A QUEM INCOMODA MARCELO?

Marcelo Rebelo de Sousa é bem conhecido de todos os portugueses como destacado militante e ex-líder do PSD.
Por este facto, a sua intervenção na comunicação social, designadamente na televisão e na qualidade de comentador, não pode inibi-lo de manifestar a sua opinião porque é disso mesmo que se trata.
Acontece igual com tantos outros opinadores e comentadores que a toda a hora nos entram pela casa dentro e, a maior parte deles, não sabemos que “instrumento” tocam. Não é o caso de MRS. Quando o ouvimos ou vemos, sabemos perfeitamente qual é a sua cor e isso, deve ser levado em consideração pelo espectador.
Quero com isto dizer que acho completamente descabidas e inusitadas as declarações que o Ministro Vieira da Silva fez a propósito do que disse Marcelo no Domingo passado na TVI. O que ouvi em direto não me pareceu nada o sentido que Vieira da Silva lhe atribuiu.
Silvestre Félix

PEPINOS-ASSASSINOS

Afinal os “pepinos-assassinos” não são espanhóis como os “amigos” alemães se fartaram de dizer.
Depois de darem cabo das exportações de hortícolas e frutas espanholas, com centenas ou milhares de encomendas canceladas e rejeitadas por todo o mundo, lá veio alguém dum Governo Regional alemão dizer que afinal o problema não estava no produto espanhol.
As autoridades espanholas vão processar a Alemanha pelos prejuízos causados.
Silvestre Félix

REFORMA ADMINISTRATIVA (?) À PRESSA…

Estamos todos “carecas” de saber que há muito devia ter sido atualizada a divisão administrativa do território e que, no fim, subsistiriam muito menos dos 308 municípios e 4259 freguesias que existem neste momento. Ao mesmo tempo a “figura” do Governo Civil também teria desaparecido.
É uma das grandes tarefas a que o regime nunca deu resposta. Até um referendo já se fez a propósito da regionalização, preâmbulo duma verdadeira reforma administrativa mas, da forma como foi feito, mais parecia que única intenção era não lhe dar seguimento e foi o que aconteceu.
Em mais de trinta anos, os partidos políticos portugueses da zona de governação, foram sustentando e sustentando-se da velha divisão administrativa e nunca quiseram resolver o problema.
Como em tantas outras coisas, foi preciso virem os da Troika para, à pressa e tendo como única preocupação o plano de austeridade, fazermos o que deveríamos ter feito bem, com calma, e há muito tempo.
Silvestre Félix

TRABALHADORES, AMANHÃ, SEM COMBOIOS…

Quem é que os funcionários da CP que amanhã fazem greve, vão penalizar?
Os lixados são sempre os mesmos!
A uma semana de eleições, com o acordo da Troika e com tudo de tanga, que resultados esperam obter os grevistas da CP?
Silvestre Félix

NOVAS GERAÇÕES

As ações dos movimentos independentes que se manifestam em permanência, em várias cidades europeias, têm tido uma cobertura mediática contida.
A comunicação social, com destaque para as televisões, bem arrumadinha neste mundo controlado pelos grandes grupos, também olha com desconfiança para estes movimentos. Para os poderes instalados, esta é a verdadeira ameaça do “status quo”.
O M15 de Espanha está a crescer de dia para dia e, perante as dificuldades crescentes na sociedade espanhola é de crer que o crescimento continue.
As correntes partidárias deste tempo deixaram-se corromper e têm cada vez menos espaço para se purificarem e conquistarem as novas gerações.
Em Lisboa, também se estalou no Rossio uma manifestação permanente com os mesmos propósitos do que se vê em Madrid ou Barcelona.
Silvestre Félix

OS DEBATES E O MRPP

Que me interessa e à maioria dos portugueses, que no “Memorando” da Troika, tenham antecipado meia dúzia de prazos sobre medidas que basicamente ficaram na mesma, ou seja, continuam a lixar o Zé?
Todos os dias estes políticos têm de correr atrás da agenda da comunicação social deixando o essencial para as “calendas”. Às vezes até lhes dá jeito.


