ESTAMOS TODOS “TROIKADOS”

É difícil mastigar uma refeição, lauta ou ligeira, sem que, na ponta da alface ou no meio do bife, no meio da gema do ovo ou disfarçado no molho, não apareça aquele gostinho a troika.


Desde alguns dias que não meto uma garrafa de água à boca sem que, primeiro, com muita atenção e óculos bem colocados, olhe bem para o conteúdo não vá estar lá bem disfarçado por detrás da publicidade exterior uma ponta de troika. Mesmo assim, e tenho experimentado todas as marcas, por sugestão ou por verdade me parece que lá tem sempre um toque de troikada.


Para evitar surpresas e por estar bem alertado pelas nossas televisões, não saio a porta de casa sem que, com todo o cuidado do mundo e antes de pôr o pé na rua, olhe primeiro para a esquerda e depois para a direita para me certificar de que não se aproxima nenhuma ameaça troikada.


Mesmo quando vou à casa de banho dar largas ao trânsito intestinal, não me sento na sanita sem que, antes, e munido duma varinha que arranjei para o efeito, verifique bem toa a superfície exterior e interior, mesmo nos rebordos e dentro da água até ao sifão. É que, mesmo em local tão despropositado, fazendo fé no que oiço nas nossas televisões e leio nos jornais, pode aparecer alguma ponta de troika mesmo embrulhada em papel higiénico. O que é certo é que, depois da descarga do autoclismo, tenho sempre a impressão de por lá notar um tom mais troikado.


Silvestre Félix

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