O CAMINHO DO SUL

Não tenho andado por aqui porque tomei o caminho do sul.

Depois dos “santos” e dos “gémeos”, o desnorte leva-nos para o calor na direcção do meridiano.

O reino dos Algarves aproxima-nos do deserto e do continente africano onde tudo começou e onde o Preste João guardava as especiarias levadas em tempo de nascimento do salvador.

O braseiro do Algarve na raia de Espanha, amansa-nos as vontades e faz-nos suar as estopinhas.

Este sol ao sul, mesmo sem suão, queima que nem pira engalanada na praça medieval, na execução do mandado da inquisição que nos diminuiu, nos atrasou, nos embruteceu e nos tornou pecadores de pecados cometidos pelos outros.

Pelo reino dos Algarves ficarei até que a execução orçamental me mande de volta à brisa temperada de que já tenho saudades.

SBF

PRATELEIRA DE LIVROS


“Preciso Viver”
de Mafalda Gameiro

Com prefácio de António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados desde 2005, é um livro com quatro histórias de vida que mais parecem ficção do que verdadeiras.

A Mafalda Gameiro escreveu o que ouviu de – Uma albanesa, uma curda, um birmanês e uma ruandesa. Como se vê, todos países com assento nas assembleias do mundo à excepção do Curdistão que, como se sabe, se distribui pela Turquia (maior parte), Iraque, Síria e Irão. Em boa verdade é um País ocupado em que o seu povo se manifesta pelas mais diversas formas mas, a comunidade internacional vai fechando os olhos.

A todos os quatro foi concedido o estatuto de refugiados em Portugal e o Centro Português para os Refugiados acompanhou a sua integração no nosso País.

São histórias de arrepiar, mas que correspondem ao que se passa todos os dias nos sítios de onde estes refugiados vieram, mas também em muitos outros lugares por esse mundo fora.

“Preciso Viver” de Mafalda Gameiro que conhecemos bem de muito boas reportagens/documentos transmitidas na RTP.

1ª Edição de Maio de 2006 da Verso Kapa em que parte da receita reverte a favor do Centro Português para os refugiados.

SBF

(Foto: Capa do Livro)

NELSON MANDELA



A 18 de Julho, Nelson Mandela completou 91 anos de idade.

Símbolo da humanidade!

Responsável pela coerência da luta contra o “apartheid” no seu País, a África do Sul, e pela posteriori passagem para a democracia. Em 1990 o Presidente do regime racista, Frederik Klerk mandou que o libertassem da prisão onde esteve durante 27 anos. Este último Presidente do “apartheid”, acabaria por dividir o Nobel da Paz com Nelson Mandela em 1993. Ainda hoje se visitam.

Para além da importância que tem na África do Sul, passou a ser, mesmo quando ainda estava preso, um símbolo de justiça em todos os países do mundo.

Não tenho dúvida nenhuma em escolher o Mandela como maior figura mundial da actualidade.

SBF
(Foto: Imagem de 1998 - Wikipédia)

O CABOUQUEIRO E A CIÊNCIA DA PEDRA

O CHICO ERA UM DELES…

Quando estava a chegar à esquina, e de ouvido o Coutinho que era Bernardino continuava melhor que todos, começou a ouvir uma fala assim… como um discurso bem falado.
Quem havia de ser, o “caladinho”. Lá está ele… mas…, o fulano está a falar sozinho. Pois claro, se estivesse alguém, como de costume estava calado. Deixa lá ouvir o que este marmanjo diz…

É verdade, e os soldados lá iam, todos certinhos, em bicha pirilau, a subir a escada do navio, e no cais, uma multidão a dizer adeus…, eram as mães, os pais, as mulheres, os filhos e toda a família. Era um mar de lenços brancos. Os soldados, à medida que iam chegando lá acima, voltavam-se, e tentavam corresponder aos acenos. Alguns dos que subiram, não voltarão vivos. A guerra é assim, e eu vi o navio começar a deslizar nas águas do Tejo. O cais da Rocha Conde de Óbitos, deixou de ser da carga a granel e passou a ser também de soldados a granel. Muitos espíritos estão revoltados. Nos que ficaram e nos que foram. Mas o “botas” disse: «depressa e em força para Angola», e o “botas” e a pide e o marido da Gertrudes e os peões do tabuleiro e os de brega ainda mandam, e o Zé não consegue reverter a situação.

