SOU EU OU SOU ELE?


Estas dúvidas de identidade que atrapalham a vida de tanta gente atacam quando menos se quer. No entanto, entre um Primeiro-Ministro e um cidadão Pedro a distância pode ser grande, pequena ou nenhuma.

Ainda PPC era um jovenzinho e já estas contradições assolavam figuras públicas da nossa sociedade. Vejam só o que acontecia com Olívia Patroa e Olívia Costureira numa interpretação única da saudosa Ivone Silva.

Silvestre Félix

AS MENSAGENS…


A papagueação que por aí anda nestes dias, leva-me a ignorar ostensivamente tudo o que vem dito pela maioria dos nossos politiqueiros.

Os do poder repetem-se porque ontem já o tinham dito e porque, algures no tempo, outros nas mesmas funções discursaram o mesmo, ou seja, NADA!

Mas, sendo a nossa comunicação social bem intencionada e ocupada com tudo o que de bom interessa ao Zé, vai de botar os habituais inteligentes comentando e analisando, o NADA, que os outros disseram.

De bolsos vazios lá caminhamos pelas catedrais do consumo sempre com a esperança de encontrarmos a oportunidade sonhada de que melhores dias virão.

O descaramento e a falta de vergonha dos que constantemente nos entram pela casa dentro, deixam-nos derreados e com a desesperança em alta.

Silvestre Félix

NATAL


Para este Natal desejo que os meus amigos tenham muita saúde e que a mesa da consoada esteja composta com o essencial. Nada de exageros nem de sobras!

Um grande abraço!
Silvestre Félix

TAP


A TAP vai renascer mais uma vez. O que se diz dos gatos, que têm sete vidas, também se pode dizer da Companhia aérea nacional. Durante mais de trinta anos a minha atividade profissional decorreu muito ligada ao transporte aéreo e, por maioria de razão, à TAP. Assisti e vivi de perto vários períodos de ansiedade por causa de supostas vendas e de outros desfechos ainda mais tristes da nossa Companhia de bandeira.

Não se consegue explicar a boa sensação de, no estrangeiro, entrar num avião da TAP. É como estar a entrar na nossa própria casa.

Hoje, como se fosse prenda antecipada, a TAP continua no nosso convívio. Portugal continuará a levar a BANDEIRA nacional aos quatros cantos do mundo, através dos aviões da nossa Companhia aérea.

Silvestre Félix

(Gravura: Público online)

PELA NOSSA SAÚDE...


As voltas que “eles” dão para justificarem a redução de idas dos portugueses a urgências e às consultas dos Centros de Saúde.  

Não! Os portugueses não estão melhor de saúde! Estão é muito pior de finanças e são obrigados a cortar em tudo incluindo as idas ao médico.

Nos últimos dez meses os hospitais registaram menos 500 mil urgências e os Centros de Saúde menos um milhão de consultas. Têm sido muitas as razões inventadas mas o único motivo para esta variação estatística é a falta de dinheiro para pagar as taxas (chamadas) moderadoras.

Mesmo que não corresponda à totalidade dos números, a situação estará a provocar pior saúde para os portugueses, a uma grande velocidade. Não demorará muito tempo até que facilmente se perceba esta nova realidade.

Os “inteligentes” arranjarão as habituais desculpas…

Silvestre Félix

O ÓDIO…ANTES E AGORA…


A, Mário Soares, já não se lhe acrescenta elogios nem méritos porque se escala houvesse sido constituída, já teria “rebentado”, mesmo descontando defeitos e desmerecimentos que também os tem.

Reconhecida a excelência da criatura como selo validador do atrevimento da minha opinião, embrulhou-se-me as tripas ouvindo o senador afirmar tamanho erro de perceção;

“nem no tempo de Salazar” o “Governo foi tão odiado”

A reação intestinal foi vigorosa e tem a ver com o fator “surpresa”. É normal escutarmos comentários deste tipo em pessoas mais jovens que não viveram no período da ditadura mas ao ex-presidente, nunca pensei ser possível.

Decerto Mário teve “uma branca”!

Salazar tinha a funcionar o aparelho da ditadura com um protagonismo destacado da pide, da censura, da repressão duma forma geral, sem oposição no pseudo-parlamento e com a propaganda bem afinada e sincronizada aos desígnios do regime,

ou seja, naquele tempo, que Mário Soares tão bem conheceu e sofreu, não havia meio de fazer a medição do ódio que os portugueses tinham pelo Governo.

Este tipo de abordagem e comparação é muito perigosa e o senador, melhor que ninguém, devia saber isso.

Silvestre Félix

RAPADURA DE GASPAR...


Se o Belchior e o Baltasar soubessem o que hoje se sabe sobre a fama de GASPAR, decerto não teriam partilhado o mesmo palco da história milenar que a Igreja nos conta acerca da “adoração” do menino Jesus.

Como se vem dizendo por aí, pelas redes sociais, Belchior e Baltasar levaram as prendas e o GASPAR, quando chegou, “limpou tudo”. Já naquela época a tendência se manifestava e, dois mil anos depois, é primeira página de jornais, abre os noticiários das tv’s e rádios e, infelizmente para os da terra Lusitana, sempre pelas piores razões.

Percebo porque é GASPAR a pagar as favas todas. Os lusitanos têm muita relutância em considerar credível a outra clássica história sobre “gamanço” – a dos “40 ladrões”.

