NUM DESTES DIAS

Anti - democracia 
net de Wilson Ferrer
Um dia, passados para lá de cinquenta e cinco, em anos contados, no tempo duma senhora que era outra, acabado de chegar à ainda capital do império, para mais um dia do novo trabalho, eu vi uma bicha enorme de malta nova que presumi serem estudantes universitários, atendendo à vestimenta de alguns, virados para a parede e nesta, encostados com as mãos levantadas e espalmadas, pela nobre Praça dos Restauradores, acima.

A uns dois ou três metros de distância, no meio do asfalto, outra bicha ombro-a-ombro de policias fardados e armados e, na cuidada, importante e minuciosa tarefa de apalpação das, ou dos interpelados, outros autoritários, atendendo à maneira bruta como se dirigiam e mexiam nos estudantes, que achamos, eu e outras pessoas que disfarçadamente e a alguma distância observávamos, serem diligentes agentes da PIDE que, para justificarem a patriótica ação, levariam com algemas para a António Maria Cardoso, dois ou três das, ou dos apalpados.

Também naquela primavera marcelista disfarçada, se dizia, oficialmente, que as forças policiais atuavam para garantir a segurança dos cidadãos e da ditosa pátria, de perigosos e subversivos criminosos e terroristas.  

Naquele dia, como noutros da primavera de 1969 e seu rescaldo, tinha sido mais uma manifestação estudantil revindicando direitos básicos e democratização do ensino superior com a existência e funcionamento das associações académicas.

Num destes dias, na atualidade estranha da segunda década do século XXI, também vi, em imagens televisivas e fotos transmitidas pelas televisões e redes sociais, uma bicha enorme de cidadãos, na generalidade contribuintes, da mesma forma encostados e de mãos espalmadas na parede e a serem apalpados e revistados por polícias à civil, enquanto outros, fardados e armados, perfilados estavam a dois ou três metros da parede, igualzinho como faziam há cinquenta e cinco de tempo em anos contados.

Também levaram presos dois ou três, não sei se daqueles encostados à parede ou doutro sítio, e os argumentos de segurança dos cidadãos (quais?) e do País, são os mesmos.

Evidentemente que as semelhanças nos argumentos justificativos e na ação, é mera coincidência. Não me passaria outra coisa pela cabeça, mas que me preocupa, preocupa!

S. Brandão Félix

27 dezembro de 2024

A MORTE DE GIL MATIAS

Representação de "O Palheiro" 
na URCA 1979 encenado por
Gil Matias
A morte do grande Gil Matias, deixa a cultura do nosso concelho muito mais pobre. “Palavras leva-as o vento” e, nestas ocasiões, são sempre demais. Tudo deve ser dito e feito, enquanto a morte não faz o seu “trabalho”. Lamento muito não ter estado mais uma vez com ele, antes da sua partida. Obrigado, Gil Matias! Descansa em paz! Nas crónicas que publiquei no blogue “Largo do Chafariz ao Sol”, e depois incluídas no livro com o mesmo nome, fiz várias referências à passagem do Gil Matias pela URCA e não só. Nesta altura, lembro aqui passagens de duas crónicas de fevereiro de 2011.
 
 GITU E O GIL MATIAS (15.02.2011)
 https://largodochafarizaosol.blogspot.com/2011/02/urca-depois-de-18-de-abril-de-1976-2.html 

…O principal responsável pelo êxito deste trabalho foi Gil Matias. Depois de «O Palheiro», manteve-se na direção do GITU por mais dois ou três anos. O Gil Matias muito tem dado à cultura do Concelho de Sintra e, particularmente, ao teatro amador de inúmeras coletividades e associações da região. Avesso a homenagens e a manifestações públicas de apoio, constata-se que permanece vazio o lugar que lhe cabe pelos serviços prestados à comunidade. Nesta minha conclusão, incluo naturalmente a URCA e a população da Abrunheira. Pela minha parte, e em nome de todos os que pensam como eu, agradeço ao Gil Matias toda a sua dedicação e generosidade em prol da cultura. … 