Olha lá oh “Caladinho”, o que estás para aí a dizer, que eu bem ouvi, mas não percebi patavina?

Eh pá!... nem te senti chegar, oh Coutinho que és Bernardino. Estava a falar com os meus botões.

Botões? Então soldados, navios, Angola, botas, pide, isso é lá conversa de botões? Antes de mais nada, e para ver se te entendo, vou pedir uma charrete. Oh Ramos! Já vai. Diz o Ramos. Chega lá uma charrete, não, não! É melhor só um de três tinto, depois logo se vê como é que fica a secura.

Oh Caladinho, não está aqui mais ninguém, explica-me o que é essa coisa dos botões e soldados e botas e pide.

O Caladinho, olhando sempre à volta e para a porta, lá foi dizendo.
O Chico era um deles. Não sei se o vou voltar a ver. A minha Irmã criou aquele menino com tanto amor, tanto carinho, e agora o “botas” manda-o para a guerra e ainda por cima no dia 19 de Julho que é quando faz anos. O que tem ele a ver com a guerra? Bem que ele queria ir era para a França, a salto, em vez de ir para Angola. O Delgado é que devia ter posto mãos a isto. O “botas” ia logo tratar da horta para Stª Comba Dão e a Gertrudes não tinha chegado a ter um marido Contra-Almirante e Presidente da República.

Extracto de: “O Cabouqueiro e a Ciência da Pedra” – Autoria: Silvestre (SBF)

OS NOSSOS PROFESSORES

Os dirigentes sindicais dos professores e a Ministra da Educação voltaram hoje às manchetes.

Uma parte de razões, são as mesmas. O sistema de avaliação e estatuto da carreira docente. A outra parte, embora todos saibamos mas que nunca vem à baila é o nível salarial destes profissionais.

Pois é, foi hoje (16.07.09) divulgado em relatório da Comissão Europeia, que os habitualmente queixosos professores portugueses, são os campeões, em toda a União, no que respeita a bons vencimentos no fim da carreira, considerando o nível de vida praticado em Portugal.

É tempo de reconhecermos que os nossos funcionários públicos, duma forma geral, e em particular os professores, que também são campeões em protestos e reivindicações, têm uma situação profissional muito mais favorável que os trabalhadores da economia privada.

SBF

O REVOLUCIONÁRIO

Palma Inácio deu luta a Salazar. Antifascista com letra grande no terreno e nos anos que passou nas prisões da pide.
A geração dos que resistiram à ditadura e enfrentaram Salazar, está a acabar. É a lei da vida.

Aquela imagem à saída de Caxias a 25 de Abril de 1974 com um casaco aos quadrados, está bem na minha recordação e na da maioria dos que festejaram a queda do antigo regime.

Como bem se sabe, Palma Inácio aderiu ao PS já em liberdade. Como felizmente aconteceu com outros revolucionários, também ele não se instalou na canga do poder.

Neste dia 15 de Julho de 2009 foi o funeral do Revolucionário.

SBF

TOMADA DA BASTILHA



Ontem foi feriado nacional em França. Comemorou-se a Tomada da Bastilha acontecida em 14 de Julho de 1789.

Foi uma acção preponderante para o que se chamou, e chama, Revolução Francesa.

A Tomada da Bastilha, fortaleza - prisão em Paris, foi decisiva, não tanto pela importância como prisão ou fortaleza, mas pela simbologia. O Povo conseguiu conquistar um dos símbolos do poder absoluto francês.

Dos acontecimentos todos da Revolução Francesa, que decorrem entre Maio de 1789 e Novembro de 1799, a Tomada da Bastilha, transformou-se no principal feriado francês. É a festa. É o Dia da Bastilha.

