INFINDÁVEL CRISE…


Em Portugal, cada vez mais, se fala quase exclusivamente de economia e finanças a reboque da infindável crise.

As forças vivas deste País deviam unir-se e promover todo o tipo de petições, requerimentos e manifestações no sentido de passar a falar-se de cultura nas suas mais variadas vertentes.

As nossas televisões, rádios e jornais, só deviam ter direito a publicidade paga na proporção da divulgação cultural transmitida.

Abaixo o monopólio da economia e finanças nos nossos órgãos de comunicação social!

Silvestre Félix

ERASMUS EM PORTUGAL


PORTUGAL É…

«Portugal é ruas de pedras, é pontes de ferro, é tectos altos, é prédios senhoris, é manuelino, é igrejas velhas, é Sé, é Álvaro Siza Vieira, é pastéis de Belém, é bacalhau à Brás, é castanha assada, é vinho verde, é Licor Beirão, é arroz com frutos do mar, é queijo de Évora. É José Saramago, Luís de Camões é Fernando Pessoa. Portugal é Lisboa, Porto, Braga e Coimbra, sendo também Fátima, Sintra, ou Aveiro, sem deixar de ser Lagos, Beja, ou Santa Comba Dão. E, óbvio, é Guimarães. É os cidadãos do Brasil, de Angola, ou Timor-Leste que há nas ruas, é Açores e Madeira, e o oceano imenso que dá a volta ao mundo, á a língua portuguesa, é a História, é Alexandre Herculano, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães. Portugal é o fado, é o 25 de Abril, é República, mas é Dom Sebastião, é o galo de Barcelos, é o Tejo e Douro, é a Universidade de Coimbra, é o eléctrico de Lisboa, é Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e Deolinda. Portugal não é perfeito, mas é incrível.»

É a opinião sobre o nosso País de Pablo Gonzalez, espanhol, 23 anos e estudante ERASMUS. Escreveu este texto hoje, na edição do 147º aniversário do Diário de Notícias. Como ele, mais sete estudantes estrangeiros escreveram no DN opiniões altamente elogiosas de Portugal.

Estarão porventura a fazer mais por nós que a grande maioria dos “papagaios” nacionais que todos os dias nos entram pela casa dentro.

Silvestre Félix

O CHORO DAS ANDORINHAS…

Impressiona como se consegue manipular uma sociedade de maneira a que esta interiorize o culto da personalidade duma forma tão extrema como o é, na Coreia do Norte.

O facto de se tratar duma ditadura que controla a população nos seus mais ínfimos pormenores, ativando os sofisticados meios de repressão sempre que qualquer “perigo” de liberdade se manifeste, não justifica, só por si, as manifestações de “demência coletiva” a que assistimos pela televisão. Como se não bastasse a mobilização encenada do povo carpindo a morte do Kim …, ainda noticiam a tristeza da montanha sobranceira a Pyongyang e o choro das andorinhas pelo desaparecimento terreno do “querido líder”.
Os norte-coreanos não têm acesso autónomo a qualquer notícia do exterior.  
Silvestre Félix

EMIGRAÇÃO EM FORÇA…


A recessão que vivemos no País, resultado da crise global e da inconsequência das políticas adotadas por quem nos tem governado nas últimas décadas, faz com que, durante 2011, cerca de 100 mil portugueses tenham sido obrigados a emigrar porque, por cá, o que lhes restava era o desemprego.
Pelos discursos economicistas que a toda a hora ouvimos, incluindo a mensagem de Natal do Primeiro-ministro confrangedoramente vazia de conteúdo, não se auguram melhoras para os próximos tempos. Aliás, fazem questão de nos transmitir isso e só isso. São medidas de austeridade umas a seguir às outras sem intervalo nem “compaixão”. Antes do final do ano deve ser conhecida mais uma “bateria” de decisões recessivas para que acabemos o ano bem deprimidos. É pois certo que, durante 2012, o recurso à emigração se vá acentuar e fiquemos, mais uma vez, desfalcados de uma boa parte dos portugueses mais bem qualificados.  
Daqui a um ano já saberemos se os sacrifícios serviram para alguma coisa. O pior é que, mesmo resultando nalguma coisa, pelo caminho vão ficar os destroços do terramoto que nos caiu em cima.
Entretanto, os Ministros, Secretários do Estado e os outros altos dignitários do Estado, continuam a transportar-se em viaturas topo de (alta) gama. Em 6 meses, havendo vontade e “vergonha na cara”, já seria tempo suficiente para renegociarem (todos ou alguns) os contratos de aluguer, no sentido de se conduzirem em carros condizentes com a austeridade que, eles próprios impõem aos outros portugueses.  
Silvestre Félix

EDP PARA OS CHINESES!


Os 21% da EDP deviam continuar a ser portugueses. Estamos a vender os últimos anéis porque a Troika diz que tem de ser.

Na inevitabilidade da alienação, e havendo pretendentes brasileiros, preferia-os, a quaisquer outros. As minhas razões são afetivas, históricas, culturais e de uma desejada estratégia de parceria com o mundo da Lusofonia.

A escolha da empresa chinesa arruma com as pretensões dos alemães que se preparavam para continuar a dominar no seu quintal. É bom que não estejamos completamente na mão dos nossos “parceiros” (??) europeus.

Silvestre Félix

AS MÁS NOTÍCIAS…


A sequência de más notícias é assustadora.
Pelos menos em três períodos do dia diferentes de todos os dias, ficamos a saber de mais um “corte” ou de mais um aumento de uma qualquer despesa essencial.
Hoje foi a vez do corte nos dias de férias e do brutal aumento de preços dos exames médicos que são complementares do diagnóstico.
Foi também o dia em que ouvimos o representante do FMI dizer que o aumento de meia-hora no tempo de trabalho dos portugueses decretada pelo Governo, «não chega!»
Também foi hoje percebido que afinal a redução de funcionários públicos até 2014 é de 30 mil e não de 10 mil.
Porque é que não dizem tudo duma vez?
Silvestre Félix

OS CORTES NO SNS


O documento que dá conta da revisão do memorando de entendimento com a Troika vai ser hoje tornado público. Consta que é uma autêntica bomba…Como é costume nestas coisas, algumas pontas vão saindo fora e, pela tarde dentro, já são parangonas na net.