Aqui seria; “GASPAR e os 40 ladrões”, pelo menos!

No que respeita à nossa carteira, subtrair é o verbo mais utilizado. Quando lá vai mais um pagamento, ou quando o vencimento, subsídio ou pensão, vem mais curto, lembramo-nos logo do GASPAR que “rapa tudo” e esquecemo-nos dos outros trinta e nove.

Gostava de ser pequenino e desenvolver no processo de crescimento uma atitude de “negação” relativamente ao GASPAR dos Reis Magos que, atrás duma estrela foi, até encontrar o local assinalado nas escrituras como cenário da sua primeira atuação, fazendo fé nas múltiplas “partilhas” do facebook.
 
Silvestre Félix

(Gravura: Ali Baba - Wikipédia)

ELES, ACORDARAM…


Em tempos, cantava o Zeca Afonso“…ELES comem tudo, comem tudo e não deixam nada…” ELES eram “os vampiros” em forma de “gente” que, entretanto, pensávamos desaparecidos para sempre.

Enganamo-nos!

ELES aí estão mais ativos que nunca. Ouvi ontem alguém explicar muito bem o que aconteceu: Hibernaram nas últimas décadas e, cheirando o ambiente pestilento tão bem espalhado pelos agentes dos “mercados”, acordaram e voltaram a sugar o nosso sangue. Só que, para “vampiros”, a noite já vai longa e nós, já não temos sangue nem carne.

Será que também irão roer os ossos?

Silvestre Félix

FREGUESIAS...


A papagueação ao sabor dos interesses das clientelas partidários é o que vemos no anfiteatro, feito plenário, na “casa da democracia”.

Botando palavra, todos tentam justificar as suas posições de circunstância. Noutro tempo, para a frente ou para trás, a faladura terá sentido diverso do de hoje.

O País precisa, há muito, de uma organizaçãoadministrativa moderna que equilibre as assimetrias existentes. O interior desertificado precisa de um poder local e regional forte que trave o definhamento inevitável das aldeias, das vilas e das cidades.

Com seriedade e valorizando a democracia, o processo levará, por ventura, mais de uma legislatura até ficar concluído. O que hoje se gasta em palavras e mais palavras na Assembleia da República, não tem nada a ver com o desejável melhoramento da qualidade de vida das populações.

Silvestre Félix

"CÂMARA CLARA"


A ideia é mesmo nivelar-nos por baixo. Seja através da redução dos vencimentos, subsídios e pensões, seja pela aplicação de austeridade em tudo o que mexe com dinheiro. Só nos “topo de gama” e noutras mordomias é que não se toca, quanto ao resto, é cortar…cortar, até à nesga mais fininha que se possa imaginar.

Com o fim do programa “Câmara Clara”, transmitido na RTP2 diariamente em versão curta, e longa ao domingo à noite com apresentação de Paula Moura Pinheiro, é cumprida mais uma etapa de destruição das opções culturais na televisão ainda pública.

Os mandantes, praticamente sem contrariedades, vão conseguindo trilhar os caminhos do empobrecimento dos outros e, duma forma geral, do País. A cultura não encaixa nos padrões tecnocratas vigentes.

Um povo culto “pergunta” muito…

Aquelas “cabeças” só estudam (e muito mal) números, estatísticas, percentagens e pouco mais. Os livros de cabeceira são os manuais e ensaios económicos e financeiros publicados por insuspeitos gurus nascidos nas grandes maternidades banqueiras tipo “Goldman”. São lidos religiosamente na tentativa desesperada de cumprirem os desígnios ultraliberais e, pelo menos uma vez, acertarem nas previsões.

A cultura é a nossa identidade!

Silvestre Félix

GREVE-GERAL EUROPEIA


Aderir, ou não aderir a uma greve legalmente convocada, é um direito constitucional. São cidadãos de igual importância, os que fazem e os que não fazem greve. Ambos têm as suas razões que devem ser respeitadas. Uma ou outra opção não pode ser questionada por ninguém.

Quando o governante enaltece um destes dois cidadãos e, por oposição, condena o outro, está a praticar um exercício discriminatório a uma parte considerável, provavelmente à maioria, dos portugueses ativos.

Num dia destes, o Primeiro-Ministro devia abster-se de comentar as opções dos trabalhadores no que se refere à greve.

Silvestre Félix

O CERTO, O ERRADO E A POBREZA…


O certo, é termos acesso aos cuidados de saúde;
O certo, é conseguirmos uma boa educação, aprendermos cada vez mais e todos termos possibilidade de chegar ao ensino superior;
O certo, é termos uma alimentação adequada e ajustada às várias estações da vida;
O certo, é termos uma habitação condigna e confortável para toda a família;
O certo, é contribuirmos para o desenvolvimento da sociedade, trabalhando e sendo remunerados por isso.

Não é inevitável que todos estes “certos” passem a “errados”, só porque há uns quantos iluminados (??) por essa Europa fora e cá também, que acham estar muito bem sermos os novos escravos de outros tantos.

A pobreza alastra e os portugueses não «têm que aprender a viver com menos». Têm é de dar a volta e conseguir repor a justiça que, por direito, lhe pertence.

Também fiquei chocado e dececionado com as recentes declarações da responsável pelo Banco Alimentar Contra a Fome.