Com a Revolução Francesa considera-se o início da idade contemporânea. Teve influência em todo o mundo civilizado da altura.

Dada a diversidade de datas, de protagonistas e acontecimentos durante estes dez anos, a matéria académica deste período da história universal, não costuma ser muito do agrado dos estudantes de história por obrigação. Ao contrário, quem estude a Revolução Francesa por gosto da história, é uma época rica de aprendizagem e compreensão da evolução da nossa sociedade até aos dias de hoje.

SBF
(Gravura: Wikipédia)

ASAE

Então só agora, a 3 meses de eleições e tanto tempo depois da ASAE andar por aí à “caça”, é que se lembram de dizer que o organismo é inconstitucional? E é um Tribunal de Relação que o diz? Como hoje já afirmou o Ministério da Economia, só o Tribunal Constitucional o pode fazer.

Nunca simpatizei com a forma como a ASAE faz as suas abordagens no terreno. Acho mesmo que nalguns casos, abusa do poder que tem (ou pensa que tem), ou, pelo menos, não utiliza o bom senso, mas, também não tenho dúvidas, que era necessário a ASAE ou qualquer instituição, que pusesse ordem em muita coisa… Com conta e medida, claro!

E agora? Em que ficamos? É ou não é? Enquanto não se esclarecer tudo, é evidente que a ASAE está, pura e simplesmente, descredibilizada. Mais uma facada para o Governo do PS.

SBF

PRATELEIRA DE LIVROS



O Afinador de Pianos
De Daniel Mason

A pretexto da necessidade de afinação de um piano existente algures na selva da Birmânia, Edgar Drake vai fazer uma viagem com destino a uma realidade cheia de perigos e em tudo diferente do que até aí conhecia.

No final do século XIX, a Birmânia fazia parte do Império Britânico e, para garantir a sua soberania no território, tinha guarnições militares em sítios muito distantes das cidades e aldeias. É num desses sítios, em plena selva e nas margens de um rio birmanês, onde está o tal piano que o afinador Edgar tem de encontrar.

Na capa interior do livro lê-se: Na sua viagem através de um mundo até aí totalmente desconhecido, Edgar conhece soldados, místicos, bandidos, contadores de histórias… e uma mulher tão fascinante e enigmática como o próprio major médico em cujo forte, num remoto rio birmanês, vai encontrar uma realidade mais misteriosa e perigosa do que alguma vez poderia imaginar.

Este foi dos tais, que não conseguia parar. Só descansei quando cheguei ao fim.

É um romance fascinante sendo o primeiro do autor Daniel Mason, jovem escritor norte – americano que passou um ano a estudar a malária na fronteira da Birmânia com a Tailândia, onde uma boa parte deste romance foi escrito.

Publicado em Portugal pelas Edições ASA -1ª em Novembro de 2003.

SBF

(Gravura: Capa do Livro)

PRESO POR TER CÃO E…

Exames nacionais de português do 9º ano. Dobro das negativas em relação ao ano passado. Exigem os professores, que Governo explique as razões deste insucesso.

Há umas semanas atrás, o Governo foi duramente criticado por professores, associações disto e daquilo, toda a oposição e até o PR deu um jeito, pela taxa alta de positivas noutros exames. Porque eram muito fáceis, porque era só para a estatística, blá, blá, blá!

O Governo PS está completamente entalado. Qualquer espirro que se dê, em qualquer sítio, o Governo PS é o culpado e se calhar é “gripe A”.

O PS tem a sua culpa. Nas últimas semanas tem cedido escandalosamente aos pedidos do PR, às insinuações do PSD às exigências da esquerda. Deu o dito por não dito numa série de coisas, adiou outras, e, na prática, está tudo como disse o Rangel na noite de 7 de Junho. O PS obedeceu.

E agora? como ficam os que acreditaram nas reformas do PS? Como se sentem os que acham, que o aeroporto e o TGV já deviam estar no terreno? Todos sabemos que estamos em cima das eleições. Mas, também não é bom para o PS que o Governo abdique da sua legitimidade até ao período normal de “só gestão”.