Continuam a ter a lata de dizer que não querem acabar com o Serviço Nacional de Saúde. Pois bem, a Troika manda que, em 2012 os cortes subam para o dobro deste ano ou seja, por cima dos quinhentos e tal milhões de 2011, o corte do próximo ano será de mais mil e tal milhões de euros.

Alguém acreditará que os serviços de saúde prestados aos portugueses não vão baixar significativamente de qualidade?

Silvestre Félix

PERTURBAR OS PORTUGUESES!


A maneira “politicamente incorreta” como, de vez em quando, o Primeiro-Ministro faz determinado tipo de declarações, para além de magoar e perturbar os portugueses, cria dificuldades ao próprio Governo e ao País.

Todos sabemos existirem, nalguns países lusófonos, oportunidades de trabalho para muitas áreas profissionais incluindo professores. É uma realidade que muitos milhares de compatriotas já concretizaram e outros estão em vias disso.

O que não pode acontecer é o Primeiro-Ministro, em vez de criar emprego “cá dentro”, indicar a emigração como solução para os desempregados, sejam eles professores, serralheiros, pedreiros ou bancários.

Silvestre Félix

OS «JOTAS» E O CARREIRISMO!


Estes tipos que vêm das “jotas” pensam que podem tudo.

A “reboque” do sucesso carreirista de alguns, como o Primeiro-Ministro ou o líder do maior partido da oposição, os fulanos que vêm das “jotas” acham que estão no mesmo caminho do poder e desatam a apregoar bacoradas sempre que lhes aparece um microfone à frente ou lhe dão um degrau para subirem a um qualquer “púlpito”.

Este Vice-Presidente da bancada do PS na Assembleia da República que proferiu umas frases altamente incorretas sobre a dívida e credores, devia ser penalizado em termos partidários. Arranjou um enorme problema ao partido e aos seus dirigentes e, da forma como as declarações foram propaladas, na certa foram ouvidas fora do País por quem tudo aproveita para municiar a artilharia dos “mercados” sem rosto.

Mesmo assim há quem ache mérito nas declarações do “ex-jota” de Aveiro. Manuel Alegre, defendendo-o, disse que, «irresponsabilidade, á a submissão e o servilismo». Concordo com o Manuel Alegre, falando do diretório europeu e mercados, mas isso não justifica que o “ex-jota” se refira aos credores como o fez nem que defenda a apologia da ameaça chantagista do – Não pagamos!

Com a fraca prestação de hoje no debate quinzenal da Assembleia da República, o PS teve uma semana para esquecer.

Silvestre Félix

FERIADOS NACIONAIS!

A Agência Lusa divulgou hoje um documento subscrito por quarenta historiadores que condenam a (alegada) extinção de 4 feriados nacionais pelo facto de não existir relação entre menos dias de trabalho e produtividade.

A mim também me parece uma ideia estapafúrdia, sem sentido nenhum e que, em última análise, vai contribuir para aumentar o mau estar entre a gente que trabalha.  

Os feriados nacionais certificam o passado inscrito na nossa história que deve ser respeitado e valorizado, principalmente por quem tem responsabilidades governativas.
Que ataquem e reprimam os habituais utilizadores das chamadas “pontes”. Essas sim, devem ser banidas em definitivo do nosso calendário laboral.

Os acontecimentos a que se referem os feriados, devem ser comemorados na data certa e não, um ou dois dias para trás ou para a frente.

Que se dê força ao movimento que contesta a intenção de acabar com alguns feriados nacionais. Não é assim que retomamos o crescimento no sentido de cumprir os compromissos com a dívida.

Silvestre Félix

NELSON MANDELA E A RTP


A RTP1 passou esta noite um documentário sobre Nelson Mandela

Neste tempo conturbado em que prevalece o egoísmo e em que vence a lógica especuladora de “entidades” sem rosto, é retemperador convivermos, mesmo que seja pelas imagens e som saídos da TV, com esta “Personalidade Maior” da humanidade.

Silvestre Félix

AS BATERIAS E O DESÍGNIO…


O que foi bem feito e é bom, mesmo que tenha o nosso adversário a fazê-lo, não deve ser ignorado nem eliminado.

As energias renováveis e o sucesso de um grande (chamado) “cluster – elétrico”, foram bandeiras do anterior Governo com provados ganhos para a economia do País. Dava tanta “bandeira” que às vezes até chateava. O Primeiro-Ministro de então, chegou a auto-transportar-se em veículo elétrico para alguns eventos urbanos e, nesta matéria, fizeram um bom trabalho reconhecido dentro e fora de Portugal.

O que é facto, e é isso que interessa, desde Junho deixamos de ouvir falar no mérito das energias renováveis e no dito “cluster – elétrico”. Era desígnio do Governo PS e, como tal (digo eu), não interessava dar-lhe grande importância.

Este, como outros que não vêm agora ao caso, foi e é um erro de palmatória e, a primeira prova está aí;

A suspensão da fábrica de baterias da NISSAN com todos os prejuízos inerentes.

Onde está o Álvaro que veio do outro lado do mundo?

Silvestre Félix

AINDA, O JÁ SAUDOSO SNS!


PP Coelho diz; «que ainda há margem para subir mais as taxas moderadoras».

Há alturas da vida em que todos podemos ser acometidos de transtornos na “mioleira” levando-nos a praticar os mais disparatados atos ou a dizermos impropérios que não lembra nem ao “diabo”.

Será que ao Primeiro-Ministro terá acontecido alguma destas coisas?

De “moderadoras” as taxas já não têm nada, ou melhor; têm…têm!

Os novos preços vão “moderar” mas é pela razão inversa pela qual foram criadas há uns anos. Muitos milhares de portugueses, utentes do Serviço Nacional de Saúde (que a Constituição continua a garantir que deverá ser tendencialmente gratuito), vão deixar de poder ir às consultas, de fazer exames ou até de recorrer a uma urgência, não pelo exagero na utilização da gratuitidade do SNS mas, antes, por não terem possibilidades de pagar os novos preços das ditas taxas.     

Quem nos quiser fazer crer do contrário, está completamente descontextualizado e precisa de reformatar o “disco”!

Silvestre Félix

SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE (JÁ ERA!)


