Avançar para o conteúdo principal

ESCOLAS, COMUNIDADES E PONTOS DE PARTIDA

As médias dos resultados dos alunos que servem de base para as classificações ou “rankings” das escolas portuguesas, vão ditando, injustamente, a qualidade ou não de cada estabelecimento escolar.

Quando se estabelecem as mesmas metas para pontos de partida diferentes, alguma coisa está mal.

As escolas não são “corpos” isolados do meio onde estão inseridas.

…. Os pais do Quim estão desempregados. Moram num bairro social. O pai, não consegue emprego fixo há mais de cinco anos. Ultimamente, tem recorrido a alguns biscates na construção civil, mas recebe sempre muito pouco. A Mãe, desde que a fábrica faliu, tem recorrido ao trabalho a dias, depois das 3 horas de limpeza, duas vezes por semana, das seis às nove da manhã. Há muito tempo que se lhes acabou o subsídio de desemprego. O Quim, tem dias que, por não haver pão em casa, só quando chega à escola pública come e bebe leite. Este ano, foi muito difícil os pais comprarem os livros. Mesmo assim ainda faltam dois. Só aos cinco anos conseguiram vaga para o Quim, no Jardim de Infância…

…. O pai do Martinzinho trabalha numa “startup” e a mãe é médica num hospital privado. Têm um bom rendimento e o Martinzinho anda no melhor colégio privado da região. Moram em condomínio fechado numa moradia com seis assoalhadas com piscina e jardim desafogado. Todos os dias, antes de saírem para as suas ocupações, sentam-se os três na mesa da copa e a Elvira serve-lhes um pequeno almoço substancial. O Martinzinho está no colégio desde bébe e aos quatro e meio já sabia ler na perfeição. Tem computador e tablet desde sempre e, aos cinco, o primeiro smartphone. No colégio, ao almoço e lanche, tem ementa escolhida pelos pais à semana. Todos os dias tem atividades extracurriculares que os pais pagam à parte. A partir das dezanove horas, o pai ou a mãe vão busca-lo já com os TPC feitos e corrigidos….

Estas duas realidades não são comparáveis nem podem constar na mesma lista de avaliação.

Silvestre Félix
18.12.2016
Etiqueta: Educação Foto: Google (Textos ficcionados por mim. Qualquer parecença nos nomes ou factos, é coincidência.)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

COLÉGIO INTERNO

A propósito do “post” anterior, fico desesperadamente incomodado quando vejo miúdos de 9 anos, neste País que é o meu, ingressarem em colégios internos militares. O ensino (vertente académica) ministrado, até pode ter muitos méritos, mas, já o facto de ser em regime interno, separado dos amigos e de quem mais se gosta, na minha opinião, é muito mau. Eu nunca faria essa maldade a um filho meu. Aqui tem a agravante de ser um autêntico quartel de tropa prevalecendo toda a ordem e disciplina militar.
Estou a recordar-me duma grande reportagem transmitida há dias, salvo erro pela SIC, sobre um colégio com estas características, e percebi que alguns dos miúdos não gostaram nada da ideia, como aliás é normal. Uma arma devia ser o último objecto a mostrar-se a uma criança, aqui, e em qualquer parte do mundo. Neste colégio, não só se mostra a arma como se ensina a andar com ela, com certeza como funciona, e a considerá-la como fazendo parte do dia-a-dia do aluno.
Não me venham com a história q…

PROFETAS E OS SEUS MÓRBIDOS DESEJOS

Ainda a “Geringonça” não tinha nascido e já a davam como “nado-morto”.
De quando em vez, aí vêm “eles” exercitarem a sua capacidade profética.
Ou porque o resultado autárquico do PS é demasiado bom, ou porque o dos parceiros é fraquinho ou mau.
Qualquer coisa serve para quererem que os seus “mórbidos” desejos se concretizem, mas, sentadinhos vão ter de esperar porque, um(a) atrás do(a) outro(a), os “elementos-da-máquina”, vêm afirmando que tudo está bem “oleado” e que os portugueses podem dormir descansados e continuar a, finalmente, acreditar que para a frente será melhor. 
Era muito bom (digo eu) que, em muitas autarquias, fosse possível multiplicarem-se “Geringonças”.
Se assim fosse, o País ganhava e os portugueses viam a sua democracia reforçada.
Silvestre Brandão Félix 3 de outubro de 2017
Fotos: Google

SINTRA E OS TUK-TUK'S

Depois de ter feito promessas a todos os santinhos, para que, na Rua João de Deus, houvesse um lugarzinho livre para arrumar o carro de borla, bem no meio, do lado direito, lá estava o sítio à espera de ser ocupado, porque os ditos santos, assim tinham determinado. Deixei-o bem no centro do espaço disponível e, iniciando a caminhada pelo passeio fora, senti e vi a chegada dum comboio à estação de Sintra.
No momento em que, vindo daquele lado, me aproximei da saída no topo da gare, um magote de pessoas, empunhando cartazes de todas as cores e feitios, arrancaram direito a mim, obrigando-me a estancar o andamento e a tentar perceber o que se estava a passar.
Instantaneamente, recordei-me das notícias que tinha acabado de ouvir no rádio – greve da Função Pública! Exatamente, são manifestantes e confundiram-se com algum governante disfarçado. Tudo isto numa fração de muito poucos segundos que nem tive tempo de ler o tinham escrito nos cartazes de protesto.
Endireitei-me e, disposto a encara…