O LIXO DOS LIXOS

O “Lixo dos lixos” não é «O lixo».

O lixo anda por todo o lado. Começa nas nossas casas. Todos os dias levamos para os “eco-pontos” lixo todo arrumadinho e separadinho, para que as empresas de reciclagem tenham o trabalho simplificado.

O lixo, também abunda nas ruas dos nossos bairros, das nossas cidades e, também esse, é arrumadinho para a reciclagem.

O lixo, também existe, e muito, e da forma mais ortodoxa, em muitos gabinetes dos modernos edifícios com ar condicionado, máquinas de café, água, chá e refrigerantes nos corredores. Também têm salas exclusivas para fumadores, e sofás de descanso, quiçá, para aquela valente sesta.

O lixo existe nos sítios onde menos esperamos.

Estava muito longe de imaginar, que o lixo, estivesse na origem de grandes novos impérios, com “resíduos” espalhados por muitos gabinetes.

O lixo, por muito esforço que se faça, cheira sempre muito mal.

Estava muito longe de imaginar, que o lixo, fosse a “face descoberta” de tamanho negócio, assente em alegados crimes de corrupção e tráfico de influências.

Espero, que os investigadores, Juízes e magistrados, enfim, a justiça duma forma geral, tenha o lixo bem limpinho e consiga chegar a conclusões rapidamente. Os portugueses não têm todo o tempo do mundo e estão fartos de lixo.

SBF

(Gravura: Wikipédia)

PRATELEIRA DE LIVROS

Eu, Leonor de Teles
De María Pilar Del Hierro

D. Fernando I, subiu ao trono com 22 anos em 1367 em sucessão de seu pai D. Pedro I. Foi o nono rei de Portugal, último da dinastia “Afonsina” ou de Borgonha, tinha o cognome de O Formoso ou O Belo, decerto à conta da sua fisionomia, e morreu 16 anos depois de ser Rei, em 1383, às mãos da sua esposa, conhecida por “Dama Maldita” e de nome D. Leonor de Teles.

E é desta Leonor de Teles, figura sinistra da nossa história, que trata o livro de María Pilar.

Sobrinha do Conde de Barcelos, e antes casada com o Morgado de Pombeiro, a quem fez a vida negra, tendo depois, por influência do Rei que por ela se apaixonara, conseguido desfazer o casamento, abrindo a grande janela de oportunidade para se tornar Rainha. Leonor de Teles e D. Fernando I, casaram-se em segredo em Leça do Bailio a 15 de Maio de 1372. Pouco depois os filhos chegaram e, com a ratificação do Papa, tudo corria de feição à Dama maldita.

Entretanto, e como lhe estava no sangue, tolheu-se de amores e desejo, pelo Castelhano Conde de Andeiro. Embora não esteja “preto no branco” na história, foi-se dizendo e no romance assim se dá a entender, que o veneno foi sendo ministrado devagarinho para não levantar suspeitas, até que a morte bate à porta de D. Fernando.

Leonor torna-se regente do Reino, e em muito pouco tempo, o Mestre Avis manda eliminar o Conde de Andeiro, expulsa-a de Portugal e é aclamado El-Rei D. João I de Portugal, primeiro da dinastia de Avis.

A autora, María Pilar, é licenciada em História Moderna e Contemporânea, pela Universidade Autónoma de Barcelona, tem uma vasta obra onde se inclui o romance Inês de Castro de 2004, que também já li e gostei.

Este livro é uma edição da “Esfera dos Livros” com a 1ª em Outubro de 2006.

SBF

(Gravura: Capa do Livro)

AGORA É A FACE OCULTA

Os anais da nossa investigação criminal, principalmente de colarinho branco, ou pelo menos, “clarinho”, estão cheios de títulos inspirativos para obras policiais de inquestionável qualidade, primeiro pela escrita e, depois, quem sabe, mesmo via “sétima arte”.

São mais alguns nomes sonantes que aparecem alegadamente ligados a intrincados processos de tráfico de influência e corrupção.

Não duvido da capacidade e vontade da nossa polícia de investigação, mas depois… não consigo entender, e penso que muitos portugueses continuam sem perceber, a montanha vai, devagarinho… “parindo” ratos – ratos não! Ratinhos! Porque grande parte das vezes, são tão pequeninos, que nem se dá por eles.