No que respeita ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), provocando a degradação da qualidade dos cuidados de saúde dos portugueses, o Estado economicista vai “faturar” de duas maneiras:

- Aumento para o dobro das chamadas Taxas Moderadoras.
- Como muitos milhares de portugueses deixarão de poder pagar as Taxas, a redução no atendimento vai resultar na diminuição dos custos de funcionamento.
O grande anúncio de que são muitos mais os isentos porque passam a sê-lo por insuficiência económica, é um treta. O limite para não pagar de seiscentos e tal euros por agregado familiar, deixa de fora, ou seja, obriga a que paguem, uma enorme faixa de portugueses pobres.

Silvestre Félix

A AUSTERIDADE, AUDI’S E BMW’S!


Muito se tem falado nos últimos dias do carro de 86 mil euros que transporta o ministro da Solidariedade e Segurança Social. A demagogia, por regra, tem sempre dois sentidos e, neste caso, não foge porque a questão não está neste ou naquele ministro, neste ou naquele governo.

Não está certo que, demagogicamente, se mostre um comportamento austero mesmo quando a situação não o justifica ou se ostente a riqueza quando, à volta, se “respira” pobreza.

Os “extremos tocam-se” e “no meio é que está a virtude”.

Também se sabe que a frota automóvel usada pelo Estado é, nestes tempos, na sua quase totalidade, alugada a empresas especializadas com contratos a correr e firmados por anteriores governos. Não está em causa a opção por este tipo de solução, a questão é a forma como se aplica. Na situação em que o País está, não é possível que os BMW’s e AUDI’s de topo de gama continuem a transportar por todo o lado os nossos governantes, e afins. A gama deve ser alterada para baixo.

O que importa destacar é a forma como se aplicam diferentes “pesos e medidas” para fins idênticos. A redução da despesa também deve incidir neste tipo de equipamento. Mesmo alugados, carros de 20 ou 30 mil euros fazem o mesmo efeito que outros mais caros e, com certeza, a fatura do aluguer baixa consideravelmente.  

Se eu andasse por aí a pregar austeridade, teria grandes problemas de consciência em usar, mesmo sendo alugado, uma viatura de 70 ou 80 mil euros. Não sendo obrigado a utilizá-lo, decerto exigiria que me arranjassem outro carro mais em conta.

Silvestre Félix

E A REDUÇÃO DE FREGUESIAS…


É claro que a Troika não faz ideia do que é uma Freguesia, o que custa ao OE e que funções desempenha. A eliminação de Freguesias pretendida pelo Governo serve assim, para, utilizando o “elo mais fraco”, mostrar trabalho no que respeita ao compromisso do “memorando” sobre a reforma do Poder Local.

Há muito que o País precisa duma verdadeira reforma administrativa de braço dado com a tão falada, e em nome da qual já se fez um referendo nacional – Regionalização.

O território nacional é composto por um emaranhado de divisões, sendo a maior parte com órgãos de titulares nomeados, à exceção dos concelhos e freguesias que são eleitos, disputando os mais variados poderes que muitas vezes se sobrepõem: Regiões dos Açores e da Madeira, Províncias, distritos, comissões de coordenação regional (CCR’s), grande área metropolitana (GAM), comunidade urbana (ComUrb), comunidade intermunicipal (Cominter), concelhos e freguesias, para já não falar nas (NUTS), abreviatura duma designação em Francês para fins estatísticos da UE e que também corresponde a determinada divisão do território.

Neste contexto, a eliminação de freguesias não adianta nem atrasa (antes pelo contrário). Pode justificar-se em situações pontuais como é o caso de Lisboa mas, a opção de “régua e esquadro”, é um disparate. Os pressupostos enunciados no “livro verde” não conseguem padronizar eventuais necessidades de ajustes. Por isso, quando se pretende aplicar no terreno, partindo dos lindos quadros do “livro verde”,não dá a bota com a perdigota”.

Com certeza que a intenção do Ministro Relvas não é provocar “riso” a quem o ouve, quando refere a eliminação de freguesias como; “reforma da Administração Local”.

A maneira como foi recebido no congresso da ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias) mostra bem da enrascada em que o Governo se meteu. Portugal precisa duma verdadeira reforma da “Administração Local”. É preciso muita coragem para enfrentar os “barões” instalados mas, se as coisas forem bem feitas, o Governo terá o apoio das populações.

Silvestre Félix

OS FERIADOS


Não é por causa da argumentação dos assumidos monárquicos e, ou, republicanos, que acho a intenção de acabar com alguns feriados, “desculpa de mau pagador!”

Não é verdade que, no panorama europeu, sejamos os “campeões” dos feriados. Estamos na média e, em qualquer dos casos, não é por feriado a menos ou feriado a mais que passamos a ser competitivos.

É suposto o feriado comemorar um acontecimento naquele preciso dia. Não é aceitável, a pretexto da salvação da nossa economia, que se pretenda, aberrantemente, festejar um dado momento histórico em dia diverso daquele em que aconteceu, mesmo que os alemães ou outros que tais o façam.

O que é escandaloso e devia acabar são as célebres pontes. O fenómeno acontece fundamentalmente na função pública. Os trabalhadores do Estado ou equiparados têm “mil e uma maneira” de materializar as ditas pontes. São as “tolerâncias de ponto”, são os dias de férias a bochechos, são o “artigo não sei quantos”, etc., etc.

Sob pena de fortes penalizações, não devia ser permitido usar os tais truques para faltar ao trabalho nos dias entre o feriado e o fim-de-semana. Tem, por exemplo, um feriado à Quinta-Feira. Muito bem, goza o feriado e, no dia seguinte, vai trabalhar. Ponto Final!

Para quê, desgastarmo-nos com problemas que NÃO são?