Agora, como de cereja no topo do bolo se tratasse, um Juiz do Tribunal de Oeiras deu razão ao MRPP sobre uma providência cautelar entreposta por este partido, reclamando o mesmo direito de debates televisivos que é utilizado para os partidos com assento parlamentar. Engraçado mas sem graça nenhuma é o facto de no mesmo dia o partido MEP ter feito a mesma coisa junto do mesmo Tribunal mas, como foi outro Juiz a decidir, não lhe deu razão.
Moral da história: O MRPP vai debater nas três televisões com cada um dos partidos concorrentes a estas eleições nestes últimos dias de campanha.
Singularidades do nosso País!
Silvestre Félix

AS SONDAGENS

Muita gente esperaria que o PSD estivesse nesta altura a uns 10 pontos do PS. Vai-se percebendo porque não acontece.
Pedro Passos Coelho, todos os dias, tem de corrigir ao final da tarde declarações feitas pela manhã.
Pedro Passos Coelho fala de Pacheco Pereira como nem os adversários falam.
Pedro Passos Coelho, não capitaliza nesta campanha o essencial.
Silvestre Félix

EURO A PRAZO

Alguns membros do Governo Grego já admitem a possibilidade do País sair do Euro. Perante a necessidade de impor mais sacrifícios à população e a consequente reação desta, tudo pode acontecer.
Parece já não haver dúvidas, a presença de alguns Países no Euro é reversível. A acontecer isso, a União Europeia não subsistirá!
Silvestre Félix

ALGUMAS DESGRAÇAS EUROPEIAS

1 – O chumbo, hoje, pela oposição Grega, de novo plano de austeridade, provocou declarações de membros do Governo que dão conta de algum desespero e da possibilidade real de, oficialmente, a Grécia entrar em bancarrota.
A situação está a ser já aproveitada pelas agências de rating para iniciarem mais uma onda de cortes de níveis em diversos Estados europeus. A Standard & Poor’s fez revisão do Outlook da Itália para “negativo” e a Fitch ameaçou cortar o rating da Bélgica.
2 – A Espanha ficou, desde Domingo, coberta por um manto conservador, resultado da esmagadora vitória do Partido Popular nas eleições regionais e autárquicas. O Partido Socialista de Zapatero quase desapareceu.
3 – Mais uma nuvem de cinza vulcânica islandesa volta a ameaçar o espaço aéreo europeu. O vulcão “Grimsvotn” é mais forte que o anterior mas, por outro lado, essa característica pode ser vantajosa porque as cinzas são mais pesadas e devem atingir o solo mais rapidamente.
E o Povo?
Como é que fica o Povo pá?

Silvestre Félix

O PRESIDENTE E OS CULPADOS

«É preciso trabalhar melhor e poupar mais»
Esta é a frase preferida do Presidente da República nos últimos tempos. Só que, quando a diz (a frase), está a dirigir-se à generalidade dos portugueses. Foi o que aconteceu na última comunicação ao País transmitida pelas televisões e, pelos vistos, o registo continua a ser o mesmo porque hoje voltou a usar a mesma terminologia.
O senhor professor está equivocado. Pode dizer isto e muito mais mas tem de se dirigir aos verdadeiros culpados da situação complicada que se vive em Portugal.
Cavaco Silva pode e deve falar, principalmente, para os políticos com responsabilidades de (má) governação nos últimos 25 anos. Eu compreendo que seja embaraçoso porque inclui parte dos seus governos mas, alguns dos nossos maiores problemas de hoje, começaram ainda na década de oitenta e evoluíram pela de noventa.
É completamente “ao lado” repetir esta frase ou esta ideia falando para todos os portugueses. É entendido como nos esteja a culpar a todos e que devemos poupar aquilo que já não temos – O dinheiro.
Silvestre Félix

PARTIDOS E SINDICATOS VELHOS, CUIDEM-SE!

As eleições regionais e autárquicas realizadas hoje em Espanha tiveram uma abstenção superior a 50%. A fraca adesão é demonstrativo do desânimo que corre pelos nossos vizinhos tal como acontece em Portugal. Muito provavelmente, a taxa de abstenção das próximas legislativas a 5 de Junho, não vai ser menor que a dos espanhóis.
A outra notícia interessante que nos chega de Madrid é que a mobilização iniciada pelo Movimento 15 de Maio que, tudo leva a crer, vai manter-se por mais uma semana. Embora formalmente ilegais, as concentrações têm-se mantido sem qualquer tipo de repressão. Os manifestantes exigem mudanças institucionais no sistema político em Espanha e protestam pela degradação das condições de vida e pela ausência de medidas que contrariem as elevadas taxas de desemprego.
Esta organização conhecida por M15 é dinamizada por gente muito jovem e, pelo que se diz, encaixa noutros movimentos que vão aparecendo em vários países europeus como, em Portugal, a nossa “geração à rasca”.
Tanto os partidos políticos existentes como as estruturas sindicais clássicas deixaram de dar resposta às necessidades dos jovens que saem qualificados das Universidades e, perante as dificuldades, aguçam o engenho e, eles próprios, organizam-se autonomamente. É uma nova realidade para que os poderes instituídos nos vários países da Europa não estavam preparados e, muito provavelmente, não vão ter tempo de arranjar defesas.
Por isso cuidem-se!
As “gerações à rasca” estão aí e a mexer!
Silvestre Félix

