O “PESO” DO CDS

O CDS de Paulo Portas está, cada vez mais, naquela posição de “fiel da balança”, considerando os três partidos que assinaram o acordo com a Troika.
Algumas vozes do PSD têm reagido aos resultados do CDS nas sondagens, duma maneira muito pouco simpática para quem, quase de certeza, precisará de Paulo Portas na formação de Governo maioritário se, como tudo leva a crer, tiver o maior número de votos.
Em qualquer dos casos, ao líder do CDS, ainda ninguém ouviu dizer duma forma clara, que não alinhará com o PS se for este a ganhar as eleições. Ainda hoje, em Portalegre, sobre a formação do Governo depois das eleições, limitou-se a dizer: «Só digo uma coisa: não vai haver maioria absoluta de um só partido. Por isso o CDS é determinante e tem de ser forte para que haja uma maioria de mudança e para que a mudança seja forte».


Seja como for, e uma vez chegados a esta situação sem haver qualquer tipo de alternativa, melhor será que, depois de 5 de Junho haja condições para cumprirmos os compromissos e iniciarmos uma outra fase menos angustiante para os portugueses. Pena é que, com estes políticos, seja muito difícil acreditar que isso seja possível.


Silvestre Félix

O ÚLTIMO PAPA De Luís Miguel Rocha

A leitura compulsiva, página a página, não esgota a “adrenalina” provocada pela expectativa do parágrafo seguinte.
“O Último Papa”, mistura do real e da ficção, para além de nos envolver na trama conspirativa imaginada, leva-nos ao convívio com factos e personagens históricas ainda muito presentes para a minha geração.
A escrita de Luís Miguel Rocha agrada-me também porque em plena narrativa não abre ásperas para comentários marginais ou acrescentar imagens do futuro. Esta opção aproxima-nos do pensamento do autor.
O acontecimento histórico central da obra, a súbita morte de João Paulo I (Albino Luciani), é soberbamente tratado. Na época, para o mundo, encarado como fatalidade terrena para a Igreja Católica, viria, com o tempo, a traduzir-se num mistério bem guardado.
A envolvente portuguesa não é descabida porque desde os primórdios da nacionalidade existem ligações muito fortes do Vaticano ao nosso País. Não esqueçamos o nosso passado de evangelização pelo mundo ao serviço da Igreja e sempre com o patrocínio dos Papas.
Luís Miguel Rocha nasceu no Porto em 1976. A edição é das “Edições saída de emergência” e a primeira foi em 2006. Tem uma edição de “bolso” em 2009 que é bastante mais barata.
Silvestre Félix

(Imagem: Capa do livro do site da editora)

AMENA CAVAQUEIRA

Depois da conversa desta noite na SIC entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, fica claro que ambos desejam somar (PSD+CDS) o suficiente para formarem Governo maioritário.
Realmente assistimos a uma mera cavaqueira em que nenhum deles explica como na prática governará, se for esse o caso. Todos evitam, Sócrates também, dizer aos portugueses como vão chegar aos números acordados com a Troika. No caso de Pedro Passos Coelho e Paulo portas, por maioria de razão, deviam ser muito mais explícitos nas propostas. Estão nitidamente na encolha.
Com prestações destas, principalmente de Pedro Passos Coelho e com todas as declarações de outros, com desmentidos e correções sucessivas, os eleitores sentem insegurança com uma eventual vitória do PSD e, por isso, espetacularmente, na sondagem da TVI-Público de hoje, colocam o PS à frente do PSD com uma diferença de 3 pontos.
Muita coisa vai acontecer ainda até 5 de Junho mas, pelo caminho que as coisas estão a levar, a luta vai ser renhida até ao fim.


Silvestre Félix

POLÉMICAS DE “LANA-CAPRINA”

O que aconteceu ontem em Lorca, na província espanhola de Múrcia, deve alertar-nos para os perigos que corremos neste retângulo à beira mar plantado.