 MATRIZ CULTURAL (22.02.2011) 
https://largodochafarizaosol.blogspot.com/2011/02/urca-e-sua-matriz-cultural.html 

 …O êxito da apresentação de «O Palheiro» foi, acima de tudo, uma aposta arrojada do Gil Matias. Os componentes do GITU eram inteiramente amadores e, para levar à cena esta obra, houve necessidade de recrutar muitos mais elementos. Cada reunião, cada ensaio, eram autênticas lições sobre a arte de representar. Gil Matias foi encenador, diretor, professor, Pai, irmão e sei lá mais o quê. Mais de metade do ano de 1978 foi necessário para dar corpo ao espetáculo. A peça é grande e a criação das personagens muito trabalhosa. Não foram poucas as vezes que tudo esteve quase a parar, mas com a nossa vontade e com a coragem e sabedoria do Gil Matias, lá conseguimos chegar ao dia do ensaio geral. Os nervos eram muitos na estreia. Sentados na plateia, estavam olheiros importantes e a população da Abrunheira em peso. … 

 S. BRANDÃO FÉLIX 
 26.12.2024

NÃO FOI POR ESQUECIMENTO

 

NÃO FOI POR ESQUECIMENTO

Não foi por “esquecimento” que ao longo de 49 anos, a Assembleia da República nunca reuniu solenemente para assinalar a data de 25 de novembro de 1975. Também não o fez relativamente ao 28 de setembro de 1974 e ao 11 de março de 1975. Para quem não percebeu ou não quer perceber, foram dias em que ocorreram eventos marcantes para o PREC (Processo Revolucionário Em Curso) iniciado com o golpe de estado de 25 de abril de 1974 levado a cabo pelos Capitães de Abril, organizados no MFA (Movimento das Forças Armadas) e que, nesse mesmo glorioso dia, traria para a rua muitos milhares de portugueses a festejarem a libertação das amarras da longa ditadura e a encherem os canos das armas dos soldados, com cravos vermelhos.

Após 25 de novembro de 1975, a força do MFA estava unida em volta do “Grupo dos Nove” materializada com importantes intervenções de Ernesto Melo Antunes, Vasco Lourenço, Costa Gomes e outros. Estas posições públicas foram determinantes para calarem o aventureirismo de alguma extrema-esquerda e encostarem à parede os da extrema-direita fascizante que viram naquele dia a oportunidade de regressarem ao antigamente e voltarem a encarcerarem os comunistas e afins, nas prisões da Pide.

Reorientados os caminhos para a consolidação da democracia, sem ressentimentos, com algumas feridas, mas devidamente tratadas, sem vencidos nem vencedores e com um consenso político-militar alargado, ultrapassou-se a última grande provação do tortuoso percurso do PREC.

Até que, passados 49 anos, uma maioria de “iluminados” deputados da XVI Legislatura da República, em que a média de idades é de 48 anos e meio, ou seja, grande parte ainda não tinham nascido quando o 25 de novembro aconteceu, puxados por uma extrema-direita trauliteira e populista, decidem abrir uma ferida há muito fechada e aprovam a realização duma sessão solene na AR, semelhante à do 25 de Abril, para comemorar aquela data.

Lamento, como decerto lamentam muitos portugueses, que deputados da nossa República, estejam a protagonizar tamanha afronta ao 25 Abril, aos Capitães de Abril e à Democracia.

Volta a justificar-se que se grite com toda a força,

25 DE ABRIL, SEMPRE!

S. Brandão Félix

24 novembro de 2024



PORQUE NÃO SE CALAM?

PORQUE NÃO SE CALAM?