O “DESGOSTO” E O EMBAIXADOR

O Expresso noticia hoje que o Embaixador da Alemanha foi chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros onde lhe foi entregue dossier completo sobre legislação e realidade laboral em Portugal. O conteúdo do documento contraria as declarações que a Chanceler Alemã proferiu num comício há uns dias, referindo-se à idade da reforma e às férias em Portugal.
Diz o Expresso que o Governo se manifestou desgostoso e surpreendido com as afirmações de Angela Merkel. Gostava de ter visto o Primeiro-Ministro reagir com indignação às palavras da senhora de Berlim.
Bom, a confirmar-se a notícia, já é alguma coisa mas, na minha opinião, pouco. É verdade que a chamada do Embaixador tem algum significado mas, para os trabalhadores portugueses não é suficiente.
Silvestre Félix

A SENHORA DE BERLIM

A Chanceler Alemã continua sem resposta à altura, sobre os disparates que disse na passada terça-feira relativamente a férias e reformas dos trabalhadores portugueses.
Dos políticos com assento parlamentar, à exceção dos líderes do BE e PCP, mais nenhum teve “tintins” para repor a verdade. De Sócrates a Paulo Portas, passando por Pedro Passos Coelho, todos evitaram falar do assunto.
A diplomacia é uma prática usada nas relações sérias entre Países. O chamado “fair-play” é pedido para defrontar o adversário com lealdade.
O caso da senhora de Berlim, não encaixa em nenhuma destas práticas ou designações. Angela Merkel desconhece o que se passa em Portugal e, antes de dizer o que disse, devia informar-se, ou então agiu de má fé e, se assim for, é bem pior.
O facto é que aconteceu e, por isso, a senhora devia ter sido desmentida ou corrigida pelo Primeiro-Ministro e, pelo menos, pelo seu correligionário no PPE e líder do maior partido de oposição em Portugal, Pedro Passos Coelho. Essas diligências deviam ser públicas de forma que os trabalhadores portugueses ofendidos sentissem reposição de alguma justiça.
Silvestre Félix

QUE JEITOSOS QUE ELES SÃO!

Pedro Passos Coelho diz que só fará parte do futuro Governo se o PSD ganhar as eleições, exclui portanto, fazer qualquer acordo com o PS.
Paulo portas diz que, na eventualidade do PS ganhar as eleições em minoria e havendo acordo parlamentar de maioria entre o PSD e o CDS, o Presidente da República deve chamar estes para formar governo ignorando o PS.
Ou seja, acreditando nestas boas vontades todas e no respeito pela vontade expressa nas urnas, o PS só será governo se tiver maioria absoluta.
Tudo pela felicidade e contentamento do povo português (????????)
Silvestre Félix

ANGELA MERKEL E O “CHINELO”

À Senhora Merkel, foge-lhe sempre o pé para o “chinelo”!


Refere-se a Portugal, Espanha e Grécia, a propósito de férias e reformas, como se tivesse a falar de extraterrestres. São só três países, parceiros da Alemanha numa organização que se diz chamar “União” (?).
Angela Merkel demonstrou que desconhece a realidade, pelo menos em Portugal.
Com a última reforma da Segurança Social no nosso País em 2007, a idade de aposentação, varia conforme os anos da “esperança de vida” partindo dos 65 anos. Com esta fórmula, muito provavelmente vamos chegar primeiro do que os alemães aos 67 anos. Do ponto de vista estatístico, os trabalhadores portugueses são os que trabalham mais horas anuais logo a seguir aos ingleses. Relativamente às férias, a maioria dos que trabalham no privado em Portugal, gozam menos dias que os alemães.


Se as contas fossem feitas com justiça para quem trabalha, e aproveitando os argumentos da Chanceler, os trabalhadores em Portugal deveriam ganhar, pelo menos, o mesmo que ganham na Alemanha.