Silvestre Félix

“AMOR DO POVO”


A refundação, o orçamento, a troika, o deficit, a dívida, o governo, a oposição, a Europa, o euro, os que perderam a guerra mas que mandam nisto tudo, no parlamento, a retórica, o(s) passos (perdido(s)), seguro mas abanando, renegociar, bom corte e topo de gama…e o povo?

Em 1988 dizia, Agostinho da Silva, o Professor, no capítulo “Amor do Povo” dos escritos “Considerações”:

«Há também os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam do que um meio; a meta a atingir é o domínio do mesmo povo por que parecem sacrificar-se; bate-lhes no peito um coração de altos senhores; se vieram parar a este lado da batalha foi porque os acidentes os repeliram das trincheiras opostas ou aqui viram maneira mais segura de satisfazer o vão desejo de mandar; nestes não encontraremos a frase preciosa, a afectada sensibilidade, o retoque literário; preferem o estilo de barricada; mas, como nos outros, é o som do oco tambor retórico que se ouve.»

Como dizia o Professor, estamos cercados de “aperaltados” que adoram o povo…

Silvestre Félix

O POVO E A PACIÊNCIA!


Na capa da edição de hoje do Diário de Notícias, a “frase de marear” escolhida é:

«Se mandar o seu povo atirar-se ao mar, ele fará uma revolução»

da autoria do escritor Antoine de Saint-Exupéry.

Muitos dos políticos da atualidade, cá dentro e lá fora, deviam ter presente o significado desta frase, ou seja; Podem aprovar todos os orçamentos que lhes dê na gana, o povo aguenta, aguenta, como ainda ontem ouvimos da boca dum conhecido banqueiro, mas tudo tem um limite e o povo também perde a paciência. Quando chegar a altura de o mandarem “atirar ao mar”, a coisa pode ficar feia para o poder instituído.

«Cautela e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém!»

Antoine de Saint-Exupéry foi o autor do famoso conto, “O Principezinho”, escrito em 1943, um ano antes da sua morte em pleno Mar Mediterrâneo pilotando um avião de combate ao serviço dos Aliados

Silvestre Félix

PALAVRAS FORAM DITAS…


Os discursos que foram escritos e lidos, as palavras que foram ditas, os fatos e gravatas que foram vestidos, os topo de gama que os levaram, as colónias, after shave e os perfumes que botaram, nada têm a ver com a realidade da vida dos portugueses.

Para 2/3 dos deputados o que mais interessa é ganhar o debate, ficar bem no filme e na fotografia. 

À medida que o País empobrece, mais se alarga a distância entre o cidadão comum e a nossa classe política.

Silvestre Félix

FRANCISCO LOUÇÃ


Não posso deixar de aceitar que, depois das bordoadas que no último ano temos levado, de vez em quando, dou por mim a concordar com posições do BE. Reconheço essa realidade mas a verdade é que não me revejo na maioria das opiniões dos bloquistas.

Introduzida a minha “declaração de interesses”, elejo como o mais destacado acontecimento político dos últimos tempos, a renúncia de Francisco Louçã ao mandato de deputado na Assembleia da República. É uma lufada de carácter e de boa cidadania. Louçã achou que a sua intervenção política ativa tinha chegado ao fim e fez o contrário do que muitos outros fazem.

O nosso Parlamento sem Louçã fica muito mais pobre. Para além de singular tribuno onde não faltava aquela ironia apimentada de saudável humor, foi protagonista das mais vivas e proveitosas discussões parlamentares dos últimos 13 anos.

Neste lamaçal político para onde fomos atirados por prestações partidárias incompetentes, e ao contrário do que sentem muitos portugueses, sobre o “tachismo” a inutilidade dos deputados duma forma geral, Francisco Louçã será daqueles que ficará inscrito com letras grandes, nos anais da nossa democracia parlamentar.  

Os exemplos bons devem ser reconhecidos e divulgados!

Silvestre Félix

O ÚLTIMO NAVEGADOR De Virgílio Castelo


Embora tivesse “O último navegador” cá em casa desde 2008, só agora o li e ainda bem. O autor situa a principal personagem, Benjamim, num tempo que não é o nosso. Projeta-o para o ano de 2044 narrando acontecimentos trágicos no nosso País por esta altura, ou seja, 2012/2013.

Pela maneira miserável como os portugueses hoje vivem e sem saberem como vão viver amanhã, tem muito mais sentido a história do Virgílio Castelo do que tinha quando foi escrita em 2007.

O personagem Benjamim conta-nos como é Portugal monárquico depois de milhares de portugueses terem morrido numa guerra civil. Este Portugal é moderno e próspero e com uma nova mentalidade. Construi-se uma nova capital no centro do País e o povo transpira felicidade.

Toda gente conhece Virgílio Castelo através da sua principal profissão que é ator.

O último navegador” é uma edição da “Esfera dos Livros” sendo a 1ª em Setembro de 2008.

Silvestre Félix

(Gravura: Capa do livro do site da editora)

SEGREDO DE JUSTIÇA


O nosso “segredo de justiça” continua a ser uma “figura” de retórica que, à mais pequena ameaça de ficar amordaçado, desamarra-se, foge cá para fora e brada com força para que ninguém tenha dúvidas sobre quem são os investigados.