SBF

OS JOGOS DA LUSOFONIA

Os Jogos da Lusofonia são uma boa iniciativa da nossa comunidade. Todas as formas conjuntas de nos apresentarmos ao mundo, reforçam os laços que nos unem e engrandecem a língua portuguesa que já tem dimensão universal.

Portugal está Geograficamente na Europa e faz parte da União Europeia. Politicamente tinha e tem de ser assim e é nesse tabuleiro que jogamos. Embora nem tudo sejam rosas, seriam muitos os espinhos se não estivéssemos na EU e na zona do Euro. Capitalizando esta conformidade, que é sempre do nosso interesse, a nossa porta natural continua a ser o oceano Atlântico. É sempre para o mar que nos viramos e foi esse o caminho que nos levou à aventura.

Em consciência, e puxando ao sentimento, que ligação temos: à Holanda, à Alemanha, à Rep. Checa, à Suécia, à Dinamarca, etc, etc, em comparação com Cabo Verde, Guiné, Índia (Goa, Damão e Diu), Angola, S. Tomé, Brasil, Moçambique, Macau e Timor? Claro que a resposta só pode ser uma.

Na Europa, talvez à excepção dos nossos vizinhos espanhóis, nunca tivemos nem temos laços afectivos. Com a Espanha é diferente, somos farinha do mesmo saco. Ao longo dos tempos sempre nos ligou: um irmão, um primo, uma filha ou um filho, até a nível de Estado. A origem dos nossos antepassados é a mesma. O facto de termos fronteira conjunta, conta para o bem e para o mal. Para o bem, porque sempre estivemos próximos, para o mal, porque a defesa dessa fronteira trás sempre lutas e algum sofrimento.

O nosso coração e as verdadeiras parcerias com toda a carga afectiva que possamos pôr aqui, estão no mundo lusófono. É nesta comunidade que nos sentimos inteiros e válidos como povo que deu novos mundos ao mundo, e como precursores da globalização contemporânea.

SBF

ELES FALAM E A CRISE NÃO PASSA...


Um banco, mesmo sendo o BPP, por um euro? Se a moda pega, a coisa vai tornar-se complicada.

E o Alegre continua a dizer que este PS tem de ser outro. Como é que pode?

Aquele porta-voz, valha-me Deus, como é que conseguiu passar no casting?

A sinfonia da Sanfona não para de tocar. É a propósito do relatório de bota-abaixo o Constâncio, doutra vez é a sinfonia das duplas candidaturas.

E a MFL que rasga e agora já não rasga e amanhã vai rasgar outra vez. Mas então em que é que ficamos? Ou rasga ou não rasga?

E o “Nobel”? Ai, mas que bem. Apoiar o António Costa não lhe fica mal. O Jerónimo é que não gostou, mas, que havemos de fazer? – Comunista, comunista, mas “à minha maneira” - Já transferiu a residência para Lisboa? Já agora, até lhe ficava bem.

Na sexta-feira, o Palácio de S. Bento virou passerelle. Caras bonitas e pernas longas, para disfarçar os fatos cinzentos do plenário.

Podiam montar a passerelle mais vezes, assim, quando o discurso não agradasse, os eleitos, lá podiam ir desanuviar.

SBF

CAMINHO MARÍTIMO PARA A ÍNDIA


A 8 de Julho de 1497, fez agora 512 anos, Vasco da Gama e mais 170 homens, em 3 naus e um navio de mantimentos, a mando de D. Manuel I, saíram a barra do Tejo com destino à Índia. Desta vez era mesmo para chegar à verdadeira Índia.