De quando em vez, damo-nos conta, que noutras paragens do nosso planeta, processos com grande complexidade, chegam mesmo ao fim e com resultados, é só ver o tamanho das “ratazanas”, comparadas com os nossos “ratinhos”. Há poucos dias, em França, foram condenados a penas efectivas, nomes graúdos da sociedade francesa, resultado de altos negócios com tráfego de armas, pelos anos noventa, conhecido por “angolagate”.

Vamos ver agora, com este novo mega processo, se os nossos investigadores, juízes, Magistrados e todo o pessoal do costume, conseguem destapar esta “face oculta”. Vamos esperar, mas é melhor sentados.

SBF

DIA MUNDIAL DA TERCEIRA IDADE

“Não vou à bola” com os dias mundiais, universais ou nacionais, seja do que for. Não quer dizer que não perceba a intenção. Em muitos casos é a única forma da comunicação social falar de determinado problema.

Já em relação à Terceira Idade, é um bocado ao contrário – Fala-se, fala-se…, e não se resolve o problema, que, não é nada fácil. A esperança de vida continua a subir, e ainda bem, as famílias vão ficando separadas com os filhos a criarem o seu próprio núcleo familiar. Nas áreas urbanas saindo para os subúrbios e nas zonas rurais saindo para as urbanas.

Para além de todos os problemas inerentes à falta de dinheiro para comida e remédios, da solidão, de maus tratos e tudo com que diariamente somos confrontados, existe uma questão que vem sendo muito discutida. Colocação dos idosos em lares, sim ou não? Desenvolvimento, como alternativa, das redes de apoio ao domicílio, sim ou não?

Parece-me, cada vez mais, que a opção “lar”, deve ser repensada. Ao longo do tempo, foi sendo utilizada e explorada como “armazenamento”. Evidentemente que existem excepções, só que, são tão caras, que 90% da população não pode suportar.

Há 3 ou 4 anos, foi criada uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério do Trabalho, que se designou “Rede Nacional de Cuidados Continuados” incluindo a rede já existente, embora residual, de “Cuidados Paliativos”. Objectivo central deste trabalho, que já vai colhendo os seus frutos, é o apoio domiciliário em vez da colocação em lares. Como complemento do domicílio, porque o idoso precisa de cuidados de saúde que não justifica o internamento hospitalar, estão a ser criadas unidades para permanência do idoso, até que possa regressar a casa.

Importa referir, porque são “peças” indispensáveis nesta máquina, O VOLUNTARIADO. São muitos milhares por esse País fora; Nas IPSS’s, nas Comissões Sociais dos Municípios ou Freguesias, nas Paróquias ou organizações Sociais doutras religiões, nos Centros de Saúde, nos Hospitais, nas Misericórdias, etc, etc. O País, nós todos, estamos eternamente em dívida com O VOLUNTARIADO. A opção, “apoio domiciliário” é, na sua grande maioria, trabalho de voluntários. São autênticos vizinhos que “estão sempre por perto”.

Se vivermos, todos vamos ser um dia, «MAIS UM IDOSO»

SBF

MOÇAMBIQUE

Será pela distância física entre Portugal e Moçambique, que a comunicação social portuguesa tem ignorado o processo eleitoral Moçambicano que culmina na próxima 4ª Feira, com a ida às urnas para eleições Presidenciais, Legislativas e Provinciais?

Bem sei que, quando as coisas correm bem, ou pelo menos, normalmente, o assunto pode não ser apelativo para os “média”, as “parvoeiras” do Saramago, Berlusconi, Sarkozy, ou do Alberto João, têm muito mais interesse…, mas que diabo, o que está em causa é um processo eleitoral num País africano do universo da Lusofonia, irmão e nosso parceiro.

A única notícia de Moçambique que vi nestes últimos dias com algum destaque, foi uma “Grande Reportagem” da Cândida Pinto, transmitida ontem na SIC. Tratava dos “órfãos da SIDA”. Trabalho com muito interesse, e que mostra duma forma clara, como por vezes, tão pouco, pode ser muito, para uma tão grande quantidade de seres humanos que vivem no limite da vida. Como os nossos problemas ficam pequeninos perante tamanhas dificuldades e como as nossas crianças se mantêm bebés por tanto tempo, comparando com as crianças da reportagem, que ficam “adultas” tão rapidamente.