O “segredo de justiça” tem amigos mas tem muito mais inimigos. Estas inimizades são demonstrativas da degradação do nosso aparelho de justiça. Não conseguimos saber se é a montante ou a jusante de qualquer coisa mas, que há muita gente disposta a bufar cá para fora, com certeza a troco de dumas lentilhas, lá isso há!

De facadinha em facadinha, o nosso “segredo de justiça” vai ficando cada vez mais vazio e desnecessário neste reino de traições! E depois, as facadinhas, não são em qualquer coisa, tem de ser logo no Primeiro-Ministro, pelo menos!

Para quando inquéritos conclusivos no que respeita a estas fugas de informação?

Acho que, nestes casos, a “proteção da fonte” devia fazer um intervalo para que se começasse a malhar na verdadeira escumalha que sobrevive misturada com os bons funcionários.

Silvestre Félix

DEPUTADOS BRILHANTES…


Com “brilhante” “segurança” aparelhada, os da bancada que apoiava e suportava o anterior governo, botam discurso como se não tivessem o poder até há pouco mais de um ano, com toda a responsabilidade inerente.

Já não tenho paciência para ouvir a reação dos partidos da oposição a seguir a qualquer notícia política com alguma relevância. Vejam se conseguem meter «o guizo no pescoço do gato». Se não conseguem, não vale a pena falarem, falarem…, sem dizer nada.

Falta de paciência e irritação também me dá aquele que o primeiro escolheu para ministro da economia e mais não sei quê. Em vez de anunciar e explicar as supostas medidas de incentivo ao crescimento da economia, vem, outra vez, com a provocação escrita. Mas quem é que ele pensa que é, para, cada vez que discursa na AR, fazer questão de, literalmente, provocar as bancadas da oposição usando sempre uma linguagem desapropriada. É verdade que aquela história da “festa” a propósito das obras nas escolas, proferida pela antiga ministra da educação, foi muito mau e não dá para entender o que lhe passou pela cabeça naquele momento. Mas este ministro não tem ponta por donde se lhe pegue. Será aceitável para distribuir sorrisos ou escrever livros técnicos, mas para ministro…ainda por cima da economia e emprego, valha-me deus!

Silvestre Félix

O PRINCÍPIO DE PETER!


Em tempos que já lá vão, era eu ainda um jovenzinho, quando, numa visita regular à livraria da esquina, o meu amigo livreiro me aconselhou levar um livro que não tinha à mostra mas que, garantia, iria ler com interesse e, após, ficaria a saber mais alguma coisa. Escusado será dizer que lá vieram as habituais dicas. Não mostrar a ninguém, quando andar com ele, por exemplo, para ler no comboio, ter o cuidado de o forrar de modo a não se perceber o título, etc., etc. O livro era, nem mais nem menos, que “O princípio de Peter” de Laurence Peter e Raymont Hull.

O meu amigo livreiro tinha toda a razão. Aprendi muito com a leitura do dito e, ao longo da minha vida, têm sido inúmeras as situações reais do dia-a-dia que se encontram assinaladas no livro.

Como agora se diz, há uma linha que separa a competência da incompetência e toda a gente devia perceber onde ela está. O problema é que não é fácil e, pior do que isso, poucas pessoas têm consciência de que essa linha existe.

A propósito dos (des)governos que temos tido nos últimos tempos, perguntava um aluno de Laurence Peter numa das suas aulas:

  – «Professor Peter, receio não encontrar resposta para o que pretendo saber, por mais que me esforce a estudar o assunto. Não sei se o mundo é governado por homens inteligentes que fingem perante nós, ou por imbecis que realmente mostram que o são.»

Passados mais de quarenta anos desde que esta pergunta foi formulada ao Professor Peter, continua perfeitamente atual e ainda nenhum tratado de ciências sociais ou políticas conseguiu encontrar uma resposta concreta para esta pergunta que

«resume os pensamentos e sentimentos que têm sido expressos por muita gente.»

Silvestre Félix

(Gravura: Capa do livro digitalizada. «» extraído do livro citado. Antiga editorial Futura em 1973)

O GUIZO DO GATO!


A sensação de que tudo está preso por fios é aflitiva!

A nossa classe política continua a transmitir uma insegurança e uma desesperança, sem limite!

Deviam calar-se todos e só falarem quando tivessem alguma coisa de jeito para dizer aos portugueses e, até lá, trabalharem para um único partido – Portugal!

Continua muito atual aquele anúncio de há uns anos (ainda de vacas gordas), protagonizado pelo humorista Ricardo A Pereira:

«Eles falam, falam, falam mas não fazem nada!» 
  
Os que deviam executar bem, decerto não o estão a fazer porque um mar de gente, supostamente sabedores da coisa, assim o dizem. Mas, por outro lado, quando se pergunta como é executar bem, as explicações são demasiado vagas e redondas para que possam ser consideradas em alternativa.