É que, 5 anos antes, Cristóvão Colombo embarcou por conta dos Reis Católicos com destino à Índia, mas, em vez disso, chegou, ao que viria a chamar-se América. Na época, essas terras ficaram conhecidas por Índias Ocidentais. Daí os povos americanos passarem a ser conhecidos por Índios. Como hoje já se vai sabendo, tudo não passou de um acordo com D. João II de Portugal que, sabendo já da existência de terra firme em linha recta para ocidente, à partida da ilha de Santiago em Cabo Verde, pelas viagens arrojadas de Corte-Real e João Coelho. D. João II conseguia assim, jogar em dois tabuleiros. Alinhava nesta manobra de diversão e guardava o segredo q.b., como chegar à verdadeira Índia por mar, tendo como referência lendária o “Reino do Preste João” com o ponto de costa oriental de África, que tudo leva a querer, seria Melinde. Daqui até Calecute, era um pulo em linha recta. Por outro lado, mantinha o acordo com Colombo que, mais tarde ou mais cedo, havia de dar os seus frutos.

D. João II morreu. Tudo leva a crer que assassinado por envenenamento. Por causa do inesperado levou com ele muitos segredos. Sucedeu-lhe D. Manuel I e a empresa para descoberta do “caminho marítimo para a Índia”, continuou na ordem do dia. A sociedade portuguesa não estava unida sobre esta empreitada, porque já naquele tempo havia os velhos e velhas do Restelo. Mas os progressistas (à época) ganharam, e lá foi Vasco da Gama para a Índia. Até ao Cabo da Boa Esperança tudo já era conhecido, mas, daí para a frente, era tudo novo. A 14 de Abril de 1498 estavam em Melinde, na costa do actual Quénia, depois da subida desde a Baía de S. Brás na actual África do Sul, passando por Moçambique onde a armada se deteve muitos dias. Os povos locais eram amistosos, e Vasco da Gama teve ocasião de reparar e reorganizar a armada em estadias amigáveis, enquanto aguardava por ventos favoráveis. Quanto mais para cima, e principalmente depois da Ilha de Moçambique, os locais eram convertidos ao Islão e, em Mombaça, as coisas não correram lá muito bem.

Chegados a Melinde, e de lá saindo em 24 de Abril, navegando em linha recta para nordeste, em menos de um mês estavam a aportar a Calecute, na costa ocidental da Índia.

O grande negócio das cidades mediterrânicas de Veneza e Génova, estava, a partir de agora, desfeito. Lisboa passaria a ser a grande placa giratória do comércio das especiarias do oriente. Tudo passa por Lisboa. Os produtos que chegam e os que embarcam para o resto da Europa. Era a época de ouro de Portugal.

Infelizmente, alguns anos depois, empurrado por um capricho de paixão assolapada, D. Manuel fez a asneira que os de Castela e Aragão já haviam feito, expulsou os Judeus do reino. Era grande a importância que os Judeus tinham na organização da sociedade a todos os níveis, desde a organização dos serviços da própria coroa, as finanças, o comércio, as artes e os ofícios passando até pela preparação da emergente marinha real. Com a sua falta e sem alternativas, começou, a pouco e pouco, o declínio do País em muitas vertentes que, tenho a impressão, nunca mais recuperou.

Esta viagem iniciada neste dia 8 de Julho de há 512 anos, é que deu dimensão ao nosso império do oriente. Seria a partir da costa do Malabar que os navegadores e conquistadores portugueses, com destaque para Afonso de Albuquerque, o “Leão dos Mares da Ásia” como era conhecido, chegaram a centenas, senão milhares de ilhas da actual Indonésia e Tailândia, a Timor, à Austrália, a Macau na China, ao Japão, Malaca, actual Malásia, Ceilão actual Siry Lanka, todas as praças da península arábica do golfo pérsico e costa da Pérsia, toda a costa oriental de África incluindo Madagascar.

SBF
(Dicas: Afonso de Albuquerque de Geneviève Bouchon; O Segredo da Rainha Velha de Fina d'Armada e Wikipédia)
(Fotos: Em cima - Monumento descobrimentos em Belém, Lisboa; Ao meio - Desembarque de Vasco da Gama; Império Português século XVI. - Wikipédia)

COMISSÃO DE INQUÉRITO – BPN

Até parece que foi o Governador do BdP que praticou os actos ilícitos no BPN!