Todos sabemos que boa parte do território está na rota de possíveis sismos e que, mais tarde ou mais cedo, acontecerá o inevitável.
Este e outros parecidos, deviam ser os motivos de debates, estudos, discussões, investimentos e falta de sono de alguns dos nossos políticos. Em vez disso, preferem alimentar polémicas de “lana-caprina” que só provocam mais preocupações e ralações aos portugueses.


Todos os dias arranjam ou inventam mais uma questão que sustentará os momentos noticiosos da nossa comunicação social, com destaque para as televisões, durante as 24 horas. Quando a “matéria”, como eles gostam de dizer, começa a perder o vigor, tiram outro assunto da “cartola”e lá temos mais um dia de “troca de galhardetes”, com análises e comentários dos que vegetam para isso mesmo.
A história da “Taxa Social Única” (TSU), hoje, ainda dá audiência. Estamos todos fartos de saber que, quem quer que seja o próximo Governo, vai ter que considerar esse milagre – baixar um imposto (TSU), quando a ordem é aumentar. Todos se comprometeram com o mesmo documento, o PS, o PSD e o CDS. Claro que, o que lá estiver no próximo Verão, vai ter que compensar a baixa da (TSU) com qualquer outro aumento. Ambos, o Sócrates e o Pedro Passos Coelho, como já vem sendo costume, estão a jogar, mas muito sujo.


Silvestre Félix

OS POVOS EUROPEUS

«Os povos europeus já se esqueceram do que foram os anos trágicos de 1939-45?»


Pergunta Mário Soares na sua crónica do Diário de Notícias. Eu acho que sim e, essa amnésia, muito tem contribuído para a série de asneiras que os atuais dirigentes europeus têm protagonizado.


Realmente, boa parte deles ainda nem nascidos eram, portanto a guerra não lhes diz nada e, como de história também são fraquinhos, também desconhecem o facto de uma das principais motivações dos pais da União Europeia, ser a manutenção da paz no continente. O estabelecimento de tratados económicos e políticos entre as nações europeias eliminava, só por si, muitos dos pretextos antes utilizados para a eclodirem conflitos armados. Ainda com os escombros da Segunda Guerra Mundial bem à vista, os democratas e progressistas dirigentes, encetaram um caminho que sabiam difícil mas possível se assente em políticas que beneficiassem, acima de tudo, o bem-estar dos cidadãos.
Os Estados desenvolveram-se e evoluíram solidários, para uma Europa em que as preocupações sociais estavam em primeiro lugar. Entretanto as gerações de líderes foi mudando e, ao mesmo tempo, as políticas conservadoras, liberais e neo-liberais, foram tomando o poder em vários países. Esta tendência foi completada com os regimes vigentes nos últimos países a aderirem à UE. Quase todos libertados da esfera da antiga União Soviética com a queda do Muro de Berlim, têm no poder, na sua maioria, partidos e líderes conservadores e neo-liberais.
Os mandantes da União (?) Europeia, hoje, só têm preocupações economicistas. A Europa abandonou a matriz de cidadania europeia e a solidariedade entre países acabou. É tanto assim, que já se põe abertamente em causa uma das maiores conquistas dos povos europeus – a liberdade de circulação. A crescente influência, nalguns países e nas instituições da União (?), de partidos, políticos e governos adeptos dum conservadorismo xenófobo, vai marcando a triste realidade deste velho continente que, até a algum tempo atrás, era exemplo de progresso económico assente num projeto socialmente avançado.
Ao mesmo tempo, cegos pela caminhada ideológica sem freio, estes ultra-liberais vão-se deixando envolver nos tentáculos do grande polvo que tudo vai dominando. A crise financeira, económica e, ultimamente, a das dívidas soberanas, que correspondem à estratégica de ganância do poder financeiro especulativo, vai acabar por devorar a Europa. Pensam, alguns países e “líderes” europeus, que, com os trocos que os seus bancos vão ganhando à custa dos mais fracos, estão a salvo do polvo, mas estão enganados. As agências de rating não tardarão a fazer o seu trabalho, e, se deixarem que se chegue aí, está tudo acabado, a União (?) Europeia chega ao fim.