Na presença de tão trágica realidade, em que o essencial se resume a uma refeição (vegetais+coco+ às vezes, arroz) diária e meia carcaça, quando se pergunta o que faz falta, quase sempre se ouve como resposta – “Está tudo bem!”

A SIDA em África, e particularmente em Moçambique, tem feito uma razia enorme naquela faixa - etária entre os 18 e 30 anos, em que as famílias são compostas por muitos filhos ainda pequenos. O resultado são milhões de crianças órfãs, que a juntar a essa condição, vêm as dificuldades comuns a toda a sociedade.

Se por absurdo, eu tivesse que escolher outro País para viver, sem ser Portugal, seria Moçambique. Os meus amigos Moçambicanos sabem que é verdade.

SBF

NOVO GOVERNO DE PORTUGAL


O Primeiro-Ministro indigitado apresentou o novo Governo ao Presidente da Republica.

Dos comentários que já ouvi e li, as expectativas são boas.

Há muita esperança na capacidade de entendimento com as corporações, sem que isso signifique, capitulação!

O investimento público tem de continuar,

O simplex deve seguir o seu caminho,

O plano tecnológico não pode parar,

A reforma na administração pública, mesmo com governo sem maioria absoluta, não pode recuar.

A educação e o ensino vão ser a garantia do sucesso ou insucesso deste governo. A nova Ministra da Educação, conseguirá encontrar consensos suficientes, para mobilizar os professores na recuperação do tempo perdido em lutas “intestinas” que não serviram a ninguém.

SBF

(Foto: Internet – Sapo)

PROFETAS DA DESGRAÇA

Na Madeira, Campos e Cunha, primeiro ministro das finanças de José Sócrates, veio mais uma vez, profetizar desgraça para o País.

Para quem ainda tinha dúvidas, aí está, um bom sucessor de Medina Carreira.

Fala, como o MC, como se Portugal fosse uma ilha. A tendência para a deflação está em toda a Europa, o desemprego a dois dígitos, está em toda a Europa, os deficit’s orçamentais estão em praticamente todos os países da EU, o endividamento é regra por todo o mundo, enfim, a crise é geral e, só agora, começam os sinais de inversão. A generalidade dos indicadores de Portugal, estão dentro da média europeia e, alguns, estão mesmo melhor. E este senhor, continua a tentar fazer querer a quem ainda o ouve, que os números da crise são exclusivos do nosso País.

Como é que alguma vez Sócrates pode convidar para o governo, um fulano destes.

Livrem-nos destas “aves” agoirentas!

SBF

CAMINHOS


por esses caminhos acima,

vamos, vamos subindo, subindo, sem fim!

os ouriços de castanhas cheios, que vêm caindo de muito alto no começo do Outono húmido e frio.

o castanheiro é altivo na borda da nossa Serra, e os ouriços não lhe pedem licença, e, sem aviso, correspondem ao que a força da gravidade lhes pede, só param no chão.

por esses caminhos acima,

imaginamos veredas floridas, que ficaram naqueles idos em tempo de sonhos perfumados, e desejados destinos em molduras de pétalas caídas.

por esses caminhos – caminhados

num desassossego permanente, ultrapassando sempre, sempre em solavancos ameaçadores, para chegar outra vez aos dias a crescer de luz, e aos sorrisos alegres e cheios de esperança e confiança para outra caminhada,

por esses caminhos acima…

SBF

(Gravura: Internet)

JOSÉ SARAMAGO

José Saramago de braço dado com a polémica. Ele próprio é a “polémica”. É o confronto que lhe dá vida. O seu último livro, “A viagem do Elefante”, foi demasiado pacífico para ele. Depois de o publicar, deve ter tido algumas “dores de barriga”, pela maneira calminha como foi acolhido, comprado e lido pelos seus leitores.

É bom que um escritor, ainda por cima com as credenciais de Saramago, seja polémico, e que os seus livros sejam razão de muito trabalho para os críticos literários, e que, duma maneira geral, a sociedade fale deles.

Já comprei o “Caim” e vou lê-lo como obra literária que é. Espero gostar do livro, como costuma acontecer, com todos os que leio do mesmo autor.