O voto dos partidos de oposição (da esquerda à direita), relativamente ao relatório da comissão parlamentar, não é mais do que a repetição do que se tem passado, ao longo da legislatura, na Assembleia da República. A maioria do PS vota num sentido e todos os outros grupos, votam noutro.

Não restam dúvidas, é que as falcatruas de que é suspeito o ex-presidente do BPN e seus apaniguados, não estão muito longe de estarem branqueadas. Lê-se, em grandes parangonas da imprensa diária, que já não se justifica que o senhor esteja em prisão preventiva. Está tudo encaminhado para que possa aguardar o julgamento em casa.

Os nossos digníssimos representantes na AR, continuam a ter uma visão redutora que se limita aos interesses partidários. É claro que todos já têm o melhor candidato para ocupar o lugar do Dr. Victor Constâncio. E depois do Governador vêm os outros, é o velho lema “jobs for the boys”.

Os que agora reclamam culpa da regulação, e que querem a cabeça do Governador, ainda não há muito tempo, gritavam pela desregulamentação em tudo e mais alguma coisa, pelas privatizações mais absurdas, era a onda neoliberal.

São os políticos que temos!

As honrosas excepções confirmam a regra.

SBF

FEIRAS MEDIEVAIS

Já existem em Portugal boas e interessantes feiras medievais. Infelizmente, realizam-se muitas outras, que de “feiras medievais” só têm o nome.

Não basta armar meia dúzia de tendas para vender bijuteria, peças de roupa e acessórios da América do sul, artesanato e roupa do norte de África, ginjinha e outros licores, bolos rústicos, sonhos e filhoses, pão com chouriço e copos de vinho, sangria e bagaço. No meio um trapézio fixo para dar suporte a uns números aéreos e malabarismo no chão. Isto tudo banhado com som musical, esse sim, medieval ou parecido com isso.

Foi isto que vi ontem na Praça D. Fernando II, em S. Pedro. A Câmara Municipal de Sintra, desde há uns anos, tem organizado aquilo que chama, salvo erro, “rotas medievais “ e, pelo que se percebe, os mesmos tendeiros, montam e desmontam conforme os sítios acordados.

Para que este tipo de eventos resulte, é necessário mais trabalho e alguma imaginação. Acho que têm de estar evolvidos num pacote histórico/cultural. A feira, no seu todo, tem de ser uma grande representação (devidamente referenciada no tempo) respeitando um guião. Os participantes têm de estar envolvidos nesse grande palco, naquela época, naquele ano ou naquele dia e que se localiza naquele sítio. Os visitantes têm de perceber e, se for o caso, aprender, que estão em determinada época a festejar ou a assistir a um acontecimento, como se estivessem a recuar no tempo.

SBF

PRATELEIRA DE LIVROS


O SEGREDO DA RAINHA VELHA
De Fina’Armada

Para quem gosta de Romance Histórico, e particularmente, da nossa História, não pode deixar de ler este livro.

A autora é historiadora e mestre em «Estudos sobre as Mulheres» pela Universidade Aberta de Lisboa. A sua vasta obra, assenta em genuína pesquisa e investigação, tendo produzido óptimos trabalhos de que é exemplo este romance sobre a vida de D. Beatriz, mulher influente e com verdadeiro poder praticamente durante os três últimos quartéis do século XV.

Pela sua vida passaram Reis, Rainhas, Princesas e Infantes, entre eles, o mais importante D. Henrique, pois, D. Beatriz, viria a casar-se com o seu filho adoptivo D. Fernando. Foi sogra de D. João II, Governadora da Ordem de Cristo, esteve ligada a Cristóvão Colombo, e o seu filho Manuel acabaria por vir a ser o Rei D. Manuel I.

“Rainha Velha” porque Gil Vicente assim lhe chamava sempre. D. Beatriz morreu com 77 anos a 30 de Setembro de 1506.

A edição é da “Ésquilo-Edições & Multimédia” primeira de Outubro de 2008.