São praticamente os mesmos, que há menos de dois meses, bradavam “aos céus” por medidas mais restritivas, fortes e radicais, face à propagação do COVID-19 e os que, agora, vão protestando cada vez mais pela continuação das dificuldades de circulação e, principalmente, pela possibilidade de não podermos andar em concelhos diferentes no próximo fim de semana (1-3 maio), como aconteceu na Páscoa. 

Falam ou escrevem demais e usam a demagogia como “arma".
Porque não se calam?

Silvestre Brandão Félix
26 abril 2020


O POVO, AINDA É QUEM MAIS ORDENA


A maior prova de que nada pode ser dado como adquirido para sempre, é o que nos está a acontecer com o COVID-19. Por isso, é bom que os democratas se mantenham vigilantes, “não vá o diabo tecê-las”!

Passados 46 anos, não tenho dúvida nenhuma que, se não tivesse acontecido naquele dia 25 de abril de 1974, teria sido num dia 25 doutro mês, ou em qualquer outro abril dos anos seguintes. A Guerra Colonial não podia continuar e a democracia tinha de ser restaurada.

Julgamento de presos políticos durante a ditadura
No entanto, hoje, ainda há quem acredite ser possível eliminar a nossa maior data do calendário da democracia portuguesa — O 25 de abril — e fazer com que o país regresse a um regime autoritário, idêntico ao que existia até 24 de abril de 1974.

É fundamental que os democratas estejam unidos no que é essencial e não se dividam ao sabor das redes-sociais.

UNIDADE PELOS VALORES DO 25 DE ABRIL!

Silvestre Brandão Félix
24 abril de 2020
Foto: Google

LÍTIO - O OURO MODERNO

Contestação à exploração de Lítio-Serra da Estrela-24.08.2019
 (DN online)

Muitas regiões do nosso país têm o subsolo a abarrotar de ouro do século XXI; o famoso e caro LÍTIO!  

Acontece que, prevendo todo o tipo de alterações e atropelos ao modo de vida das populações em causa, está a crescer uma onda de contestação que, nalguns casos, pode vir a dificultar a exploração do minério tão importante para o fabrico de acumuladores de energia modernos.

O que vai o Estado fazer?

Espero bem que garanta os interesses das populações!

Silvestre Brandão Félix
24 agosto de 2019

A AMAZÓNIA ARDE E OS GLACIARES DERRETEM

São Paulo às 15h de 19.08.2019, feito noite com o fumo dos
fogos da Amazónia (DN online)

Enquanto a Amazónia arde e os glaciares derretem, vemos e ouvimos detestáveis criaturas, botarem insuportáveis “faladuras” com a maior desfaçatez. Os mesmos que, por ignorância ou perversidade, rasgaram o “compromisso” de Paris.

Um, diz que «é o tempo das queimadas» ou «são as ONG’s que botam fogo por vingança do Governo ter cortado os subsídios», o outro, porque o Governo da Dinamarca afirma que «a Gronelândia não está à venda», amua, e cancela a visita à mesma Dinamarca, que estava programada para o princípio de setembro.

Por cá, enquanto o mundo arde e derrete à nossa volta, os detratores continuam a deitar “montes” de areia na engrenagem, com a intensão de “gripar” o Governo e que, por via disso, possam arregimentar mais uns votitos nas eleições de 6 de outubro. Pois sim, esperem sentados!

Silvestre Brandão Félix
21 agosto de 2019

REFUGIADOS - A VERGONHA DA EUROPA

Os muros da Europa (viva-porto.pt)(Google)

O líder da extrema-direita do norte de Itália, feito ministro dum Governo demissionário, teve que “meter-a-viola-no-saco”, quando se viu esvaziado de “poder”, pela decisão humanitária dum procurador romano.

Finalmente os refugiados do «Open Arms», desembarcaram na famosa Lampedusa e vão poder seguir o seu caminho de salvação, por seis países europeus, incluindo Portugal.

Silvestre Brandão Félix
21 agosto de 2019

E O GLACIAR DESAPARECEU!