O “homem/cidadãoJosé Saramago é que continua a falar demais e nem sempre bem. Ele, que sempre diz não existir Deus, julga-se, ou pelo menos parece, o próprio Deus. Ele pode ser Ateu, como tanta gente o é, mas não precisa desrespeitar quem não é, quem é crente Católico, simplesmente Cristão, Judeu, Muçulmano ou de qualquer outra religião.

José Saramago “homem/cidadão” parece esquecer-se que cerca de 80% da população da “Ibéria” (Portugal+Espanha), como ele tanto gosta de referir, é Católica. A estes, ainda se juntam mais cerca de 10%, simplesmente Cristãos. Ele, quando afronta os crentes da forma como o faz, coloca-se, ilegitimamente, num plano superior aos restantes.

Somos um País livre, onde vivem homens e mulheres livres. A liberdade religiosa, política e de expressão, são os bens mais preciosos da nossa democracia. A polémica não passa disso mesmo. As opiniões de Saramago sobre religião, e dos que dele discordam, como eu, são o tempero da nossa sociedade. Saibamos retirar do contraditório, o melhor do nosso pensamento para que o sentido seja sempre evolutivo.

SBF

PRATELEIRA DE LIVROS


No Teu Deserto
De Miguel Sousa Tavares

Como vem em subtítulo, trata-se de um “Quase Romance”. Fala de afectos e sentimentos de duas pessoas que o (quase) acaso juntou numa aventura pelo norte de África.

O autor conta uma das várias viagens que fez ao Sahara, sendo esta diferente de todas as outras. A companhia que levou no seu jipe, fez com que, vinte anos depois, decidisse, finalmente, partilhar estes quarenta dias com os seus leitores.

Esta história – “Passou-se comigo há vinte anos e muitas vezes pensei nela, sem contar a ninguém, guardando-a para mim, para nós, que a vivemos. Talvez tivesse medo de estragar a lembrança desses longínquos dias, medo de mover, para melhor expor as coisas, essa fina camada de pós onde repousa, apenas adormecida, a memória de dias felizes.”

Porque não se trata de um romance, não tem intriga, nem briga, nem bons, nem maus, só o autor, a acompanhante Cláudia, e pontualmente uma ou outra pessoa que se foram cruzando com eles, e são referidos, porque têm, duma maneira ou doutra, influência no resultado do encontro dos dois.

É uma leitura muito agradável, com muita ternura. O amor limpo e sadio, é incondicional. Não comporta cobrança ou ciúme.

É uma edição de “Oficina do Livro” a 1ª em Julho de 2009.

Miguel Sousa Tavares, conhecido do grande público através da televisão, é, actualmente, cronista semanal no jornal Expresso e em A Bola, onde escreve sobre futebol, e na revista mensal GQ, onde publica um diário, além de comentador político na TVI.

SBF

(Gravura: Capa do Livro)

LEGISLATURA “NOVA”

Missão presidencial agendada e Primeiro Ministro indigitado. De coração limpo e mão estendida, o nosso Primeiro, lá pediu compreensão aos da oposição. Ninguém quer nada de compromissos e, assim, lá vamos indo até à instalação da Assembleia da República.

Que figuras!

Os da velha guarda, arrastando os esqueletos e com saudades dos tempos em que ainda ambicionavam chegar a líderes dos seus partidos, ou, pelo menos, do grupo parlamentar. Os estreantes, cheios de sonhos velhos.

O que mais me mexeu foram as afirmações do deputado JPP. “Os deputados não têm condições para trabalharem”. O quê? O homem deve estar enganado no sítio…

A verdade” do maior partido da oposição, continua em grande… O cabeça de lista por Braga, JDP, fez campanha, a senhora lá andou, foi eleito e, no próprio dia de tomar posse como deputado, renunciou ao mandato. Boa…, muito boa! Os eleitores é que não acharam graça nenhuma. É um contributo importante para a credibilização da nossa classe política…É não é??

O BE já anunciou a discussão das ditas “matérias fracturantes”! Será que as prioridades não estão invertidas?

SBF

OS PORTUGUESES E OS BRASILEIROS SÃO COMO “SIAMESES”

Os portugueses e os brasileiros são como “Siameses”, e não há mal-entendido, nem ignorância que nos separe. Somos como dois membros da mesma família, que, têm dias melhores que outros.