Silvestre Félix

O PSD E O PROGRAMA

São os analistas que o afirmam, o PSD, com este programa de governo apresentado ontem, ultrapassa o CDS pela direita. Parece não restar dúvidas que Pedro Passos Coelho opta mesmo por uma política claramente liberal.


Neste sentido, e no que respeita à diminuição da intervenção do Estado nas vertentes; social, saúde e educação, é uma rotura com a tradição da democracia portuguesa transversal a todos os partidos. É legítimo para qualquer partido e também para o PSD propor mudanças mais profundas ao seu eleitorado. Para escolher é que existem eleições. Se os portugueses votarem maioritariamente PSD estão a avalisar as suas propostas e compete-lhes governarem a legislatura em conformidade.
A proposta de redução da Taxa Social Única (TSU), desejável em qualquer tempo, pode vir a alterar o equilíbrio da S. Social. Não me parece ser intenção compensar a quebra de receita com taxas cobradas através de outros impostos, por exemplo, no IVA.


Ao mesmo tempo que é feita a apresentação deste programa, o líder do PSD afirma (mais ou menos):
«Precisa duma maioria clara (absoluta) porque não quer governar com “paus-de-cabeleira”».
Vamos ver se não vai ter que pedir “batatinhas” a algum “pau-de-cabeleira». Não só, roça o insulto como dificulta eventual necessidade de diálogo depois de 5 de Junho.
Hoje, às 10h45m da manhã, Catroga diz que concorda com o aumento do IVA da “cereja”. Ao princípio da tarde, diz que, afinal, concorda com aumento do IVA mas é do vinho.
A continuarem com este tipo de “gafes” a “conta-gotas”, descredibilizam as suas intenções.


Cada vez se torna mais difícil que o fecho das urnas no final do próximo dia 5 de Junho resulte numa maioria confortável e credível.


Silvestre Félix

PATRIOTISMO? ENTRE OITO E OITENTA…

Sobre um vídeo a propósito das reservas de alguns Finlandeses na participação, no âmbito das obrigações do Eurogrupo e UE, no empréstimo a Portugal, que desde ontem percorre todas as “bandas” largas, estreitas, compridas e curtas e a uma velocidade estonteante, têm surgido as mais variadas e extremadas intervenções e comentários.


Há um pressuposto globalmente ignorado nas opiniões prós e contras. Portugal participou, com a parte proporcional, nos empréstimos à Grécia e à Irlanda.


O sentimento patriótico não se mede com fita métrica. Nem sempre é fácil afirmar com rigor “matemático” que o fulano é mais patriótico que beltrano. Também neste caso, não é patriótico o que leva o conteúdo do vídeo à letra, nem é anti-patriótico quem o contesta.
O que eu acho, é que faz muito bem ao Ego recordarmos alguns valores e acontecimentos da nossa história e também não faz mal que os partilhemos com outros povos, parceiros (?) nesta Europa a um passo de se desmembrar.


Em certos meios há a tendência para atribuir o sentimento “patriótico” na escala dos “oitenta” e associando-o ao nacionalismo reacionário, xenófobo, fascista e idólatra. Nada mais errado.


Respeitar a nossa história e os seus protagonistas, ter orgulho nas raízes da nossa identidade como povo, reconhecer as qualidades e os defeitos dos nossos antepassados, ter consciência da nossa importância – como povo e nação – na construção do mundo atual, apesar dos aspetos negativos de governação nas últimas décadas, e de, mais uma vez, os mais frágeis sejam quem mais sofre, não abandonarmos o orgulho de sermos quem somos, neste momento, e perante outras nações, se isto é ser patriota, eu sou!


Silvestre Félix

NUM DESTES DIAS

Anti - democracia  net de Wilson Ferrer Um dia, passados para lá de cinquenta e cinco, em anos contados, no tempo duma senhora que era outra...