SBF

(Gravura: Capa do Livro - Edições Ésquilo)

NACIONALIDADE


Todos nós, por uma razão ou outra, já tivemos vontade de emigrar e muitos já foram e voltaram. Numa grande parte das vezes, vamos, porque somos forçados a isso. É a procura das oportunidades que aqui não existem. No tempo da outra senhora havia ainda um outro motivo, ou o exílio puro e simples, ou a fuga à guerra colonial.

Os motivos podem ser muitos mas, no estrangeiro, os Portugueses não deixam de ter saudades e não são raras as vezes, em que até se apercebem dos aspectos positivos do País e aprendem a gostar ainda mais de ser quem são e a ter orgulho nisso.

O que eu não consigo perceber, é que existam portugueses que reneguem a nacionalidade. É verdade, nestes dias foi notícia na nossa comunicação social, que a pianista MJ Pires optou por deixar de ser Portuguesa.

A senhora até pode ter as suas razões de queixa, mas não haverá nenhuma que justifique tal decisão. Se as suas razões estão certas, o que até ver, não é garantido, com uma atitude destas, perde completamente a razão e o apoio da generalidade dos portugueses.

SBF
(Foto: Cores da Nacionalidade - Wikipédia)

O CABOUQUEIRO E A CIÊNCIA DA PEDRA

AS TROPAS

Aquela manhã preparava um dia de calor a sério, nem vento a norte, nem véu na Serra com direito a ver a ponta do Palácio da Pena. O Coutinho que era Bernardino já tinha no bandulho as sopas de cavalo cansado que a Judi Caracoleta lhe havia preparado. O descanso na noite tinha passado depressa e, na cabeça ainda zonza, martelava aquela conversa de ontem à noite na taberna. Dizia aquele fulano bem posto, que parece trabalha na fábrica nova de Mem Martins e lhe chamam “o caladinho”, porque nunca diz nada e de vez em quando sai-se com umas que a gente não percebe, que tinha começado uma guerra nas Áfricas e que os nossos tropas iam começar a ir para lá combater. O pessoal ficou todo de orelhas em pé e de roda dele, todos quisemos saber mais, mas ele, como era costume, ficou muito assustado a olhar para todos os lados e para a porta, pagou a rodada de “ciganas”, e pôs-se a andar.

Bem, o Coutinho que era Bernardino, com aquelas “marteladas” na cabeça, lá saiu de casa e a passar o Santo António, cruza o caminho com o Chico da Beloura que lhe fez a conversa do tempo… que vai estar muito calor, que as ovelhas estão cada vez mais gulosas, que assim, que assado… e o Coutinho que era Bernardino, lá ia arrojando o esqueleto até às pedreiras do Ti Miguel, com o peso da picareta e ao dependuro no cinto de couro, aquele que o Cagachuva lhe arranjou vai para cinco anos, ainda antes de se ajeitar com a Judi Caracoleta, (tomando o fio) o martelo de corte, o escopro de pedra e a marretinha, tudo que lhe fazia falta naquele dia, para aplicar, com toda a sabedoria, a sua arte. Não havia um único santo dia que o Coutinho que era Bernardino, com mais ou menos charretes ou ciganas na pança, não dissesse a alguém que;

«Eu sou cabouqueiro… eu tenho a ciência da pedra!»

(A solidão era rainha e, por isso, muitas vezes tinha que o dizer para a própria pedra ou para as ferramentas)

«Olha lá oh marretinha …(soluço) eu já te disse que tenho a ciência da pedra? (soluço)»

«E a marretinha: Sim, já me disseste!»

«E o Coutinho que era Bernardino continuava; Oh martelo de corte… (soluço) Eu já te disse que sou o melhor cabouqueiro da Abrunheira e arredores?»

«E o martelo de corte lhe dizia; Já, e muitas vezes. (continuava o martelo de corte) Oh Coutinho que és Bernardino, com o calor que está e porque as pedras não fogem, porque é que não vais à Ti Emília meter mais uma ou duas charretes no bucho? Assim refrescavas e davas descanso à gente.»