Passados 2 ou 3 dias do choque “Matê”, já dá para ver melhor a coisa.

Esta senhora, que nunca na vida teve sentido de humor, pode desculpar-se as vezes que quiser e como quiser, mas que foi muito infeliz, foi!

«O tiro saiu-lhe pela culatra.»

«Quem semeia ventos, colhe tempestades.»

A senhora, com o “estatuto” que tem, não se pode referir a Sintra como: “vilazinha perto de Lisboa”. Então não leu os clássicos lusófonos do século IXX? Para uma actriz que fala Português, não pode ter deixado de ler Eça. Esta senhora que até é “escritora”, na presença dos túmulos de Camões, de Vasco da Gama e de Fernando Pessoa, no Mosteiro dos Jerónimos não se pode referir aos portugueses em geral da maneira como o fez. Onde é que está o humor?

A”cuspidela”, é, no mínimo, nojenta! A mulher queria fazer rir quem? Que pessoa, português ou brasileiro, consegue rir com uma imagem daquelas?

Há milhentas maneiras de fazer humor com os portugueses, com os brasileiros, com chineses ou quem se quiser, é preciso é saber fazê-lo e, esta senhora esteve muito mal. A atitude é criticável, vinda de uma brasileira em relação aos portugueses, ou de uma portuguesa em relação aos brasileiros. É uma “borrada” pessoal, e só assim deve ser encarada.

É claro que todas as moedas têm duas faces, e aqui também vale. Apareceram logo uns quantos portugueses, acho eu…, que desataram a acusar os brasileiros de todos os males do mundo, e que são isto, são aquilo, enfim, tão mal ou pior, do que foi feito pela senhora do vídeo. Existe na sociedade portuguesa muito xenófobo e, tal como em relação a outros imigrantes, estes não perdem nenhuma oportunidade de vomitar o seu veneno racista e fascista. Também gostava de ter visto mais gente a condenar este outro lado da moeda.

Bom, entretanto a senhora e a Globo já vieram pedir desculpa e era melhor que tudo ficasse por aqui e que não se repetissem episódios semelhantes.

SBF

ABAIXO OS BLOGUES ANÓNIMOS!

O milagre da internet em geral e o fenómeno da blogosfera em particular, transformou completamente a realidade do dia-a-dia de muitos milhões de pessoas por todo o mundo.

Como em tudo o que tem a ver com novas tecnologias, os prós são mais que muitos, mas, inevitavelmente, também existem contras.

Este mundo em rede, tem, como todos sabemos, muitas vulnerabilidades. A começar pelos riscos na utilização de diversos meios de pagamento on-line. Existem também os nossos conhecidos “vírus”, e, principalmente, o anonimato dos utilizadores. A coberto do anonimato, cometem-se muitos crimes de diversa natureza. Todos os dias, por todo o mundo, computadores são apreendidos e os seus proprietários e utilizadores presos.

Na particularidade do blogue, existe também um irritante vírus. Não me refiro aquele que ataca o disco ou a memória do nosso PC, mas sim à figura do “anónimo” com, ou sem nome.

Hoje, mais de dois anos de experiência de utilização e participação neste meio de comunicação, sou firmemente crítico e adversário primário de todos os blogues que não identificam o seu gestor e participantes, e também, de todos os comentadores que não assinam verdadeiro. Esta prática, continuando por muito mais tempo, vai descredibilizando a blogosfera e, feri-la de morte.

Quem estiver por bem e de boa fé, não pode ter medo de dar a cara. Ninguém pode admitir, por exemplo, que um gestor ou participante de blogue, para além de não estar identificado, depois ainda use uma série de outros nomes falsos para criar um falso contraditório nos comentários. Pelo meio, pode tomar diversas posições, e ainda caluniar quem muito bem entender.

Sei que há muita gente do meio que pensa como eu, e, infelizmente, também sei que há muitos blogues assim.

ABAIXO OS BLOGUISTAS ANÓNIMOS!

SBF

MAU PERDER

Finalmente acabaram as campanhas e a contagem dos votos do último Domingo estão feitas, só ainda mexem as recontagens.