Placa descerrada hoje, 18 agosto de 2019, na Islândia, marcando
o dramático dramático acontecimento

Em consequência do desaparecimento do glaciar «Okjokull», devido ao “Aquecimento-Global”, as autoridades Islandesas, para que ninguém se esqueça, descerraram hoje uma placa assinalando o dramático acontecimento que, infelizmente, se traduz em mais um passo para a destruição do Planeta.

A este, se seguirão outros glaciares que, derretendo, vão “enchendo” os oceanos com a consequente pressão nas zonas costeiras de todo o mundo.

Todos os líderes mundiais, todos os governos e todos os “G’s” qualquer coisa, a exemplo do que vai fazendo António Guterres, deveriam estar permanentemente falando e agindo para parar esta “derrocada”. 
  
Como é possível, que os órgãos de comunicação social, continuem a ignorar esta caminhada para o abismo?

Silvestre Brandão Félix
18 agosto de 2019
Foto: “notícias google”

AQUECIMENTO GLOBAL - GELO FEITO ÁGUA

Gronelândia - Onde antes era gelo, agora, em julho de 2019, é água

Nestes dias, num dos raros momentos que a nossa comunicação social dedicou à dura realidade das alterações climáticas, vimos um pequeno vídeo feito a semana passada na Gronelândia, despejando no oceano 10 mil milhões de litros de gelo feito água, em consequência dos vinte e tal graus de temperatura registados, acima da média local. 

Como é possível, que “continuemos” a assobiar para o lado?

Como é possível, que a extração de “combustíveis-fósseis” e sua incontrolada utilização, não só, não é diminuída, como continue a aumentar?

Como é possível, que uma das principais “metas-de-Paris”, «conter o “aquecimento-global” abaixo dos 2º C, preferencialmente em 1,5º C», já seja praticamente inacessível e “tudo-bem-na-mesma”?

Silvestre Brandão Félix
9 agosto de 2019
Foto: Gronelândia em Julho 2019 (Google)

ANTES E DEPOIS DO ADEUS


Na véspera, ainda “Antes-do-Adeus”, o nosso Amigo Olímpio, não sabendo que era a última vez, precisou de aplicar o habitual disfarce nos livros “suspeitos”, que só vendia a clientes da máxima confiança. Mesmo assim, corria muitos riscos. A “bofaria”, passeava-se e dissimulava-se por toda a parte, até nas livrarias.

Naquele silêncio “ensurdecedor” do Reduto-Norte-de-Caxias, ele não podia saber que a Liberdade estava a umas horas de distância. Naquele mesmo dia, na véspera, ainda o sol não era, arrastaram-no até “ao sul” para mais um interrogatório. Esteve em pé, calado, umas quatro horas, calculou ele. Os três meses que por ali estava, tinham-no ensinado a contar o tempo: segundos, minutos, horas, dias e meses. Quando o obrigavam a estar muito tempo em pé, às vezes virado para a parede, enquanto o insultavam, ameaçavam a família e, quase sempre, lhe “chegavam-a-roupa-ao-pelo”,  o físico e os neurónios davam de si, mas, como o querer se sobrepunha, a cada tontura ou cambaleio, reagia ainda com mais força. Como permanecia numa cela completamente isolado, estava longe de saber que, em menos de dois dias, iria sair livre, pela porta da frente.

Não tinha passado muito tempo, desde que o navio, carregado de magalas, deixou para trás o Bugio na foz do Tejo e se lançou no Atlântico aberto. Com a G3 como inseparável companheira, carregado de angústia e medo, porque não dizê-lo, ali ia ele, como se o destino fosse a forca. Porque-raio, não fez como o Caparica? “Saltou” para França e conseguiu logo trabalho. E ele, a única certeza que tem, é uma guerra em África. Estava muito longe de saber que, no dia seguinte, quinta-feira, a esperança iria destemperar-lhe a angústia. O principal objetivo dos militares que iriam depor o regime da ditadura, era, exatamente, acabar com a Guerra Colonial. Naquela véspera, ele não podia adivinhar o que aí, vinha.      