O Álvaro da economia tem acertado pouco…    

Silvestre Félix

ANO DO PREC – DIA 25 DE NOVEMBRO

…Era uma das poucas coisas boas que ali encontrava, o “Chefe” Cabo Albertino, e os seus petiscos. Aliás, o Albertino viria a ser um dos milicianos companheiro de viagem de João, na caixa duma “Berliere”, na madrugada de 26 para 27 de Novembro, que foram distribuídos pelas residências dos que moravam perto, e pela Estação de Santa Apolónia, para os que iam de comboio para casa com o “passaporte” na mão. …
…Para o João não havia dúvida. Embora, do ponto de vista político, estivesse na área da chamada esquerda revolucionária, ou melhor, do PS para a esquerda, e, neste caso, contrário ao “Grupo dos Nove”, para ele o mais importante era a hipótese de se ver livre da tropa, portanto, a sua escolha, como para a quase totalidade dos milicianos, era a disponibilidade, passagem à “peluda” como se dizia então. …
…Há uns dias que a Comissão de Unidade tinha elaborado uma escala de saídas do quartel, para se saber exatamente o que se estava a passar no País real. Começava a haver pouca confiança na informação que chegava via televisão e rádio, e, dentro do quartel, era a única que havia. …
…Tinha chegado o dia de João sair para o exterior. No dia seguinte, 25 de Novembro, 3ª Feira, ano do PREC, ainda não eram 9h quando transpôs a “Porta-de-Armas” sob o olhar protetor do Primeiro-Sargento Alves. Uma dúzia de passos andados já na rua, olhou para trás, contemplou aquele grande portão verde e, decidido, encaminhou-se para a estação …
…Pouco depois de João ter saído do quartel como estava previsto, ouve-se o toque para a formatura geral. …
…de frente para a formatura na parada… 
…Botou discurso o novo Comandante mais uma vez, dizendo que lamentava a decisão da Assembleia, que ainda havia tempo para pensarem melhor mas, se for realmente essa a vontade, tudo fará para que a transição corra sem problemas. Quanto ao regresso do antigo Comandante, não é negociável e está fora de questão qualquer cedência nesse sentido. …

João Marques passou todo o dia em Lisboa, a maior parte com colegas de trabalho e, ao fim do dia, rumou a casa onde aproveitaria para matar saudades da família e dos amigos e preparar roupa, porque a prevenção continuava e não sabia quando poderia voltar a casa. Tinha consigo três ou quatro jornais e toda a informação atualizada que conseguiu obter. …
…A televisão, a um dos cantos da sala, transmitia notícias e, naquela altura, falava o Capitão do MFA, Duran Clemente e era nisso que João estava interessado.  
De repente, o Capitão, interrompe o que estava a dizer, começa a olhar para cima e para os lados, a imagem desaparece e é substituída pela escuridão completa do ecrã. Momentos depois, volta a surgir som e imagem mas, o que o João via, não era o Capitão Clemente mas sim, o exterior dos estúdios da RTP do Porto no Monte da Virgem. Uma voz off anuncia de seguida uma comunicação de Sua Exa o Presidente da República: O General Costa Gomes anunciava o decreto da declaração de “Estado de Sítio” com recolher obrigatório durante a noite. …
…os pensamentos de João sucediam-se… e o que mais o atormentava era a ideia de que teria havido um golpe militar de direita e tudo ia voltar para trás: A guerra, a PIDE, a censura e a tortura iam voltar… tudo se tinha perdido. E foi neste turbilhão, sem fazer ideia do que estava a acontecer na sua Unidade e dos riscos que corria, que, voando, chegou ao café onde costumavam parar os amigos. O Zé Silva, que tinha acabado de ver na televisão o mesmo e como se estivesse à espera dele, quase sem perguntas, meteu-o no seu carro e acelerou até ao quartel. …
…durante o trajeto, os dois amigos foram conversando mas a ansiedade de João sobreponha-se a tudo… o que me irá acontecer quando lá chegar? Vão prender-me com certeza! Pensava em voz alta o João.  
«Não o prenderam mas a história do 25 de Novembro ainda estava no início»
(Continua)
Silvestre Félix
25 de Novembro de 2011
(Parte do escrito “25 de Novembro do Ano do PREC” de Silvestre Félix e já publicado neste blogue em Novembro de 2010 – Ver tags em 25 de Novembro.)
(Baseado na realidade, com nomes e situações ficcionadas)

GREVE E OS NÚMEROS…


A guerra do costume no que toca aos números de adesão da greve.

Nenhuma das partes joga limpo.

Nem oito nem oitenta!” e algures no meio estará a verdade (dos números).

Todos falam muito e pouco acertam porque só pretendem justificar atitudes polémicas que nestes dias são multiplicadas a potências (matematicamente falando) muito altas.

Há contudo outros, porventura os mais afetados e prejudicados com a crise, a quem nunca lhe colocam microfones à frente. Esses serão os que transportam anonimamente a realidade desconhecida porque nunca lhes é perguntado.

Tem de ser ensinado ao ministro que veio do outro lado do mundo aprender Portugal, que o “Conselho de Concertação Social” é para se; concertar, negociar, etc. As intenções ou os desejos do Governo em matérias de “Concertação”, não podem estar decididas e irrevogáveis antes de cada reunião.

O ministro que veio do outro lado do mundo continua sem mostrar trabalho e sem economia não há crescimento.

Silvestre Félix

O “CALCANHAR” DA ALEMANHA…


A Alemanha foi hoje aos mercados tentar financiar-se em 6 mil milhões de euros e só conseguiu 3,9 mil milhões. Ou seja, duma forma clara, a Alemanha de Merkel entrou na rede da crise da dívida que tanto tem criticado nos outros parceiros.

Por um lado, é bom que a senhora Merkel, que ainda ontem batia nos Países do Sul, aprenda na própria pele a lidar com os insaciáveis “mercados” (capital, polvo…), por outro lado é péssimo porque, definitivamente, a crise chegou ao “coração” do euro e, os maus fracos são os que mais sofrem.

Parece-me que a primeira reação da Chanceler será inverter a irredutibilidade na aplicação de medidas de verdadeira cura da crise do euro. Se ainda assim não quiser emendar a mão, poderemos estar muito perto do afundamento do euro como moeda e da Europa como união.