A expressão máxima do nosso sistema democrático, concretizou-se. Mesmo com todos os defeitos que podemos encontrar na nossa sociedade, ainda não conseguimos arranjar melhor. O Povo votou e falou! Durante os próximos quatro anos, os que ganharam vão ter que corresponderem ao que deles se espera. Se, se portarem mal, quando voltarem a ser avaliados, levam com o “negas”, e a vitória será doutros.

O engraçado, é que nas próprias noites eleitorais, os discursos de vitória simples, se transformam em vitórias estrondosas, e as derrotas viram “não vitórias”.

Ainda engraçado, é no dia seguinte virem à tona os que têm “mau perder”, tentando arranjar explicações para as derrotas, passando atestados de estupidez a quem votou nos vencedores, e prometendo (não sei a quem) que vão continuar a lutar até ao fim pelas suas promessas e pelos seus programas, nem que seja na rua.

Mas que raio de democracia é esta?

Vai a escrutínio. É escrutinado e perde, em consequência, outros ganham.

Democraticamente, o derrotado deve dar os parabéns ao vencedor e sair de cena, pelo menos daquela. No nosso sistema democrático, existem as Assembleias onde todos têm assento. É aí que devem defender os seus pontos de vista, e, exercer todos os direitos de oposição.

SBF

(Gravura: Internet)

PRATELEIRA DE LIVROS

O Livro dos Hereges
De Aydano Roriz

Durante os reinados filipinos, de 1580 a 1640, um pouco por todo o império português, surgem ataques de outras potências que vão tentando apoderar-se territorialmente de algumas parcelas mais desprotegidas. Acontece nos caminhos dos oceanos Índico e Pacífico, nas costas do malabar, África oriental e ocidental, no Atlântico e em toda a costa brasileira.

“O Livro dos Hereges”, conta a história dum desses ataques, que, neste caso, resulta em ocupação efectiva.

Narrou Aydano Roriz, que corria o ano de 1624, em pleno reinado de Filipe IV de Espanha e III de Portugal, quando sai da Holanda uma grande frota superior a 500 canhões e mais de 3 000 homens, com a intenção de conquistar o Brasil e de se apoderar de todas as suas riquezas. O financiamento foi garantido pela “Companhia das Índias Ocidentais”, organização Holandesa criada para apoiar financeiramente todas as descobertas e conquistas além-mar. Neste caso era, “Ocidental”, mas, para o mesmo efeito a oriente, tinham também uma outra “companhia” similar.

O autor parte do facto histórico, que foi a presença temporária holandesa nas zonas costeiras da Baía e Pernambuco, para recriar um maravilhoso romance, em que o personagem principal é Van Dorth, jovem fidalgo holandês, que está perdidamente apaixonado por uma princesa portuguesa, exilada na Holanda, de nome Louise.

A imaginação faz correr a caneta e pela narrativa passam: Católicos, hereges, soldados, mercadores e a figura marcante do Padre António Vieira, e, naturalmente, os Jesuítas. Hereges aqui, eram os holandeses, só por serem protestantes e não católicos.

O Livro dos Hereges” é para ler duma assentada, e, para quem gosta do género, é do melhor, tal e qual “O Fundador”, “O Desejado”, “Nova Lusitânia” e os seguimentos um e dois de “O Livro dos Hereges”, do mesmo autor.

Aydano Roriz nasceu no Brasil em 1949, trabalhou em diversas revistas em S. Paulo e é proprietário da “Editora Europa”. Esta edição é da “Saída de Emergência” e a 1ª é de Fevereiro de 2006.

SBF

(Gravura: Capa do Livro)

PARA UNS GANHAREM, TÊM OUTROS DE PERDER.

Em vez de um dia de reflexão, (estou a referir-me ao blogue) decidi tirar dois. É verdade, ou bem que se reflecte ou então não vale a pena e fazemos a coisa ao primeiro impulso.

Numa grande parte das vezes, mais valia assim. Talvez a consciência ficasse mais descansada, pelo menos tínhamos sempre essa desculpa.

– Eh pá… não tive tempo de pensar, fui apanhado desprevenido, tinha acabado de ouvir o Pacheco na “quadratura”, durante o jantar “atazanaram-me” os ouvidos, etc, etc, e nunca mais acabam as desculpas.

Não é por nada, é que estamos sempre insatisfeitos, está pegado à pele, faz parte do nosso ADN.