Ou seja, a senhora não só é ignorante e descuidada com o trabalho de casa, como roça tiques de xenofobia quando “marca” pela negativa parte significativa da população da Europa que tem contribuído decisivamente para o crescimento da Alemanha como País. Ainda por cima, no meio da crise das dívidas, os bancos alemães são os maiores usurários antes e depois dos resgates.
A senhora precisa que alguém lhe responda à letra!


Silvestre Félix

O “PESO” DO CDS

O CDS de Paulo Portas está, cada vez mais, naquela posição de “fiel da balança”, considerando os três partidos que assinaram o acordo com a Troika.
Algumas vozes do PSD têm reagido aos resultados do CDS nas sondagens, duma maneira muito pouco simpática para quem, quase de certeza, precisará de Paulo Portas na formação de Governo maioritário se, como tudo leva a crer, tiver o maior número de votos.
Em qualquer dos casos, ao líder do CDS, ainda ninguém ouviu dizer duma forma clara, que não alinhará com o PS se for este a ganhar as eleições. Ainda hoje, em Portalegre, sobre a formação do Governo depois das eleições, limitou-se a dizer: «Só digo uma coisa: não vai haver maioria absoluta de um só partido. Por isso o CDS é determinante e tem de ser forte para que haja uma maioria de mudança e para que a mudança seja forte».


Seja como for, e uma vez chegados a esta situação sem haver qualquer tipo de alternativa, melhor será que, depois de 5 de Junho haja condições para cumprirmos os compromissos e iniciarmos uma outra fase menos angustiante para os portugueses. Pena é que, com estes políticos, seja muito difícil acreditar que isso seja possível.


Silvestre Félix

O ÚLTIMO PAPA De Luís Miguel Rocha

A leitura compulsiva, página a página, não esgota a “adrenalina” provocada pela expectativa do parágrafo seguinte.
“O Último Papa”, mistura do real e da ficção, para além de nos envolver na trama conspirativa imaginada, leva-nos ao convívio com factos e personagens históricas ainda muito presentes para a minha geração.
A escrita de Luís Miguel Rocha agrada-me também porque em plena narrativa não abre ásperas para comentários marginais ou acrescentar imagens do futuro. Esta opção aproxima-nos do pensamento do autor.
O acontecimento histórico central da obra, a súbita morte de João Paulo I (Albino Luciani), é soberbamente tratado. Na época, para o mundo, encarado como fatalidade terrena para a Igreja Católica, viria, com o tempo, a traduzir-se num mistério bem guardado.
A envolvente portuguesa não é descabida porque desde os primórdios da nacionalidade existem ligações muito fortes do Vaticano ao nosso País. Não esqueçamos o nosso passado de evangelização pelo mundo ao serviço da Igreja e sempre com o patrocínio dos Papas.
Luís Miguel Rocha nasceu no Porto em 1976. A edição é das “Edições saída de emergência” e a primeira foi em 2006. Tem uma edição de “bolso” em 2009 que é bastante mais barata.
Silvestre Félix

(Imagem: Capa do livro do site da editora)

AMENA CAVAQUEIRA

Depois da conversa desta noite na SIC entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, fica claro que ambos desejam somar (PSD+CDS) o suficiente para formarem Governo maioritário.
Realmente assistimos a uma mera cavaqueira em que nenhum deles explica como na prática governará, se for esse o caso. Todos evitam, Sócrates também, dizer aos portugueses como vão chegar aos números acordados com a Troika. No caso de Pedro Passos Coelho e Paulo portas, por maioria de razão, deviam ser muito mais explícitos nas propostas. Estão nitidamente na encolha.
Com prestações destas, principalmente de Pedro Passos Coelho e com todas as declarações de outros, com desmentidos e correções sucessivas, os eleitores sentem insegurança com uma eventual vitória do PSD e, por isso, espetacularmente, na sondagem da TVI-Público de hoje, colocam o PS à frente do PSD com uma diferença de 3 pontos.
Muita coisa vai acontecer ainda até 5 de Junho mas, pelo caminho que as coisas estão a levar, a luta vai ser renhida até ao fim.


Silvestre Félix

POLÉMICAS DE “LANA-CAPRINA”

O que aconteceu ontem em Lorca, na província espanhola de Múrcia, deve alertar-nos para os perigos que corremos neste retângulo à beira mar plantado.


Todos sabemos que boa parte do território está na rota de possíveis sismos e que, mais tarde ou mais cedo, acontecerá o inevitável.
Este e outros parecidos, deviam ser os motivos de debates, estudos, discussões, investimentos e falta de sono de alguns dos nossos políticos. Em vez disso, preferem alimentar polémicas de “lana-caprina” que só provocam mais preocupações e ralações aos portugueses.