Silvestre Félix

ESPANHA E AS VIRAGENS…


Nestas eleições espanholas, o partido ganhador seria sempre o da oposição como aliás vem acontecendo pela Europa fora.
Nestes tempos não interessa nada se vira à direita ou à esquerda.
Com descrença em tudo e todos, uma completa ausência de crédito ideológico e partindo duma situação de profunda crise económica que atinge no bolso a grande “massa” de eleitores, o resultado final é sempre favorável a quem ainda pode trazer alguma esperança, ou seja, quem não esteja comprometido com o negativo do tempo. E, se ainda assim, mesmo com a legitimidade do voto popular, a nova política não agradar aos “mercados” (capital, polvo de cabeça grande e múltiplos tentáculos, ou qualquer outro ser fantasmagórico), estes se encarregarão de colocar no poder quem lhes faça a vontade, como já aconteceu na Grécia e na Itália.
Esta é a lógica de caracol dos “mercados” (capital, polvo…)“devagar se vai ao longe!”.
Quem pensa que hoje está a salvo, que vá “pondo as barbas de molho”, porque os tentáculos lá chegarão.
Silvestre Félix

FUNCIONÁRIOS DE 5ª OU 7ª LINHA


Estou tentado a concordar com o Presidente do BPI. Os senhores da Troika devem deixar de fazer as habituais conferências de imprensa no final de cada “inspeção” e, durante, absterem-se de dar entrevistas e fazer comentários. Façam e digam o que quiserem em Bruxelas mas aqui, limitem-se a fazer o seu trabalho e a mais não são obrigados.

Não vou ao ponto de dizer que são “funcionários de 5ª ou 7ª linha” como disse Ulrich, mas até parece. Sugerir ou recomendar que os privados baixem os salários para aumentar a competitividade, é demais e demonstra desconhecimento da situação real do País, o que é muito mau, considerando o seu grau de envolvimento. Pelo menos desde 2008 que os privados estão a cortar em tudo incluindo nos vencimentos base. Os trabalhadores, para garantirem os seus postos de trabalho, têm acedido à maioria das propostas patronais que visem a manutenção laboral.

Estes senhores, quando dizem estas baboseiras, não se devem dar conta que o salário médio bruto mensal em Portugal é de cerca € 850,00, menos de metade do da Alemanha e menos de um quarto do da Dinamarca, e o ordenado mínimo de € 485,00.
Silvestre Félix

SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO


O que esperava Relvas quando convidou para integrarem e liderarem aquele grupo de “trabalho” (ou de liquidação da RTP) para definição do “Serviço Público de Televisão”, personalidades publicamente “anti” tudo o que seja RTP, Estado e serviço público?

Alguns deles, considerando a forma como intervêm nos fóruns da nossa praça, chegam a fazer recordar a velha figura do “reacionário” ou, pior ainda, alguns titulares do tempo da “outra senhora”.

O resultado não podia ser diferente, ou melhor, até podia, bastava que escrevessem num único parágrafo qualquer coisa parecido com: “A RTP e RDP devem ser mortas e enterradas rapidamente.” Se não é isso que querem, disfarçam muito mal.

É claro que, mesmo tratando-se do Ministro Miguel Relvas, muitas vezes se deve ter arrependido que ter criado este famoso “grupo” e o destino das suas conclusões já deve estar traçado – Lixo!

Naturalmente que a RTP, como tantas outras empresas do setor empresarial do Estado, precisava de se ajustar a estes tempos de “vacas magras” mas calma com isso.

Ajustar é bem diferente de liquidar.

Silvestre Félix

LONGE É UM BOM LUGAR (O RESTO SÃO HISTÓRIAS) De Mário Zambujal

Mário Zambujal dispensa apresentações e, não fosse pela valia, até dispensava elogios.

É o atual presidente do Clube de Jornalistas e, decerto, ninguém melhor do que ele, o é. Passou pela maioria dos jornais nacionais generalistas e temáticos, de referência ou não e estreou-se na literatura em 1980 com a “Crónica dos Bons Malandros” que chegou a ser adaptado ao cinema e, já em 2011, dá origem a espetáculo musical e volta a ser publicado em livro.
Vem o Mário Zambujal a propósito do seu livro “Longe é um bom Lugar (o resto são histórias)”. São um conjunto de histórias delirantes com o tempero que eu adoro, característico do autor. A leitura é leve e aconselhável para períodos de menos concentração.  
O livro lê-se de uma assentada e alivia o espírito. O humor sábio de Mário Zambujal empresta-nos o lado mais fácil da vida e ajuda-nos neste tempo de crises e de tempestades.
É uma edição do “Clube do Autor” deste Outubro de 2011, com preço acessível e bem justificado.
Silvestre Félix
(Gravura: Capa do Livro digitalizada)

O "PORTUGUÊS-SUAVE" JÁ ERA!


No que respeita a tabaco, para mim, “tanto faz”. Em boa hora deixei de meter essa coisa estranha na boca e nos pulmões, já lá vão uns tempitos. No entanto, é um setor industrial que, parece, ainda não foi completamente deslocalizado continuando a “Tabaqueira” a funcionar muito embora, tanto quanto julgo saber, já não seja controlada por capitais nacionais.

Ao contrário do que acontece com tantas marcas e produtos que temos conseguido manter “nossos”, as tradicionais marcas portuguesas de tabaco estão a desaparecer e a ser substituídas por marcas estrangeiras.

Nestes dias está a decorrer a operação de “apagamento” do “SG-Gigante”, “SG-Filtro”, “SG-Ventil”, ou “Português-Suave” e outros.

É mais uma parte do nosso património comercial e industrial que “passa” à história.

Nem mesmo o maléfico tabaco conseguimos aguentar…  

Silvestre Félix

PRESIDÊNCIA-VS-GOVERNO


Do ponto de vista político, que é o que aqui interessa, tanto dessincronizo com Cavaco Silva como com Pedro Passos Coelho.

No entanto, para baralhar a tranquilidade da minha consciência, eis que surgem opções diferentes para o futuro da Europa, defendidas, de cada vez, por cada um deles. Cavaco com uma posição muito crítica relativamente ao Diretório e ao papel do BCE, na resolução da crise. Pedro Passos Coelho, completamente agarrado às opiniões de Angela Merkel e Sarkozy, usando por vezes um “parlapié” como se não fosse Primeiro-Ministro dum País do Sul que, por “acaso”, é Portugal.

Pelo que vou entendendo, das múltiplas crónicas e editoriais que vêm falando sobre o tema, tendo a achar que Cavaco Silva está do lado menos errado da questão. Ou seja, dar espaço e tempo aos Países para que usem uma austeridade menos agressiva e, ao mesmo tempo, desenvolvam programas para o crescimento económico. Paralelamente, o BCE deve adquirir livremente dívida soberana de modo a moderar a influência dos mercados especuladores e agiotas, mesmo que a emissão de mais dinheiro (papel), possa alterar a paridade e valor do Euro.