Há muito tempo em anos contado, os nossos digníssimos e dedicados deputados da Nação, depois de longas discussões por noites “adentro” e de muita massa cinzenta massacrada, concluíram que os seus “representados”, que uns conhecem também por “eleitores” e outros ainda, por designação fácil e simples de “Zé Povinho”, que vingou no começo do último quartel do ido século IXX, mantendo-se até hoje que nem a ditadura conseguiu bani-lo das parangonas censuradas a azul, mas… ia dizendo, que os deputados tinham chegado à conclusão que os seus eleitores, haviam de ter necessidade de reflectir muito, mas mesmo muito, na véspera do dia sagrado, conhecido por “dia de voto na URNA”.

Não tenho intenção de conotar urna com qualquer tipo de fim. É verdade que muitos se “finam” com o que entra nas urnas das assembleias eleitorais, é a vida!

– Para uns ganharem, têm outros de perder.

Mas para que raio serve o dito dia de reflexão?

SBF

OS GATO FEDORENTO

As entrevistas do Ricardo Araújo Pereira aos nossos políticos, estão a revelar-se o espaço televisivo mais importante da temporada.

Na verdade, menos de um mês desde o começo, os “Gato Fedorento esmiúça o sufrágio” passaram a ser palco obrigatório para político que se preze. Já por lá passaram a maior parte dos mais importantes, incluindo os líderes dos partidos mais significativos e hoje, 6ª Feira, está anunciado o bastonário da Ordem dos Advogados.

Não tarda muito, e os “Gato Fedorento” vão ter que colocar uma máquina de senhas de vez, à porta do estúdio.

Todos eles são geniais, mas o RAP é génio elevado a dez ou mais. Este formato é a prova disso. Embora exista trabalho de casa, como qualquer outro entrevistador, o andamento das entrevistas é imprevisível, e a rede não está lá.

Definitivamente, está consolidado mais um sucesso deste quarteto imbatível. Desta vez, e porque se trata de um programa diário de actualidade, está com certeza a exigir, muito trabalho e dedicação a toda a equipa.

SBF

AMÁLIA RODRIGUES



Todos os especialistas do fenómeno “Amália”, e que acompanharam a sua carreira, continuam a afirmar, que nunca em Portugal se fez ideia de quanto famosa a Amália era, por esse mundo fora.

Passaram 10 anos sobre a sua morte e continua a ser idolatrada como se viva fosse.

Depois da sua morte, uma nova geração de fadistas apareceu, todos com Amália na alma, e não é exagero dizer-se que, mesmo morta, a diva, dá uma nova vida ao fado.

“Estranha forma de vida” foi a da Amália. Mesmo na ressaca da revolução dos cravos havia de sofrer o reverso da conquista da liberdade. Não foi só Amália. Houve muita gente famosa e sem ser famosa, que sofreu as injustiças do novo poder. As coisas boas são sempre mais caras e, neste caso, a democracia teve o seu preço. Mas o PREC passou depressa e passado pouco tempo, as pazes estavam feitas. O Presidente Mário Soares condecorou Amália com o grau de oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Ironia das ironias. Na verdade Amália Rodrigues também era revolucionária. É verdade! Quando começou a cantar Camões, Bocage, Pedro Homem de Mello, David Mourão Ferreira, Ary dos Santos, Manuel Alegre, O’Neill, e outros, foi caluniada e até perseguida como traidora.

O Sucesso do fado hoje, é, em parte, resultado das opções revolucionárias de Amália.

SBF

(Foto: Amália – Fonte: Net)

PRATELEIRA DE LIVROS



A República Nunca Existiu!
De colectiva de autores


"Trata-se de uma antologia de contos sobre um Portugal onde o regicídio de 1908 falhou" (na capa do livro) e a República nunca foi proclamada.

Assente neste pressuposto, são 14 “histórias” diferentes, escritas, cada uma por seu autor.

São dignos exercícios de imaginação, encaixar personagens verdadeiras do nosso tempo, em República, nas histórias construídas pelos nossos autores. Imaginar um Oliveira Salazar, primeiro – ministro do reino, Sá Carneiro, liberal progressista do parlamento real, ou Álvaro Barreirinhas Cunhal ao serviço do Rei e da Monarquia de Portugal.