Todos os dias arranjam ou inventam mais uma questão que sustentará os momentos noticiosos da nossa comunicação social, com destaque para as televisões, durante as 24 horas. Quando a “matéria”, como eles gostam de dizer, começa a perder o vigor, tiram outro assunto da “cartola”e lá temos mais um dia de “troca de galhardetes”, com análises e comentários dos que vegetam para isso mesmo.
A história da “Taxa Social Única” (TSU), hoje, ainda dá audiência. Estamos todos fartos de saber que, quem quer que seja o próximo Governo, vai ter que considerar esse milagre – baixar um imposto (TSU), quando a ordem é aumentar. Todos se comprometeram com o mesmo documento, o PS, o PSD e o CDS. Claro que, o que lá estiver no próximo Verão, vai ter que compensar a baixa da (TSU) com qualquer outro aumento. Ambos, o Sócrates e o Pedro Passos Coelho, como já vem sendo costume, estão a jogar, mas muito sujo.


Silvestre Félix

OS POVOS EUROPEUS

«Os povos europeus já se esqueceram do que foram os anos trágicos de 1939-45?»


Pergunta Mário Soares na sua crónica do Diário de Notícias. Eu acho que sim e, essa amnésia, muito tem contribuído para a série de asneiras que os atuais dirigentes europeus têm protagonizado.


Realmente, boa parte deles ainda nem nascidos eram, portanto a guerra não lhes diz nada e, como de história também são fraquinhos, também desconhecem o facto de uma das principais motivações dos pais da União Europeia, ser a manutenção da paz no continente. O estabelecimento de tratados económicos e políticos entre as nações europeias eliminava, só por si, muitos dos pretextos antes utilizados para a eclodirem conflitos armados. Ainda com os escombros da Segunda Guerra Mundial bem à vista, os democratas e progressistas dirigentes, encetaram um caminho que sabiam difícil mas possível se assente em políticas que beneficiassem, acima de tudo, o bem-estar dos cidadãos.
Os Estados desenvolveram-se e evoluíram solidários, para uma Europa em que as preocupações sociais estavam em primeiro lugar. Entretanto as gerações de líderes foi mudando e, ao mesmo tempo, as políticas conservadoras, liberais e neo-liberais, foram tomando o poder em vários países. Esta tendência foi completada com os regimes vigentes nos últimos países a aderirem à UE. Quase todos libertados da esfera da antiga União Soviética com a queda do Muro de Berlim, têm no poder, na sua maioria, partidos e líderes conservadores e neo-liberais.
Os mandantes da União (?) Europeia, hoje, só têm preocupações economicistas. A Europa abandonou a matriz de cidadania europeia e a solidariedade entre países acabou. É tanto assim, que já se põe abertamente em causa uma das maiores conquistas dos povos europeus – a liberdade de circulação. A crescente influência, nalguns países e nas instituições da União (?), de partidos, políticos e governos adeptos dum conservadorismo xenófobo, vai marcando a triste realidade deste velho continente que, até a algum tempo atrás, era exemplo de progresso económico assente num projeto socialmente avançado.
Ao mesmo tempo, cegos pela caminhada ideológica sem freio, estes ultra-liberais vão-se deixando envolver nos tentáculos do grande polvo que tudo vai dominando. A crise financeira, económica e, ultimamente, a das dívidas soberanas, que correspondem à estratégica de ganância do poder financeiro especulativo, vai acabar por devorar a Europa. Pensam, alguns países e “líderes” europeus, que, com os trocos que os seus bancos vão ganhando à custa dos mais fracos, estão a salvo do polvo, mas estão enganados. As agências de rating não tardarão a fazer o seu trabalho, e, se deixarem que se chegue aí, está tudo acabado, a União (?) Europeia chega ao fim.


Silvestre Félix

O PSD E O PROGRAMA

São os analistas que o afirmam, o PSD, com este programa de governo apresentado ontem, ultrapassa o CDS pela direita. Parece não restar dúvidas que Pedro Passos Coelho opta mesmo por uma política claramente liberal.