Silvestre Félix

O HERÓI!


O nosso País está mal e os portugueses sofrem! Mas é preciso cuidado com as interpretações que a legião de “puros” (?) democratas se apreçaram a fazer das afirmações de Otelo.

O Capitão de Abril é igual a si próprio e, surpreendidos ficaríamos, se não falasse assim a propósito dos desmandos de quem nos tem governado nas últimas décadas.

Vivemos em democracia que, até prova em contrário, é o sistema menos mau que conhecemos.

Se a democracia alguma vez estiver em perigo, não é certamente por causa das opiniões do “Herói de Abril.”

Silvestre Félix

O PÃO-DE-LÓ DO FACE OCULTA…


No tempo de robalos e alheiras de Mirandela que vão passando por Aveiro como quem passa “por mim no Rossio”, o OE para 2012 lá foi aprovado na generalidade como estava previsto. As “estrelas” dos espaços noticiosos nestes últimos dias – o orçamento e o “face oculta” – vão-nos transmitindo a triste e pobre realidade do nosso País.

Enquanto o Governo corta em tudo o que mexe e que possa dar alguns trocos, um batalhão de acusados, de juristas, de repórteres e jornalistas, acompanham aquilo a que chamaram “face oculta” e a que imprimiram uma produtividade digna dos países do pelotão da frente. Mercê deste esforço patriótico, ainda vamos reduzir em muitos pontos o deficit orçamental e, por via disso, acelerar a subida do PIB até números “nunca dantes atingidos”.

Deixem-se de “entretantos” e limitem-se ao essencial. A subjetividade, as sábias interpretações de supostas “entrelinhas” e o pão-de-ló, aqui não servem para nada.

A substância é que importa e, até agora, nada visto.

Silvestre Félix

NÃO HÁ PACHORRA!


Desde as dez da manhã de hoje e até esta Sexta-Feira, podemos, se ainda houver pachorra para isso, ouvir os Deputados e Deputadas da Nação esgrimirem argumentos bem-falantes, como se tivessem que convencer uma criança a comer a sopa que ela não gosta.  

Há cerca de um ano, na discussão do OE para 2011, quem se sentava no hemiciclo e protestava contra a dureza das medidas propostas, está agora na bancada do Governo e, quanto a “dureza”, estamos conversados.

Não há paciência para constatar que as perguntas e as respostas são quase as mesmas sendo que, a única coisa diferente, são as bancadas que o PSD+CDS e o PS ocupam.

Silvestre Félix

APERTO AOS BANCOS…


Mesmo pela crise dentro, o negócio bancário, também no nosso País, tem dado muitos milhões de euros em dividendos aos seus acionistas.

Não sei e por isso não opino, se as regras que vão regulamentar a recapitalização dos bancos portugueses são as mais adequadas ou não. Pela reação dos “banqueiros”, sou levado a acreditar que, porventura, estão mesmo a ser apertados e isso, para mim, é bom sinal. A causa maior para a situação em que estamos foi a omissão reguladora dos Estados face ao comportamento agiota do capital global. Foi a onda ultraliberal que deixou as instituições financeiras tomarem o “freio nos dentes” para especularem como muito bem lhes apeteceu.

Pois bem, é tempo dos banqueiros se submeterem ao poder político legítimo. Se querem continuar a dirigir o negócio de dinheiro nos seus bancos, os acionistas que se cheguem à frente com parte dos milhões ganhos nos últimos anos até atingirem o rácio de 9% a que estão obrigados pelas autoridades monetárias. Se não, e para evitar mais surpresas desagradáveis para os depositantes e clientes, têm de usar os 12 mil milhões da Troika cumprindo todas as regras agora aprovadas pelo Governo.

A ironia disto tudo é que o aperto aos bancos é imposto pelo Governo mais liberal desde o 25 de Abril.

Silvestre Félix

UTOPIA – PRECISA-SE!


A dor física atrofia a fiabilidade do espírito e contribui decisivamente para uma má contribuição do organismo humano. O espírito reclama continuamente essa maneira de estar e, aumentando a luta como se bola de neve fosse, tenta virar do avesso o atrofiamento.

A desforra passa pela leitura ficcional em prejuízo da triste realidade que, bem sustentada, parece ter criado raízes para ficar durante muito tempo. A situação é de tal maneira que até arrepia clicar um site de notícias ou ligar a TV. As desgraças vespertinas continuam pela madrugada e, às primeiras horas do dia, novas catástrofes se anunciam que fornecerão as redações de matéria “gostosa” para a demagogia e a especulação.

Mais valia que nos anunciassem de vez que o único caminho é o da desgraça e, assim, a resistência seria justificada com todos os meios encontrados nos compêndios de sábios já idos mesmo nos que tratam da utopia.

Como é que amanhã os trabalhadores vão trabalhar?

Abram alas à estupidez porque, neste “agora”, é o que mais se valoriza!

Sejam altos magistrados na Nação, sejam empedernidos simpatizantes da “velha senhora”, sejam ministros e secretários de estado, sejam “taxistas” (de tacho) das assembleias, sejam todos os velhos do Restelo incluindo os “profissionais” da concertação, sejam…

– Vão à vida!           

 Não há espírito em corpo “são” que aguente, quanto mais em corpo “dorido”…

Silvestre Félix

A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS - De Valter Hugo Mãe


Na altura em que chega às livrarias o último livro de Valter Hugo Mãe, “O filho de mil homens”, eu compro e leio o penúltimo, “A máquina de fazer espanhóis”. A austeridade obriga-nos a esperar pelas promoções até nos livros, como é o caso. Poupei mais de cinco euros e, desde há algum tempo, vou fazendo assim, espero um ano ou mais pela baixa do preço ou até por eventual edição de bolso da Bertrand ou BIS da Leya.

A máquina de fazer espanhóis” trata, duma forma genial, do mundo dos mais velhos, que “educadamente” chamados idosos, quando confrontados com a separação dos seus, quer por motivo de morte dos seus companheiros ou companheiras, quer porque os descendentes não têm condições de os manter nas suas casas ou, simplesmente, porque se querem ver livre deles.