A propósito do crescimento económico, que todos sabemos ser o objetivo do País mas que ninguém tem a solução concreta para lá chegar, contava ontem o Dr. Vitor Bento no “Fórum da Antena1”, uma história que costumava ouvir do seu (acho) avô: (Não é uma citação à letra. Desenvolvimento da minha responsabilidade)

«Numa quinta rural desenvolveu-se tamanha praga de ratos que o dono resolveu arranjar um gato com fama genética de caçador, para os dizimar. O gato lá começou a sua tarefa e, perante a eficaz ameaça, o líder dos ratos convocou uma assembleia com o fim de reagir à situação e arranjar solução para o problema. Do meio da assistência, levantou a cabeça um rato com feições de inteligência farta e disse:

  – Eu acho que o maior problema é a maneira silenciosa como o gato nos caça. Como não o ouvimos, ele chega de surpresa e não temos tempo de fugir.

Na assembleia, um a um, todos foram concordando com o diagnóstico apresentado, mas…, e soluções?

Entretanto, levanta-se outro rato e diz:

  – Eu tenho uma proposta para resolver o problema. Pomos uma coleira com um guizo no pescoço do gato e, assim, quando ele se aproxima, ouvimos o barulho do guizo e fugimos.
 
  – Boa, boa, aprovado, aprovado! (gritaram todos na assembleia e até o líder, em duas patas, festejou a aparente vitória antecipada sobre o malfadado gato)

Quando o líder já ia dar por terminada a assembleia, levanta-se em duas patas, esticando uma das dianteiras em direção à mesa, um ratito meio enfezado que, com um fiozinho de voz muito sumida, diz:

  – Muito bem, eu também concordo, mas quem é que vai pôr o guizo no pescoço do gato?????»

Por falta de resposta, a história acaba aqui!   
  
Silvestre Félix

CAVALO DE TROI(K)A…


Ao contrário do habitual começo das “histórias da carochinha”, «era uma vez…», esta é bem verdadeira e nem sequer é “história”. É a amarga realidade que vivemos no meio de argumentos cinzentos que nos levam direitinhos para o abismo.

Com promessas generosas recheadas de bondade cheirosa a sacristia, convenceram este povo a abrir as portas a um autêntico “Cavalo de Troi(k)a”.

Ele, entrado e bem preparado para desferir o primeiro golpe, ainda teve lábia para se ir acomodando na zona central para, daí, despejar a soldadesca na investida decisiva, destruindo tudo à sua passagem.

O “Cavalo de Troi(k)a” não está longe de cumprir os desígnios de mais uma vitória neoliberal que, se conseguisse, marcaria, aí sim, a história desta Pátria de quase 900 anos.

Aqui, não temos Helena nem Menelau mas temos Zés e Marias de sobra para dar luta aos protagonistas do “Cavalo de Troi(k)a”!

Silvestre Félix

A INDEPENDÊNCIA COMO DIREITO!


Têm ou não, os portugueses, razões de queixa da forma como os atuais partidos políticos vêm (des) governando o País?

Claro que sim!

Se dúvidas houvesse, basta consultar os resultados das últimas legislativas em que, entre abstenções, votos brancos e nulos, se contam praticamente metade dos eleitores. Creio que, se fosse hoje e a “jogo” estivessem os mesmos protagonistas, a participação do povo no ato eleitoral seria bem menos do que em 2011.

Disse, nestes dias Mário Soares que; «A campanha sistemática antipolítica e antipartidos, a que temos assistido, tem de ser combatida a sério».

O Senador da República, ao contrário do que acontece a maior parte das vezes que fala, desta vez não tem razão ou, pelo menos não se expressou corretamente. A verdade é que os partidos têm “posto o corpo a jeito” para que este sentimento antipartidário varra a sociedade portuguesa duma ponta à outra. Há décadas que não têm respeito pelo País. Sistematicamente prometam nas campanhas eleitorais o que, já no poder, fazem exatamente o contrário. Criticam o poder quando estão na oposição relativamente aos mesmos pontos e medidas que defenderam quando estavam na posição inversa.

Reconheço que a situação é perigosa para a democracia mas não são o milhão de portugueses que saíram à rua no último dia 15 de Setembro, os culpados. Todas estas pessoas protestaram contra os desmandos da classe política. Estes maus políticos, é que têm de “ser combatidos a sério”. O que «pode prejudicar terrivelmente a democracia, é a austeridade excessiva», como disse ontem Jorge Sampaio.

Aos partidos, por serem, do ponto de vista orgânico, a base da democracia, não lhes é permitido tudo, nem podem ter o exclusivo da verdade governativa.  

Silvestre Félix

TRISTE “CEGADA”


Já muito se disse, se escreveu e se mostrou sobre as comemorações do 5 de Outubro.

O Povo precisa de se divertir e, então, promovem-se “cegadas” dispensando-se os ilusionistas, trapezistas, acrobatas, outros musculados, enfim, os verdadeiros artistas. Em vez do espetáculo popular habitual, assistimos a uma triste “cegada” com os protagonistas a representarem um papel mal ensaiado e que, em vez de aplausos, deviam ter recebido sapatadas e vaias.

O episódio da bandeira tem tudo a ver com a vergonhosa forma como estão a tratar os portugueses. Diz-se que «Deus escreve direito por linhas tortas» e, neste tempo, o que se sente é que o País está virado ao contrário.

Quando quiserem que povo participe no espetáculo, venham tarde ou, com o pretexto de compromisso de última hora, não apareçam. Sumam-se, eclipsem-se ou evaporem-se porque para fazerem esta porcaria, não são precisos!

Silvestre Félix

MÃE ÁFRICA!