Na quarta feira, o mancebo teve os mesmos cuidados e olhou pelo canto do olho, as vezes que o instinto o mandava fazê-lo. Continuava, porque não sabia que aquele dia era a véspera, a tentar adivinhar o que seria o seu futuro, a curto prazo. “Assentava-Praça” em 75, ou seja, dali a um ano já podia estar a “marcar passo”. A seguir; Rocha-Conde-de-Óbidos, lencinhos brancos de adeus e ala até Angola, Guiné ou Moçambique. Tal como a quase totalidade dos portugueses, incluindo os do governo, o mancebo não sabia que, aquela hora, uma onda libertadora já se movimentava, para que nada disso tivesse de vir a acontecer.

“Aqui! Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas!”
E o mancebo: Já não tenho de ir para a guerra!

Silvestre Brandão Félix
24 abril de 2019 - atualizado e editado em 25 abril de 2025 

"A UNIÃO FAZ A FORÇA"


“A união faz a força” (1)

Provérbio normalmente usado pela positiva, mas que pode também ser verdade pela negativa.

Infelizmente, o que me ocorre a propósito duma “força-que-se-une”, é o “toque a rebate” dos liberais populistas e extremistas, cada vez mais “bem” colocados nas nossas televisões e nalguns “pasquins” online.

Parece que todos leem pela mesma “cartilha”; procuram só os constrangimentos do “sistema” democrático, pondo-o constantemente em causa, deitam abaixo os políticos no geral e exploram ao máximo os tropeços e “tiros nos pés” dados pelos atuais partidos. Nunca realçam ou, simplesmente, reconhecem méritos na nossa democracia.

No nosso País, como acontece por esse mundo fora, as tendências inorgânicas expandem-se com muita rapidez. Alguns órgãos de informação clássicos, tendem a utilizar o pior lado das redes sociais e dos “sítios” sem rosto e, ao mesmo tempo, reabilitam, duma forma “empoleirada”, algumas vedetas fora de moda.

Eles estão aí com todas as “armas” para fazerem frente à DEMOCRACIA nas próximas batalhas eleitorais.

Silvestre Brandão Félix
19 janeiro de 2019
- (1) Provérbio popular português
- Gravura “antidemocracia” (wilsonferreiracampos ) (Google)

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO DÁ, ATÉ QUE FURA


“Água mole em pedra dura, tanto dá, até que fura!” (1)

Pelas “andanças” políticas da minha juventude, algumas angústias me atormentavam.  Antes do 25 de abril, a maior, a proximidade da tropa e a praticamente certa ida para a Guerra.

Depois, aliviado desta inevitabilidade, começaram outras (angústias) a “roer-me” o juízo. Entre algumas que não vêm agora ao caso, a divisão da esquerda. Situando-me “deste lado da barricada”, perante os inúmeros movimentos e partidos de esquerda, cada um a puxar para o seu lado, a direita recuperava e avançava. Como eu, muito gente queria um entendimento deste lado, mas a esperança diluiu-se com o correr do tempo.

É verdade que o nosso povo, com sabedoria, imortalizou o provérbio:

“Água mole em pedra dura, tanto dá, até que fura!”

Mas em 2015, ninguém, à partida, acreditava que fosse possível nascer a “Geringonça”. Ela aí está a chegar ao final da legislatura, com a vontade declarada de António Costa, de a renovar após as próximas legislativas.

O povo tem sempre razão!

Silvestre Brandão Félix
18 janeiro de 2019
- (1) Provérbio popular português
- Gravura: Geringonça (Expresso) (Google)

"AMIGOS, AMIGOS, NEGÓCIOS À PARTE"


“Amigos, amigos, negócios à parte!” (1)

Todos nós, uma ou mais vezes, experimentamos o “amargo” desta meia-verdade.