A vida num “lar”,onde se respira velhice temperada de ternura, deceções, casmurrices e teimosias, algum humor, ainda sonhos e alucinações e também, porque faz parte da natureza humana, alguma maldade, ocupam as duzentas e oitenta páginas do romance de Valter Hugo Mãe. Um dia-a-dia que inclui uma convivência de “tu cá, tu lá” com a morte que cumpre sempre aquela parte mais obrigatória da vida – o seu fim!

Aproveite as promoções e não deixe de ler esta obra. Valter Hugo continua a ser fiel a Vila do Conde de onde só sai quando é mesmo obrigado. Este romance e toda a obra do autor, tem a chancela “Alfaguara”. Esta edição é da “Objectiva” e a primeira de Fevereiro de 2010.

Silvestre Félix

(Gravura: Capa do Livro)

JOVENS PORTUGUESES


Os nossos governantes são os melhores especialistas no botar inconvenientes discursos fora do País.

Em vez de criar condições de emprego e alguma esperança no futuro em Portugal, o Governo, pela voz do Secretário de Estado da Juventude e Desportos num seminário realizado em São Paulo, defendeu a opção da emigração dos jovens portugueses.

Tratando-se de um membro do Governo, não nos restam dúvidas em acreditar que os objetivos do poder instalado para amenizar as estatísticas do desemprego passam pela emigração dos nossos jovens.

Com governantes deste “calibre”, o destino traçado está! Novos portugueses nos quatro cantos do Mundo!

Que venham os poetas e escrevam – “sem armas e sem assinalarem os barões” – sobre os emigrantes do século XXI para que dos “fracos reze a história.” 

Silvestre Félix

PONTES E TOLERÂNCIAS DE PONTO


Já foi duro termos que ouvir a Chanceler ou “Chancelarina”, como lhe chama o líder do PS, afirmar que os portugueses têm férias e feriados demais, quando, depois das continhas todas feitas, se chegou à conclusão não ser verdade e, ao invés, os alemães, por exemplo, descansam muito mais do que nós. É claro que isto não tem nada a ver com produtividade. É outra coisa e não depende da quantidade de horas ou dias que se trabalha. Foi duro mas, reposta a coisa no sítio certo, nunca mais se falou do assunto.

Ora bem, a notícia não deve ter corrido no outro lado do mundo, lá para a costa ocidental do Canadá. Na verdade, quase a mesma coisa – «os portugueses têm demasiadas férias e isso tem de acabar» – foi dito por um Ministro português ontem no Parlamento. O homem, que chegou a Portugal apelidado de “estrela” (pode ser, mas falta-lhe a luz) tem protagonizado dos momentos mais hilariantes quando bota palavra.

Ontem, na Comissão de Trabalho, foi falar aos Deputados de férias, feriados, pontes e tolerâncias de ponto. Ao contrário do que aconteceu com o ameaço de apresentação do “Plano de reestruturação dos transportes”, levava o trabalho de casa em condições aceitáveis, contados os dias a mais e a menos, tudo bem feito e assim, deixando a economia para as calendas, se perderam mais umas boas horas de produção.

Silvestre Félix

ALGUNS PORTUGUESES…


Quando algumas vozes insuspeitas (??) declaram, sem vergonha, que os portugueses têm vivido acima das suas possibilidades, dá vontade de os mandar verem-se ao espelho.

Não foram “os portugueses”, quando muito, foram “alguns” portugueses que, no poder, aplicaram políticas governativas que, como agora se vê, não deram bom resultado. De certo tudo foi feito com boas intenções mas é preciso ter cuidado quando querem distribuir culpas pelos 10 milhões de cidadãos nacionais.

Todos nos lembramos como até há bem pouco tempo os bancos nos bombardeavam com oferta de créditos a torto e direita. Usando revolucionárias técnicas de “marketing”, os vendedores ao serviço da banca nacional e estrangeira, durante décadas, impingiram aos portugueses todo o tipo de produtos cobertos por créditos que, ao tempo, eram de regularização pacífica.

Quebrados todos os pressupostos rendimentos que, em consequência da crise e desemprego que o mesmo capital criou, os, antes digníssimos clientes, viram inconvenientes incumpridores quando não mesmo, horrendos caloteiros.   

Como é que, “altos dignitários da nação”, afirmam, sem se engasgarem e num tom repreensivo, que os portugueses vão ter de se habituar a uma nova vida porque têm andado a viver acima das suas possibilidades?

Dobradas reformas e subvenções vitalícias toleradas e aprovadas pelos “próprios”, têm conservado o bem-estar material da elite de “alguns portugueses”, que, por coincidência, são os que nos têm governado nos últimos trinta anos.

Silvestre Félix

TUDO ESTÁ ERRADO!


Confirmando a apetência hipócrita para deitar areia aos olhos dos portugueses, uma catrefada de políticos e afins, correram a tudo o que é microfone e escrita para se pendurarem nas afirmações “cavaqueiras” dos últimos dias, a propósito da proposta do Orçamento de Estado.

 A “equidade” evocada por Cavaco Silva não o eleva a defensor oficioso dos funcionários públicos como alguns agora querem fazer querer. Há um ano, também contestou o corte salarial imposto à função pública pelo Governo de Sócrates por ser só aos funcionários públicos. Já relativamente à taxa especial que engolirá parte do subsídio de Natal deste ano, como, para além dos funcionários públicos, abrange o resto do pessoal privado, achou muito bem e referiu-se à medida diversas vezes em tom muito elogioso para o Governo.

Bem podem os da oposição limpar bem as mãos pela (…) que disseram, porque o que tinha mobilizado Cavaco Silva para um apoio inequívoco a este Orçamento, teria sido a abrangência do corte dos subsídios também aos privados. 

Já lá vai o tempo em que os funcionários do Estado eram os “parentes pobres da nação”. A função pública, com todo o direito, atingiu níveis se segurança de emprego e de compensação em geral, em muito pouca percentagem igualadas ou ultrapassadas no setor privado. Mesmo assim, neste tempo, a quase totalidade dos desempregados registados não consta que sejam funcionários públicos e, também pelo que se vai sabendo, numa parte considerável das empresas privadas há muito que deixaram de ser “letra” os “contratos coletivos de trabalho” e, pelo menos há dois anos, têm sido feitos muitos acordos de empresa com reduções de salários e subsídios em troca da manutenção dos postos de trabalho.