Há trinta anos, em Outubro de 1982, comecei a preparar a minha primeira viagem a África. A oportunidade surgiu e, tal como agora acontece, o nosso País voltava a comer o pão que o diabo já tinha amassado de outras vezes com crise de dívida soberana.


No início de Novembro lá fui e, desde que aterrei essa primeira vez no aeroporto de Mavalane, na cidade Capital de Moçambique, Maputo, percebi porque toda a gente que já tinha estado em África me dizia maravilhas daquela Terra.

A designação de BOMBORDO que os nossos navegadores davam à parte das Naus e Caravelas do lado da costa africana tem, por maioria de razão, um duplo sentido; Porque era a costa mas, acima de tudo, porque era África – A Mãe África!

Lá morei em Maputo com a família talvez os melhores dois anos da minha vida e, depois de regressar, durante vinte anos, lá voltei uma ou duas vezes por ano assim como a Angola, Cabo Verde, Guiné e outros. 
  
Hoje, a África Lusófona e duma maneira muito especial, Moçambique, volta a ser a melhor opção para a  juventude portuguesa renovar a esperança.

Moçambique e os meus amigos moçambicanos estão sempre comigo mas hoje ainda mais. Comemoram-se os vinte anos da assinatura dos acordos de Paz que entregaram o futuro democrático aos moçambicanos. Acontecimento decisivo para, primeiro, sair da pobreza, tomando depois o caminho do desenvolvimento para proporcionar a felicidade e o bem estar ao povo moçambicano.  

Que a brisa do Canal leve o melhor para aquela maravilhosa Terra! 
  
Silvestre Félix

(Foto: Da net - Maputo, visto da Catembe)

SORTE GRANDE…

Até parece que estamos à espera que seja apregoado o número da sorte grande. Deverá ser “azar” em vez de sorte porque do Ministério das Finanças e do seu titular, nada de bom vem.

A ansiedade é tanta que nem almocei!

No ponto em que as coisas estão e com as receitas governamentais, não almoçar, pode ter muitos outros motivos, que não a ansiedade para escutar as notícias de “Gaspar”.

Gaspar, muito vagarosamente, vai explicar porque de corte em corte vamos continuar sem ver luz nenhuma ao fundo túnel.

Gaspar, muito lentamente, vai dizer como, do ponto de vista do governante, os portugueses desempregados e mais fracos podem fazer contas à vida.

Contas?

Então, mas se a maior parte deles nem conseguem ver a cor do dinheiro, como é que podem fazer contas?
Gaspar, com muita calma, lá vai esclarecendo que sentados na cadeira do poder, o mundo é mais colorido e tudo é feito a “bem da nação!” 
  
Pois bem,

Gaspar, Passos e Borges, andam muito distraídos e surpreendidos podem ficar, porque, por cá, a cadeira não é de confiança e já não era a primeira vez que ficava na história por se ter partido.

Agora, que as pipocas já estão prontas, vou sentar-me no sofá e apreciar a obra televisiva transmitida diretamente do Ministério das Finanças.

Silvestre Félix

BANALIDADES…


Há acontecimentos e eventos que, de muito importantes, passam a insignificantes pela repetição e uso sem critério devidamente apurado.

Sem pôr em causa a bondade e a justiça da intenção, começar a pedir a demissão do Governo a menos de ano e meio de funções, apoiado por maioria na Assembleia da República, com apoio presidencial e sem manifestar, o próprio, a mínima vontade de o fazer, descredibiliza quem o pede porque não vai corresponder à expectativa criada e banaliza um facto político que, só por si, quando acontece, tem a maior importância para a vida dos portugueses.  

Por esta hora, a direção da CGTP, estará a alinhar os pormenores de mais uma greve a que, desacertadamente, insiste em chamar de “geral”. Para muita gente é difícil admitir mas, sem concertarem com a UGT, não tem greve geral. Será sempre parcial e com resultados mínimos. Também neste caso corremos o risco de banalizar o termo – greve geral.

Outro exemplo é a moção de censura ao Governo. Neste caso são duas e, para além de mais algum tempo de intervenção política dos proponentes, não vai sair censura ao Governo porque as moções nunca serão aprovadas. Na verdade, a verdadeira censura ao Governo e à generalidade dos políticos instalados, tem sido muito bem feita nas ruas das nossas cidades e, principalmente, no último dia 15 de Setembro.  

Silvestre Félix

A EPIDEMIA…


E como se multiplicam, os vírus “Goldman”!

São transportados pelos rapazes de Chicago e a epidemia tem chegado a todo o lado. O núcleo ativo do vírus é uma “molécula” conhecida por “ultraliberalismo” muito difícil de combater porque, quando consegue instalar-se no hospedeiro não denuncia a sua presença de imediato. Prolonga a incubação até detetar fragilidade suficiente para provocar o maior estrago possível e, aí, ataca sem dó.

Eles até podem chamar “ignorantes” a toda a gente e provocar um “tsunami” na comunicação social que não é por aí que «o gato vai às filhoses». A grande questão é saber quem influencia quem, e se, quando os outros acordarem, ainda resta alguma coisa capaz de germinar!

Silvestre Félix

O POVO UNIDO…


Os portugueses enquadrados na mobilização e organização da CGTP-Intersindical, vão, mais uma vez, manifestar-se amanhã em Lisboa para que o poder deste tempo não se esqueça que

«o povo jamais será vencido».