Também podia ter acontecido uma repetição da história, com a família real a voltar a exilar-se no Brasil que também não era República mas sim o grande Império da Casa de Bragança. O exílio teria acontecido em virtude da eminente invasão do reino pelas tropas espanholas de Franco.

A propósito deste 5 de Outubro, que fora diferente como o actual Presidente gosta, e que, com a aproximação das comemorações do centenário da proclamação de República, regressa a discussão sobre os meios utilizados há cem anos, incluindo o assassinato de D. Carlos e D. Luís Filipe em 1908, a leitura desta antologia tem redobrado interesse.

O Editor foi Luís Corte Real e de “Edições Saída de Emergência” em Janeiro de 2008.

SBF

(Gravura: Capa do Livro
)

A MORTE

A morte anda de braço dado com a vida.
Uma não existe sem a outra.

Sabemos que é assim, mas, enquanto vivos, parece-nos sempre que somos eternos aqui na Terra.

Muitas ocasiões, muitos serões, e as histórias (meio) verdadeiras, compostas pelo meu irmão, quase sempre começavam pelas “escorregadelas deliciosas” do “Pezinhos”. O duo era imbatível na boa disposição e humor, para quem perto deles estivesse.

O tempo vai continuar a contar muitos anos, e o meu irmão vai continuar a dizer, para quem quiser ouvir, as passagens de vida com o “Pezinhos”.

Se do meu irmão, como irmão foi, meu irmão também era!

Com muita saudade.

Descansa em Paz e lá nos encontraremos!

SBF

DRA ANA GOMES E A INTERVENÇÃO DO PRESIDENTE

À excepção do prof MRS, do JPP, que ainda agora na “quadratura do círculo” tentou, mais uma vez, explicar o inexplicável, e mais um ou outro, o Presidente da Republica tem sido criticado por personalidades da esquerda à direita e pelo universo dos comentadores e analistas, pelos termos em que fez aquela comunicação ao País.

Também a Dra Ana Gomes, candidata à Câmara Municipal de Sintra pelo PS, em declarações aos jornalistas ontem, na inauguração do A16, condenou o conteúdo da dita intervenção de Cavaco Silva.

A Dra Ana Gomes, diplomata de carreira, ganhou merecido prestígio durante a sua permanência em Jacarta de 1999 e 2003, onde, acompanhou todo o processo de preparação e chegada à independência de Timor – Leste e, ao mesmo tempo, restabeleceu as relações diplomáticas com a Indonésia, sendo também Embaixadora de Portugal naquele País.

Em 2004 foi eleita deputada no Parlamento Europeu e reeleita em 2009. Durante este período, destacou-se em várias matérias de interesse europeu, consolidando assim um estatuto de primeira figura no panorama político nacional e europeu.

Quando ontem, em frente às câmaras das televisões, se referiu ao Presidente da Republica, fê-lo num tom demasiado jocoso e muito pouco “diplomático”. Também não precisava dizer que tinha ficado “encavacada”. Não fica bem à Dra Ana Gomes. O humor é bom e sabe bem, mas é no momento e na quantidade certa, neste caso, nem uma coisa nem outra.

O PS não podia arranjar melhor candidata para defrontar o Prof Fernando Seara, por isso, não se deixe trair por “tiradas”, que até nem têm nada a ver com a Câmara, mas que a podem prejudicar nos objectivos.

SBF

A16 AUTO – ESTRADA CASCAIS – CREL

A esta hora já corre trânsito na nova auto-estrada.

Decorreram muitos anos desde que se decidiu a construção desta via.

O IC19, mesmo com as três faixas para cada lado, não comportava o fluxo de trânsito diário entre Lisboa e as várias “urbes” da linha de Sintra. A partir de agora, vai com certeza ficar mais aliviado.

Por outro lado é, finalmente, uma oportunidade de desenvolvimento para as populações por onde agora passa a nova estrutura viária.

A Sintra, falta ainda uma importante ligação por auto-estrada a norte, ou seja, com Mafra. Parece que as coisas estão bem encaminhadas para a construção desta via, desde Lourel até Mafra, ligando ao já existente até à A8 e assim, em direcção ao norte.

SBF

(Foto: A16 – Retirei do Blogue «tudodenovoaocidente»)

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