Neste sentido, e no que respeita à diminuição da intervenção do Estado nas vertentes; social, saúde e educação, é uma rotura com a tradição da democracia portuguesa transversal a todos os partidos. É legítimo para qualquer partido e também para o PSD propor mudanças mais profundas ao seu eleitorado. Para escolher é que existem eleições. Se os portugueses votarem maioritariamente PSD estão a avalisar as suas propostas e compete-lhes governarem a legislatura em conformidade.
A proposta de redução da Taxa Social Única (TSU), desejável em qualquer tempo, pode vir a alterar o equilíbrio da S. Social. Não me parece ser intenção compensar a quebra de receita com taxas cobradas através de outros impostos, por exemplo, no IVA.


Ao mesmo tempo que é feita a apresentação deste programa, o líder do PSD afirma (mais ou menos):
«Precisa duma maioria clara (absoluta) porque não quer governar com “paus-de-cabeleira”».
Vamos ver se não vai ter que pedir “batatinhas” a algum “pau-de-cabeleira». Não só, roça o insulto como dificulta eventual necessidade de diálogo depois de 5 de Junho.
Hoje, às 10h45m da manhã, Catroga diz que concorda com o aumento do IVA da “cereja”. Ao princípio da tarde, diz que, afinal, concorda com aumento do IVA mas é do vinho.
A continuarem com este tipo de “gafes” a “conta-gotas”, descredibilizam as suas intenções.


Cada vez se torna mais difícil que o fecho das urnas no final do próximo dia 5 de Junho resulte numa maioria confortável e credível.


Silvestre Félix

PATRIOTISMO? ENTRE OITO E OITENTA…

Sobre um vídeo a propósito das reservas de alguns Finlandeses na participação, no âmbito das obrigações do Eurogrupo e UE, no empréstimo a Portugal, que desde ontem percorre todas as “bandas” largas, estreitas, compridas e curtas e a uma velocidade estonteante, têm surgido as mais variadas e extremadas intervenções e comentários.


Há um pressuposto globalmente ignorado nas opiniões prós e contras. Portugal participou, com a parte proporcional, nos empréstimos à Grécia e à Irlanda.


O sentimento patriótico não se mede com fita métrica. Nem sempre é fácil afirmar com rigor “matemático” que o fulano é mais patriótico que beltrano. Também neste caso, não é patriótico o que leva o conteúdo do vídeo à letra, nem é anti-patriótico quem o contesta.
O que eu acho, é que faz muito bem ao Ego recordarmos alguns valores e acontecimentos da nossa história e também não faz mal que os partilhemos com outros povos, parceiros (?) nesta Europa a um passo de se desmembrar.


Em certos meios há a tendência para atribuir o sentimento “patriótico” na escala dos “oitenta” e associando-o ao nacionalismo reacionário, xenófobo, fascista e idólatra. Nada mais errado.


Respeitar a nossa história e os seus protagonistas, ter orgulho nas raízes da nossa identidade como povo, reconhecer as qualidades e os defeitos dos nossos antepassados, ter consciência da nossa importância – como povo e nação – na construção do mundo atual, apesar dos aspetos negativos de governação nas últimas décadas, e de, mais uma vez, os mais frágeis sejam quem mais sofre, não abandonarmos o orgulho de sermos quem somos, neste momento, e perante outras nações, se isto é ser patriota, eu sou!


Silvestre Félix

“CATEDRAIS” DE CONSUMO

As “catedrais” de consumo deste tempo entraram no nosso quotidiano em definitivo e, todos, por milhentas razões, lá vamos.


Os portugueses aderiram para o bem e para o mal e não vale a pena arranjarmos razões e desculpas para contrariar esta preferência coletiva.
Para a qualidade da nossa sociedade, estas grandes concentrações de “pontos de venda” de todo o tipo de produtos (essenciais ou não) que hoje consumimos, lado a lado com “pontos de diversão e lazer”, têm defeitos e virtudes como tudo na vida.
Os discordantes da existência destes grandes centros comerciais terão os seus motivos, alguns bastante aceitáveis mas, os tempos mudaram e todos temos de nos adaptar. Por outro lado, os inflexíveis apoiantes, também devem dar espaço à possibilidade de manutenção de algumas unidades de comércio tradicional e local. É tudo uma questão de concorrência, e já está provado que a coexistência é possível e, em muitos casos, desejável. Não são poucos os exemplos de unidades de rua com sucesso, graças à proximidade dum shopping.


Importa também referir como toda esta temática tem realidades diferentes, estando nós a considerar as grandes cidades e, duma forma geral zonas com grande densidade populacional. Nas regiões rurais ou de pouca habitação, as coisas são completamente diferentes e nada do que acima disse, tem sentido.