«E logo o Coutinho que era Bernardino; Olha, se calhar até é boa ideia.»

(CONTINUA)

Dicas: Charrete – Garrafa de mais ou menos 40 cl cheia de vinho tinto do barril; Cigana – A mesma coisa, mas a garrafa é de 33 cl; Marretinha – Marreta pequena para trabalhar pedra.

Autoria: Silvestre (SBF)

GRIPE A

Os casos no nosso País estão a crescer assustadoramente. Só hoje foram diagnosticados sete novos doentes.

Todos esperamos que as coisas não se compliquem, mas o mais certo é que os infectados se multipliquem até o programa de vacinação fazer efeito.

Devemos ser rigorosos no cumprimento das regras que as autoridades sanitárias têm divulgado, e nada de facilitar.

SBF

ESTADO DA NAÇÃO E…

E como se de sessão taurina se tratasse, lá foi um ministro à vida. Agora que se foi embora, é só elogios, até da oposição. Eu, na minha modéstia opinião, também acho que era dos melhores ministro que o governo tinha.

Triste, triste, é o debate sobre o estado da nação se ter ficado pela demissão de Manuel Pinho e pouco mais.

SBF

ATÉ AO ROSSIO…

A mala abriu-se e lá rolou a laranja e a maça pela rua, e só pararam na linha do comboio. Os magotes, que já estavam colocados no sítio onde habitualmente paravam as portas no sentido do Rossio, riram-se da cena mas, a maior parte não viu de onde veio a fruta. Claro que eu disfarcei e fiz de conta que não era nada comigo.

Ainda em tempo da outra senhora IC 19 não era e, em vez, estrada Lisboa-Sintra com transito rolando. O andante de quatro rodas era quase luxo e lá iam os patrões, encarregados e afins. A força de trabalho enchia até à boca o comboio da linha de Sintra. Se empurrar já não dava, de poleiro na porta e vento na cara arriscando em segurança.

A sueca e a bisca, umas vezes lambida e outras a seco, lá encurtava a viagem na cabeça do balconista ou do escriturário. O fumo era tanto que, naquela manhã cedo, até parecia o nevoeiro entrando pelas janelas. O sono vencia, mesmo em pé, apertadinhos íamos baloiçando sem cair.

Risota e galhofa, Tonecas sempre até ao Rossio. Na saída, ninguém saía… mas porquê? Grande confusão e barulho de multidão. Tonecas e aventura fura e quer ver e vê, e vejo eu do lado dos Restauradores os de choque de cassetetes e viseiras e dois canhões de água com muita força. Do lado do Rossio praça, uma barreira de batinas negras resistiam mas recuavam.

Liberdade! Liberdade! Abaixo a guerra colonial! Abaixo! Eleições livres! Eleições Livres! Viva a Associação Académica! Viva!

A Liberdade chegou mais ou menos um ano depois.

SBF

A VERDADE NÃO ERA!


A verdade da líder do PSD, sobre quem decidiu a venda da rede à PT em 2002, afinal não era!

A transacção foi mesmo aprovada em conselho de ministros no tempo em que esta senhora, era Ministra das Finanças há cerca de 6 meses.

A MFL precisa de mudar de “pose”. Escusa de andar a tentar convencer o pessoal, porque é tão falível como os outros. Esta coisa de andar sempre a dizer que (só ela) é a verdade, que só o seu projecto é a verdade, que só o seu partido fala verdade, etc, etc,… É meio caminho para me fazer desconfiar.

“Imaginem a figura em BD;”

(Assim que se aproxima um jornalista, ela levanta o indicador direito e diz antes que lhe perguntem alguma coisa)

“Eu digo sempre a verdade e nunca me engano, ah! E também não devo nada a ninguém!”

SBF

LÍTIO - O OURO MODERNO

Contestação à exploração de Lítio-Serra da Estrela-24.08.2019  (DN online) Muitas regiões do nosso país têm o subsolo a abarrotar de o...