Esta nova direção da Central Sindical gosta do Terreiro do Paço mas, ao fim do dia e feitas as contas da participação, quantos manifestantes vão meter na praça que, cheia, não aguentará mais de 100 mil?

Silvestre Félix

IMPUNIDADE ??


Como é que um membro deste Governo afirma, para quem queira ouvir, «que o tempo da impunidade já acabou».

É preciso ter muita lata para dizer isto?

Se assim fosse, com as aldrabices tantas vezes repetidas, com violação de inúmeros contratos e quebra de tantos compromissos assumidos pelo Estado, já muitos deste “tempo” tinham a justiça “à perna”.

Silvestre Félix

MONA LISA REJUVENESCIDA…


Está tudo virado do avesso.

Desde a “Mona Lisa” repetida e mais jovem, o Passos que continua a bradar ao universo que a transferência de 7% do vencimento dos trabalhadores diretamente para as empresas é que estava certo e que os empresários foram medrosos e burros. Benfiquistas que cometem o pecado de chumbar as contas de 2011, sportinguistas que, passando os fins de semana, nunca sabem a ementa para segunda feira, se, com Sá Pinto ou não, a igreja portuguesa de Olivença que ganha o prémio de melhor “cantinho” espanhol, o portátil português, Magalhães, que, mal amado por este poder, continua a bater recordes de vendas no estrangeiro, os segredos sobre os planos de privatização do último banco estatal, a CGD, o… e é melhor ficar por aqui porque, se não, até eu fico do avesso.

Silvestre Félix

MORTE E ÉTICA…


Porque o Conselho, que mandou a ética às urtigas e absorveu duma forma pura os ensinamentos e orientações da troika, legitimou que se aplique a dicotomia custo-benefício, nos gastos com tratamentos de cancro, VIH/sida ou doenças reumáticas, os do poder na saúde ficam com a consciência mais leve e já podem mandar cortar à vontade nas doses e na qualidade dos medicamentos.

Como será apurado o resultado custo-benefício?

Eu acho que «a saúde não tem preço», mesmo sabendo que de números feitos euros, se transformou tudo neste nosso País.

Eles acham que «para pouca saúde, mais vale nenhuma» e, cortando nas doses e na qualidade, «“matam” dois coelhos duma cajadada».

Silvestre Félix

FUNDAÇÕES E OS DESFILES…


De corte em corte, diz o canal oficial do Governo que o das Fundações vai render 200 milhões. Que se expliquem melhor todos, porque outros dizem nunca ter recebido euros do orçamento e alguns, que receberam, mas vieram diretamente de Bruxelas. Ainda, uma ou outra, comprovadamente prestativas de grande serviço público de qualidade, classificadas por baixo e penalizadas por cima.

Enquanto isso, a passerelle para desfile dos “topo de gama” em último modelo, não deixam de passar em todas as mostras de poder…

«CEGOS, SURDOS E MUDOS, NÃO SOMOS!»

Silvestre Félix

A VER NAVIOS...


À medida que os portugueses da média para baixo, empobrecem, os da média para cima vão tendo mais marcas de luxo a instalarem-se na Avenida da Liberdade da nossa Capital.

Agora é a vez duma mundialmente famosa e rica joalharia abrir a sua loja com um investimento de 10 milhões de euros. Cliente alvo, para além do português rico, os turistas brasileiros, angolanos e chineses.

A nós, os da média para baixo, que nos deixem admirar as montras… temos muita prática de só olhar…

desde Alcácer Quibir que “estamos a ver navios”.  

Silvestre Félix

FUTEBOL E OS MARCIANOS…


- São Petersburgo, quase sempre geladinha, ganhou uma inesperada subida de temperatura com a chegada dos craques Hulk, ex-F.C.Porto, e Witsel ex-Benfica. Os jogadores russos do Zenit não estão pelos ajustes nem pelos chorudos ordenados dos já, mal-amados novos milionários e armaram grande banzé com via aberta até ao Kremlin.

As voltas (à cabeça) que o dinheiro, dá!  

- Dizia-se do tipo distraído que “está na Lua”. Nestes conturbados tempos, “Lua” já é pouco, agora, há tipos que parecem estar em Marte. O Vice-Chanceler e Ministro da Economia da Alemanha considerou ontem, em Berlim;

«exemplar para a Europa e para o mundo, a aplicação do programa de ajustamento financeiro em Portugal»

Claro que, para português, só pode estar a referir-se a um outro sítio e, porventura, em Marte

Silvestre Félix

E A CRISE CONTINUA…


Acho que as intervenções de improviso do líder da oposição são de eficácia duvidosa. Ontem, na entrevista da RTP, depois de uma semana de acumulação de erros por parte do Governo e dos respetivos partidos, AJS não aproveitou a oportunidade para transmitir credibilidade e confiança aos portugueses. Pouco mais fez do que repetir ideias e frases tantas vezes já ditas que se tornaram “lugares comuns”. Tenho muita dificuldade em entender como não se dignou gastar alguma saliva falando para os que se manifestaram na rua e em todo o País, no passado Sábado.

Entretanto, do outro lado…

As críticas à intenção de alterar a TSU ficaram, dum momento para o outro, subalternizadas às desavenças partidárias do interior do Governo. Os analistas e comentadores passaram a preferir falar, tomando partido, das declarações de Paulo Portas e especular sobre a “resposta” de Passos Coelho.