Com a idade que tenho, ainda acredito que a incompatibilidade dos “negócios” tem a ver com as falsas amizades. Se os “amigos” forem verdadeiros, tudo corre bem entre eles, até nos negócios.

Vem isto a propósito, do novo regulamento de “registo de faltas” para os deputados, que entrou hoje em vigor na Assembleia da República.

Há menos de um ano, chegou-se à conclusão, que as presenças na AR eram validadas, quando convinha, por camaradas ou companheiros e companheiras de bancada, embora, os “ditos” e “ditas”, estivessem fisicamente ausentes.

Isto deve ter sido assim desde sempre, para os que se prestavam a este papel nas diversas bancadas, mas, só agora, com os “amigos” a estragarem o negócio das senhas, subsídios, e demais alcavalas decorrentes das “presenças”, a coisa se corrigiu no sentido de pôr os “deputados” e “deputadas”, na ordem.

Silvestre Brandão Félix
16 janeiro de 2019
- (1) Provérbio Popular Português
- Gravura: “Cinismo” (coladaweb)(Google)

"AMIGO NÃO EMPATA AMIGO"


“Amigo não empata amigo!” (1)

Ao longo do último ano, há dias, em que temos de comer “Brexit” a todas as refeições.

Não há pachorra!

Ou saem ou ficam!

As duas coisas ao mesmo tempo é que não pode ser. 

Estes Britânicos têm cada uma. Referendaram e o resultado foi favorável à saída, mas, perante a inevitabilidade da separação, incluindo da Irlanda do Norte, já não lhes agrada e muitos dos que vimos nas televisões a defenderem “com unhas e dentes” o “Brexit”, agora, parece, já não o quererem ou, pelo menos, não o querem assim, como acabou por ser negociado.  

Queriam o quê? Sair e ficar com um pé dentro?

O que é certo, é que está a Europa toda e não só, à espera que os “sir’s” se decidam.

Silvestre Brandão Félix
15 janeiro de 2019
- (1) Provérbio Popular Português
- Gravura: Google

"ÁGUAS PASSADAS NÃO MOVEM MOINHOS"


“Águas passadas não movem moinhos!”

O povo não o diz por acaso. Grande parte da nossa vida é “calcorreada” em função dos caminhos do presente e dos que nos abrem ou abrimos para o futuro. O passado foi aprendizagem. Não voltamos lá, nem o podemos alterar por arrependimento ou, simplesmente, por experimentação.

Nestes tempos, e passados quase 45 anos do 25 de abril, ainda há quem queira “mover os moinhos” da antiga ditadura. Continuam a querer ressuscitar a “carcaça” do ditador e do seu império. “Gritam” como se fosse possível, em 2019, terem as mesmas colónias, a Pide e toda a “bufaria” a perseguir e a prender tudo o que abrisse a boca.

“Foi chão que deu uvas!”

Conquistamos a democracia e é com as suas “ferramentas” que reforçaremos o nosso “Estado de Direito”.

Podem os “saudosistas” estar certos que o “ditador” não voltará!

“Águas passadas não movem moinhos”

Silvestre Brandão Félix
14 janeiro de 2019
Gravura: Tortura a presos políticos

"A PRESSA É INIMIGA DA PERFEIÇÃO"


“A pressa é inimiga da perfeição!” (1).

A sabedoria popular aplica-se, direitinha, ao imbróglio do agora, denominado, “Aeroporto do Montijo”.

O atraso na construção dum “novo-aeroporto-de-Lisboa”, começou quando, após o 25 de Abril, se concluiu que, sendo a localização, estudos e projetos do governo de Marcelo Caetano, estaria com certeza infetado com algum vírus fascista e, por isso, o trabalho “herdado”, deveria ir para o lixo. A Herdade de Rio Frio, já era!

Assim foi e, pelos anos seguintes, na penúria, sem dinheiro, e com os muitos interesses políticos e mercantilistas a botarem trunfos p’ra mesa, começaram a surgir dezenas de hipóteses para o “novo-aeroporto-de-Lisboa”.

