrível terramoto seguido de um enorme maremoto, hoje, correntemente designado por tsunami.

O terramoto, de magnitude 9 na escala de Richter, para além de Lisboa, atingiu também fortemente todo o litoral Algarvio e vários outros locais no País. Em Lisboa as vítimas terão andado entre as 20 e 40 mil, que sucumbiram, primeiro à derrocada dos edifícios, depois aos fogos que alastraram a cidade e ainda, afogados pelas ondas gigantes de mais de 10 metros que atingiram as partes mais baixas de Lisboa.

Preciosidades artísticas e literárias desapareceram, soterradas ou queimadas. Ruíram o Paço da Ribeira com a magnífica biblioteca que D. João V enriquecera, o teatro da ópera, o Palácio da Corte Real com todos os principais arquivos da administração do Reino, visto ser este o Paço-Sede de Portugal, O Castelo de S. Jorge, o arquivo histórico da Torre do Tombo, Catedrais, Basílicas, Igrejas, hospitais. Nos arquivos perderam-se testemunhos únicos das descobertas, nomeadamente registos das viagens de Vasco da Gama, de Cristovão Colombo, etc ., etc.

O Terramoto de 1755 foi o fim de um de ciclo de grande reorganização do Estado, que corresponde aos primeiros cinco anos do reinado de D. José I e da crescente intervenção de Sebastião José de Carvalho e Melo, mais tarde Conde de Oeiras e Marquês de Pombal.

O que conhecemos hoje por “Baixa Pombalina” corresponde à reconstrução orientada pelo Marquês de Pombal. Estes novos edifícios foram construídos já com proteção anti-sísmica, uma inovação para a época.
(Dicas: História de Portugal - José Hermano Saraiva)

LÍTIO - O OURO MODERNO

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