Os “inteligentes” botam discurso e a crise continua…

E assim vai o meu País!

Silvestre Félix

OS PORTUGUESES FALARAM!


Tiveram o descaramento de desafiar os portugueses…

Ora, aí têm a resposta!

Diz-se, quando estamos cativos duma situação desagradável – “Estamos entregues aos bichos!”

Neste caso, são muito piores que os ditos “bichos” mas, como o “” não dorme e sabe sempre quem não é do “bem”, ponham-se “a pau” que podem não ter tempo de fazer a mala!

Silvestre Félix

(Foto: Manif15Set2012 –O Público Online)

NEIGHBOURS De Lília Momplé


A história contemporânea de Moçambique foi escrita com muito sangue de luta pela liberdade e dignidade dum povo de incomensurável caráter. O fim da colonização portuguesa e a chegada à independência, não trouxe de imediato a tão esperada paz e o tão desejado desenvolvimento.

Lília Momplé, em “Neighbours” (palavra inglesa que significa “vizinhos”), retrata bem a conturbada vida moçambicana pós-independência. A maior ameaça vinha exatamente da “vizinha” África do Sul do apartheid que, entretanto tinha acolhido alguns colonos portugueses inconformados com a libertação moçambicana.

Lília, a partir duma fórmula simples, baseada em acontecimentos reais e com uma narrativa muito direta, conta-nos o drama humano vivido pelo povo moçambicano naqueles anos a seguir à independência.

Lília Momplé nasceu em 1935, na Ilha de Moçambique. Tem tido uma intensa atividade dentro e fora do seu País, chegou a ser membro do Conselho Executivo da UNESCO em Paris e é membro de honra da Associação dos Escritores Moçambicanos, onde já exerceu os cargos de Presidente e Secretária-Geral.

É uma edição da Porto Editora de Julho de 2012.

Silvestre Félix

(Gravura: Capa do livro do site da editora)

BAIXEZA...


Independentemente da “baixeza” que são os nossos políticos que prometem tudo e mais alguma coisa com o único propósito de levar os eleitores “à certa”, temos aqui uma clara desobediência ao Tribunal Constitucional na opinião de vários especialistas.

As críticas não são exclusivas dos afetos à oposição, também vêm da “zona” apoiante do Governo. Continua a não haver “equidade”, são só os assalariados (como é costume) que levam com a “ripa”, não se sabendo nada no que respeita às “gorduras”, à contribuição do capital, das PPP, dos lucros e, principalmente, dos grandes rendimentos individuais.

O Governo, o que fez foi; manter o corte dos dois subsídios no público e nos pensionistas e, aproveitando a desculpa do TC, sacar também um subsídio aos trabalhadores privados que vai direitinho para as tesourarias das empresas. Com o negócio ainda foi buscar mais 500 milhões do que antes.

O Governo, ontem, acabou de virar os últimos resistentes contra si. Agora nem vai mais haver neutros ou, em votações, abstenções – todos estarão contra!   

Silvestre Félix

“FALA AO PAÍS”, O PRIMEIRO…


Quando um Primeiro-Ministro “fala ao País, nunca é para dar boas notícias. Pois o que vai acontecer hoje ao princípio da noite há de ser “mais do mesmo”. Austeridade em cima de austeridade. Esta é a certeza!

Se “falasse ao País” numa praça pública, para além das habituais vaias, acabaria cheio de tomates e ovos podres a escorrer-lhe pela fatiota.

Ainda assim, esteja onde estiver e fale onde falar, terá sempre um “TOPO DE GAMA” para o levar de volta.

Silvestre Félix

TROIKADERO…


Desde a transformação do nosso País num “troikadero” que nos habituamos a fazer constantes exercícios de adivinhação para tentar perceber – o que mais nos irá acontecer.

Todos os dias, os “inteligentes”, nos dizem que o dinheiro é um bem escasso e que a crise foi provocada pelo excessivo endividamento, que a banca precisa de apoio com financiamentos diretos, etc., etc.

Então, mas não foi a banca que nos meteu dinheiro a crédito pelos bolsos dentro sem nós, muitas vezes, precisarmos?

Não foi o crédito sem limite e sem critério, anos a fio, o melhor negócio para os bancos? 
   
Não foi este sistema que originou lucros chorudos para os acionistas da banca?

Que se saiba, não houve nenhum “alto de fé” de notas de euros aqui, na Europa ou em qualquer outro sítio do mundo. As notas hão de estar em qualquer lado.

Enquanto os usurários com os cofres a abarrotar nos emprestam a 8, 9 ou 10% porque viramos “troikadero”, utilizam os seus “estados” e as instituições que controlam, para “parquear” o dinheiro inativo a juros negativos. Ou seja, o capital que devia estar a ser investido na economia para dinamizar o crescimento, está “parqueado” em alguns Países nossos parceiros (??) e nos autorizadíssimos paraísos fiscais.

Desde que existe economia global e capitalista (descobrimentos), a moeda nacional representa 2/3 da soberania de qualquer País.

Silvestre Félix

LÍTIO - O OURO MODERNO

Contestação à exploração de Lítio-Serra da Estrela-24.08.2019  (DN online) Muitas regiões do nosso país têm o subsolo a abarrotar de o...