Tudo está errado!

Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão!”

Merkel e Sarkozy mandam nisto tudo! Até se dão ao luxo de marcarem e desmarcarem cimeiras…   

Silvestre Félix

MANTO DE MENTIRA!


A sociedade portuguesa está envolta num manto de mentira que, a uma velocidade inacreditável, vai deprimindo os cidadãos tornando-os peões de um jogo sem regras conhecidas.

Todos os dias saltam para a ribalta vários arautos que se afirmam como sendo os únicos verdadeiros e, alguns, até se arrojam a apresentarem-se como possíveis salvadores da Pátria. Principalmente estes, que botam discurso para qualquer microfone que lhes ponham à frente, sabem, melhor que ninguém, que fazem parte desta grande farsa.

A “escravidão” moderna vai alastrando, dando sentido aos desígnios do “grande capital– Dominar tudo e todos através dos seus compridos e poderosos tentáculos!

No nosso País estamos todos meio anestesiados e a única coisa que se sente é que estamos a caminho do abismo. Só conhecemos más notícias. Os inteligentes – economistas, políticos, politólogos ou comentadores – não têm competência para nos dar as menos más notícias e, muito menos, alguma luzinha ao fundo do túnel.

A nossa vida transformou-se num conto “contado” em números e percentagens. Até poderia ser divertido, mas não é. Aqui, a matemática está viciada – Só se aprende a subtrair!     

A sociedade portuguesa está envolta num manto de mentira!

Silvestre Félix

LEITE ACHOCOLATADO…A PRETO E BRANCO!


O protagonismo repetente do “leite achocolatado” neste filme a preto e branco porque a troika não autorizou a cores, começa a provocar “embolias” em tudo o que são canudos e vasos que transportam o sustento da crise que está a pôr os portugueses a “pão e água”. Mesmo assim, vai ser difícil saber o que nos vai acontecer quando as “Águas de Portugal” forem privatizadas e quando o pão duplicar ou triplicar de preço.

Imagino que o “leite achocolatado”, pelo abusivo envolvimento na história, se indignará e, porque não está para aturar mais isto, imigrará para bem longe, de preferência para sítio sossegado e onde ainda não tenha sido inventado o IVA. O mal utilizado “leite achocolatado”, saboreado pela palavra por “gustativas” de tão duvidosa sabedoria, não permitirá que eles continuem a usar o seu nobre sabor e relevante vitamínico, para atingirem tão degradantes objetivos.

Ontem, no meio dos Himalaias, enquanto na ponta desta “Jangada de Pedra” “onde a terra acaba e o mar começa”, se decidia o destino do “leite achocolatado”, sem que o interessado fosse “tido nem achado”, o Reino do Butão festejava o casamento do seu jovem Rei com uma bela Plebeia de 21 anos, conforme noticia hoje o Diário de Notícias. O Reino do Butão ainda está a salvo de muitas universais maldades – a televisão só chegou lá em 1999. As cores que dominaram a cerimónia foram as consideradas auspiciosas e que transbordam simbolismo.

No Reino do Butão a festa durou até às tantas e não se falou de IVA, IRS, TSU nem de “leite achocolatado”.          

Silvestre Félix

O DIRETÓRIO…


O vendaval continua por cá e por essa Europa fora… As indecisões, ou melhor, as não decisões, estão a virar tudo do avesso. O capital e os seus capangas especuladores tomaram conta das economias, dos Países e dos seus políticos.

Olho neste momento para os indicadores bolsistas em direto e vejo tudo a vermelho incluindo os índices do outro lado do Atlântico. Por cá, encafuados no Conselho de Ministros, os Membros do Governo tentam fechar o orçamento a todo o custo. “Cortar” e “reduzir” são as formas verbais mais utilizadas nestes últimos dias e, cada vez que são aplicadas nas parcelas do documento, traduzem-se em “marteladas” certeiras na cabeça do “Zé” português.

Fico de boca aberta quando verifico que, por cá, o discurso de alguns está a mudar. A imposição dum diretório a dois na União (??) Europeia não aconteceu só agora, vem funcionando, pelo menos, há três anos.

Todos se subalternizaram ao “casal maravilha” e aí está o resultado.

Silvestre Félix

ENQUANTO SALAZAR DORMIA… De Domingos Amaral


Enquanto Salazar Dormia…” – não se fez muita coisa que ele não soubesse. O ditador tinha, por sua conta, muitos olhos e ouvidos que não deixavam que se passasse nada sem que ele viesse a saber – obra de Domingos Amaral, publicado a primeira vez em 2006, retrata bem o que era Portugal e, muito particularmente, Lisboa, durante a Segunda Guerra Mundial. À Capital portuguesa chegam refugiados aos milhares. A cidade transforma-se, dum momento para o outro, no porto seguro de Judeus, homens de dinheiro, atores e atrizes e, especialmente, os espiões mais valiosos dos países beligerantes. De todos, a maioria passava por Lisboa que servia de ponto de trânsito para viagens mais longas, quase sempre para o outro lado do Atlântico. Os espiões vieram e ficaram. O livro de Domingos Amaral trata exatamente destes, dos espiões.

Salazar, para garantir que se sairia bem, independentemente de quem ganhasse a guerra, tolerou estes ativos, mas, a dada altura pôs, descaradamente, a PVDE a trabalhar para os serviços secretos alemães. Mesmo assim, quando confrontado com os protestos ingleses, teve sempre que ceder.

A narrativa é entusiasmante e muito bem entrançada entre os interesses da espionagem e dos amores e desamores do herói da história que, 50 anos depois e já muito velho regressa a Lisboa para assistir ao casamento do neto, ouvinte predileto das suas aventuras.

Domingos Freitas do Amaral nasceu em 1967 na cidade de Lisboa, é escritor, jornalista e diretor da revista GQ.

“Enquanto Salazar Dormia…” foi publicado pela “Casa das Letras” em 2006 e em 1ª edição da BIS (bolso) em Julho de 2010.

(Gravura: Capa do Livro do site do autor)
Silvestre Félix

LÍTIO - O OURO MODERNO

Contestação à exploração de Lítio-Serra da Estrela-24.08.2019  (DN online) Muitas regiões do nosso país têm o subsolo a abarrotar de o...