Em qualquer dos casos, não me sinto nada confortável entrar numa “catedral” destas a abarrotar de gente. É como chegar a uma praia e ter de andar à procura duma nesga de areia para estender a toalha.
Como estou neste mundo e faço parte desta sociedade, frequento o “shopping” e o “fórum” como toda a gente.


Silvestre Félix

ROSA DO ORIENTE De Manuel Arouca

Para oxigenar os neurónios e dar descanso à “onda” deprimente, resolvi, nestes últimos quarteirões de horas, viajar pelo Oriente da primeira metade do século XVI embarcando nas Naus Lusitanas por mares já navegados mas bem atestados de surpresas e ratoeiras impiedosas.


“Rosa do Oriente” de Manuel Arouca é um romance histórico baseado na vida de São Francisco Xavier. A ação deste missionário, iniciado jesuíta com Inácio de Loiola, fundador da Companhia de Jesus, transformou os oceanos do Oriente, em caminhos abertos e seguros para a evangelização.
As embarcações portuguesas cruzavam o Índico e o Pacífico ligando todas as terras existentes, fossem ilhas ou continentes. Desde a costa oriental africana, Ormuz, Malabar, Ceilão, Malaca e daí, mais para nordeste Japão e China ou para sudeste, a vasta Indonésia de hoje, Timor e a grande Austrália. Dezenas ou centenas de Naus ao mesmo tempo nas diversas rotas, muitas dezenas de fortalezas e feitorias instaladas, muito comércio, muitas coisas boas e também coisas más.
São Francisco Xavier, a partir de Goa, evangelizou por toda a costa do Malabar, Malaca e costa continental (hoje Malásia e Tailândia) e conseguiu ir até ao Japão. O projeto da China não foi concretizado em vida porque encontrou a morte muito perto de lá chegar.
O seu corpo incorruptível, exalando um perfume de rosas, regressou a Goa onde se encontra até hoje. Para os cerca de 10 anos, desde que embarcou na Nau Santiago no cais de Belém em Lisboa até à sua morte, são narrados inúmeros milagres protagonizados pelo missionário. A chegada aos altares como Santo foi pacífica e, na história Lusa, são muitos os relatos das suas andanças entre os pobres e os humildes. Fernão Mendes Pinto foi contemporâneo e muito dele contou.


Manuel Arouca é muito conhecido dos portugueses, principalmente por alguns sucessos televisivos mas, pelos anos 80, já vendia muitos livros.
A edição é da “Alêtheia Editores” em Janeiro de 2011


Silvestre Félix


(Imagem: Capa do Livro do site da editora)

NEM TODOS SE MOLHAM

Como muito bem diz o meu amigo Ventura, nem “todos” estão troikados.


Há umas centenas ou milhares de "artistas", para quem, podem chover tempestades de “troikas”, que não se molham.


Silvestre Félix

ESTAMOS TODOS “TROIKADOS”

É difícil mastigar uma refeição, lauta ou ligeira, sem que, na ponta da alface ou no meio do bife, no meio da gema do ovo ou disfarçado no molho, não apareça aquele gostinho a troika.


Desde alguns dias que não meto uma garrafa de água à boca sem que, primeiro, com muita atenção e óculos bem colocados, olhe bem para o conteúdo não vá estar lá bem disfarçado por detrás da publicidade exterior uma ponta de troika. Mesmo assim, e tenho experimentado todas as marcas, por sugestão ou por verdade me parece que lá tem sempre um toque de troikada.


Para evitar surpresas e por estar bem alertado pelas nossas televisões, não saio a porta de casa sem que, com todo o cuidado do mundo e antes de pôr o pé na rua, olhe primeiro para a esquerda e depois para a direita para me certificar de que não se aproxima nenhuma ameaça troikada.


Mesmo quando vou à casa de banho dar largas ao trânsito intestinal, não me sento na sanita sem que, antes, e munido duma varinha que arranjei para o efeito, verifique bem toa a superfície exterior e interior, mesmo nos rebordos e dentro da água até ao sifão. É que, mesmo em local tão despropositado, fazendo fé no que oiço nas nossas televisões e leio nos jornais, pode aparecer alguma ponta de troika mesmo embrulhada em papel higiénico. O que é certo é que, depois da descarga do autoclismo, tenho sempre a impressão de por lá notar um tom mais troikado.


Silvestre Félix

SÓCRATES E PASSOS COELHO

Lembra Mário Soares, na sua habitual crónica do Diário de Notícias, que «a Troika não nos dá nada: empresta-nos e com juros muito elevados».