Com os “interesses” a atropelarem-se uns aos outros à medida que os governos mudavam, passaram-se trinta, quarenta anos e, Ota, Alverca, Sintra, Montijo e a coisa assentou em Alcochete. Era uma “obra e peras”, mas, com o advento da “Troika” e do “Passismo” e o movimento da “Portela” em baixo, tudo chumbado mais uma vez e lá vão mais oito anos.

Ou seja, o que devia ter sido uma obra “do País”, serviu todos os outros interesses. No vagar podia ter sido feito, poupando-se nos acrescentos da “Portela” que, nos últimos quarenta anos, todas as obras, prémios, luvas e outros adicionais, já dariam para meia-dúzia de grandes aeroportos e, agora, tudo tem que ser remediado com muita pressa.

A pressa é tanta que nem se espera pelo “impacto ambiental”, assinando-se compromissos e contratos para avançar com o do “Montijo”. E se o “ambiental” chumbar o dito?

De facto, não há tempo para fazer bem, confirmando-se que “a pressa é inimiga da perfeição!”

Silvestre Brandão Félix
12 janeiro de 2019
- (1) Provérbio Popular Português
- Gravura: Projeto do futuro Aeroporto do Montijo - Expresso (Google)

A AMBIÇÃO CERRA O CORAÇÃO


“A ambição cerra o coração!” (1) Ou seja, quando ela, a ambição, é desmedida, provoca o descontrole do protagonista. Quando assim é, ele não mais olhará “a meios para atingir os fins”. Se não o pararem, derrubará tudo o que lhe aparecer pela frente.

A eminente elaboração das listas para as eleições europeias e legislativas começaram a remexer os bastidores partidários. Os interesses pessoais ou de tendências, sobrepõem-se ao coletivo e atropelam a “ética” democrática.

Se, por força da liderança, a perspetiva é ficarem de fora das listas, portanto, sem emprego, urgentemente vão fazer alguma coisa para tentar inverter essa inevitabilidade.

Chamam-lhe, “diretas”.

Será que “vão levar a água ao seu moinho?”

Silvestre Brandão Félix
11 janeiro de 2019
– (1) Provérbio Popular Português
Gravura: Google

DESFAVORECIDOS, BACORADAS E AS TELEVISÕES


“Está tudo doido!!”

Correria e mais correria, na direção de tudo o que é shopping. O consumismo está de “freio-nos-dentes” e não dá mostras de acalmar.

A fazer fé no “sofrimento” apregoado “aos-quatro-ventos”, por corporações altamente “desfavorecidas”, os comerciantes deviam estar em crise, em virtude de, a estes “desfavorecidos”, lhes faltar o dinheiro nas contas bancárias.

Mas não! O Estado, continua a garantir-lhes os “trocos”, incluindo todos os subsídios e ajudas-de-custo habituais, mantendo o seu bem-estar sem terem passado pela crise, sempre encavalitados em “carreiras” remuneradas muito acima da média do universo anónimo dos trabalhadores portugueses.

E assim, chegamos ao fim de mais um ano de “luta” dos “desfavorecidos”, prelúdio de processos eleitorais sem fim. Porque não se junta tudo num único dia? Vamos ter que aguentar as “bacoradas”, três vezes!

As nossas televisões “esfregam-as-mãos” de contentes; vão ter promessas e demagogia com fartura. Vai ser um fartar de “debates” com “sabichões” (atenção-ao-género) e “sabichonas”, para levarem os eleitores a votar onde eles mais “gostam”.

Silvestre Brandão Félix
27 dezembro de 2018
Gravura: Google (contioutra.com)

NUM DESTES DIAS

Anti - democracia  net de Wilson Ferrer Um dia, passados para lá de cinquenta e cinco, em anos contados, no tempo duma senhora que era outra...