Tem toda a razão e, por muito estranho que pareça, é importante que o lembre porque há muito boa gente neste País que não se dá conta disso. A culpa mora em muito sítio lá fora mas, o País e os seus dirigentes, por ingenuidade ou por incompetência, puseram-se a jeito e agora todos temos que assumir as responsabilidades.


Para conseguirmos condições de empréstimo menos más, é indispensável que nos apresentemos unidos na defesa dos interesses nacionais. Sócrates e Passos Coelho têm de engolir os “sapos” que tiver de ser para estarem do mesmo lado da mesa a defender a mesma estratégia. Cavaco Silva, nem que tenha que engolir “bois” em vez de “sapos”, tem de patrocinar a mesma estratégia.


Entretanto vimos assistindo nestes últimos dias a várias trocas de “galhardetes” entre PSD e PS que se tornaram completamente ridículas. Sócrates continua a insistir no programa eleitoral do PSD. Claro que não é que ele manda na agenda do PSD e, diga-se, até tem lógica que os sociais-democratas esperem pelo final das negociações com a Troika. É impossível elaborar um programa eleitoral com um mínimo de seriedade, sem que se tenha em conta todas as condicionantes do empréstimo. Por outro lado, a história das cartas enviadas pelo PSD ou pelo Catroga ao PS, dá vontade de rir. Quem sabe, se calhar é mesmo uma nota de humor… E, por falar em Catroga, aquela possibilidade de levarem o Governo a tribunal também é engraçada. Para já, não é original. Há tempos houve alguém que se lembrou da mesma coisa. Bom, se vingasse, não seriam precisas eleições, os tribunais encarregar-se-iam de julgar o desempenho político dos governantes e, como quase todos que por lá têm passado, incluindo o próprio Catroga, têm culpas no “cartório”, corríamos o risco de não termos ministeriáveis disponíveis.


Silvestre Félix

OBAMA E O CONTENTAMENTO DOS AMERICANOS

A notícia do dia é a morte de Bin Laden. Com foto verdadeira ou não, parece indesmentível que a eliminação do líder da Al Qaeda aconteceu mesmo. A ortodoxia islâmica ganhou um novo mártir e, entretanto, em jeito de resposta, o Ocidente que se cuide porque a reação pode materializar-se a qualquer momento.


Como sempre, os especuladores aproveitam todas as notícias para justificarem a procura de ganhos dentro e fora das bolsas. Todo o dia os títulos bolsistas têm subido em todo o mundo. A cotação do petróleo, às primeiras horas da manhã, baixou por causa da morte de Bin Laden, agora, da parte da tarde, voltou a subir. Sabem porquê? Claro, por causa da morte do mesmo. Não é para rir, é mesmo assim. Para eles, todas as razões são válidas para especularem para cima ou para baixo.


As presidenciais norte-americanas são lá para Novembro de 2012 mas, pode muito bem acontecer que, a partir de hoje, já se saiba o resultado. O chefe da Al Qaeda era, de facto, o grande inimigo de cada um dos norte-americanos. Com o sucesso da ação desta madrugada pode muito bem acontecer que a popularidade de Obama suba bastante e não volte mais a cair até ao dia das eleições.


Fica no entanto uma dúvida que não vai ser esclarecida rapidamente. Como é que a generalidade do grande Islão vai encarar a situação. Os radicais que simpatizam com a Al Qaeda são uma minoria mas, em qualquer dos casos, existem barreiras difíceis de transpor para que este acontecimento tenha a mesma interpretação nas sociedades islâmicas e no Ocidente.


Silvestre Félix

DIA DA MÃE

As lojas de flores e de pequenas lembranças abarrotavam. As bichas eram mais que muitas e, deu para perceber que nem toda a gente trouxe de casa boa disposição.


Era assim a meio da manhã no shopping cá da zona.


É o 1º de Maio mas como é o primeiro Domingo de Maio também é o dia da Mãe. É esta a explicação para tanta pressa a esta hora do dia.


Um ramo de flores ou uma lembrança pode resolver o problema da “obrigação” mas, decerto, não dá amor e carinho nem supera as faltas do ano inteiro.


Bem hajam as verdadeiras Mães por esse mundo inteiro.


Silvestre Félix

LÍTIO - O OURO MODERNO

Contestação à exploração de Lítio-Serra da Estrela-24.08.2019  (DN online) Muitas regiões do nosso país têm o subsolo a abarrotar de o...