O QUE FICA POR FAZER…


As matérias verdadeiramente importantes para a vida do cidadão português continuam a estar secundarizadas pela generalidade dos órgãos de comunicação social.

As primeiras páginas dos jornais e as aberturas dos espaços noticiosos das televisões e rádios são ocupados com as histórias sobre:  

Espiões, superespiões e secretas, Ministro Relvas e seus desabafos, jornalista e pressões de lana-caprina, BPN que já era e como se não tivesse havido criminosos à baila, Duarte Lima, lavagens e a viagem a Maricá, a Seleção Nacional de futebol e seus ricos “muchachos” transportados naquelas “bombas” a condizer com o “espírito de sacrifício” propalado… enquanto o poder na mão de mulheres como Merkel e Lagarde nos atrofiam ainda mais.

A condição de vida austera a que a grande maioria dos portugueses está obrigada faz com que, cada vez mais, despreze os comentários e as análises que todos os dias nos enfiam pela casa dentro.

Silvestre Félix

SOLIDARIEDADE


Melhor seria que instituições como o “Banco Alimentar Contra a Fome” passassem despercebidas ao comum do cidadão ou mesmo, não existissem.

Era sinal que não havia pobreza no País e que a palavra “fome” estava riscada do dicionário.

A realidade é outra. A pobreza alastra, a fome aumenta e o “Banco Alimentar” é a única tábua de salvação de muitos milhares de portugueses. Numa altura em que o Estado se vai divorciando cada vez mais dos problemas reais dos cidadãos, recorrer às IPSS’s pode ser a diferença entre a vida e a morte.

Este último fim de semana, a organização presidida por Isabel Jonet, apoiada em milhares de voluntários, levou a cabo uma das campanhas anuais de recolha de alimentos que superou todas as espectativas. Os portugueses, mesmo com dificuldades, colaboram no sentido de aliviarem o sofrimento de outros em pior situação.

O Banco Alimentar Português é um exemplo de organização e eficácia e não foi por acaso que Isabel Jonet foi recentemente eleita Presidente da Federação Europeia de Banco Alimentares. Esta mulher, com um EME muito grande, vai partilhar a sua experiência de Portugal com as congéneres europeias e, quando for o caso, criar de raiz outros “Bancos” como acontecerá na Grécia.

Os portugueses devem gratidão a Isabel Jonet, ao “Banco Alimentar Contra a Fome” e a todos os voluntários que tornam possível esta correia de solidariedade.  
  
Silvestre Félix

A EUROPA E A PORTA DAS TRASEIRAS…


Cavaco Silva anda pelo Oriente seguindo a rota que os nossos antepassados tantas vezes percorreram em frágeis caravelas. O nosso melhor “capital” está espalhado pelas estradas que há quinhentos anos eles construíram através desses mares que nunca antes tinham sido navegados.

Os nossos vizinhos, para além dos outros povos ibéricos, estiveram sempre para além dos oceanos. Os Pirinéus, para os portugueses, funcionaram sempre como uma barreira intransponível e, mesmo assim, quando conseguimos transpô-los, na maior parte das vezes foi para nos submetermos às regras segregacionistas da emigração.

O nosso caminho, com ou sem “Jangada de Pedra”, será mais uma vez para o Atlântico tocando, duma maneira abrangente, os “abrigos” americanos e africanos. Bem no sul, com as “tormentas” a bombordo, o Índico nos recebe com o Oriente pela frente a emergir de séculos de incertezas e submissões colonialistas.

É urgente que se recupere a ideia das antigas “rotas” adaptadas aos nossos tempos e que, periodicamente e duma forma organizada, partam “armadas” para os “quatro cantos do mundo” levando nos “porões” os nossos produtos e garantindo espaço para que na volta venham “amostras” das novas “especiarias”. 

A nossa porta principal é a Lusofonia que pode ser franqueada algumas vezes à “Iberofonia”.

A Europa foi para nós, mais uma vez, a porta das traseiras.

Silvestre Félix

FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS


A primeira reação quando verificamos que a missão das Forças Armadas Portuguesas ao largo da Guiné-Bissau custou 6 milhões de euros, é negativa e alinha-nos na onda de protesto.

Lendo duas vezes e refletindo outras tantas, no que me toca, até não será bem assim. Na verdade, a alternativa era bem pior se a coisa desse para o torto como aconteceu há uns 14 anos, a propósito de um outro golpe de Estado no mesmo País.

Numa situação destas o Estado deve garantir a segurança dos nossos compatriotas e foi o que foi feito. A despesa foi brutal, é verdade. As críticas têm alguma audição porque, felizmente, a missão regressou sem ter havido necessidade de intervir. Se, pelo contrário, a missão tivesse resgatado pessoas e bens, a despesa não seria motivo de notícia.

«Foi feito o que tinha de ser feito!»

Silvestre Félix

VISITA PARA O JANTAR…


A promessa de «um novo caminho para a Europa» declarada por Hollande, acorda-nos, por momentos, desta depressão crescente. Por outro lado, no próprio dia em que recebe o poder de Sarkosy, vai jantar a Berlim com Merkel. Não pelo encontro em si que, mais tarde ou mais cedo aconteceria mas, quando ainda nem sequer se “sentou” no Eliseu, vai a correr ao beija-mão germânico?

Esperemos que esta inusitada opção se justifique porque senão o «novo caminho para a Europa» é uma cópia do anterior.

Silvestre Félix

ENTRE CIMEIRAS E PEC’S …


Esta cimeira ibérica foi completamente sem sal. Austeridade, austeridade e mais austeridade.

Por cá, ou seja, no que respeita à política interna, o ninho de espiões das “secretas” portuguesas dominam o interesse da comunicação social. O ninho tinha tantos ovos que alguns vão caindo pelo caminho escancarando alguns segredos que “já eram”.

Outro interessante assunto que vai ocupando os “tempos” de notícias é o pretexto que o Governo deixou para o PS marcar terreno no seu papel de maior partido da oposição. É claro que o PEC ou o DEO, como lhe queiram chamar, devia ter passado pelo Parlamento e, especialmente pelo PS, antes de ser dado como pronto a apresentar em Bruxelas. Até parece que há pouco mais de um ano, não foram os que estão agora no Governo que, com o argumento de não terem sido antes informados do PEC IV, tiraram o tapete a José Sócrates. Não venham dizer que este documento é diferente, que assim…que assado…, projeta os limites de despesa para o futuro e tem horizonte temporal que vai para além da legislatura logo, é legítimo que seja discutido na Assembleia antes de ir para Bruxelas.

Silvestre Félix

MÁRIO SOARES E O MEMORANDO


Entre o que se deseja e o que é possível, vai, muitas das vezes, grande distância.

A consciência desta realidade decorre da experiência que, pela vida fora, vamos adquirindo. Há, no entanto, exceções que confirmam a regra.  

Todos sabemos que o valor da palavra dada tem vários patamares de importância. Varia conforme os intervenientes. Na política, por exemplo, os compromissos escritos não valem nada, quanto mais os verbais.

O Partido Socialista já afirmou oficialmente, durante o dia de hoje, que a assinatura do memorando é para honrar e que, digo eu,

devemos dar margem à saudável irreverência de Mário Soares.
Silvestre Félix 

NUM DESTES DIAS

Anti - democracia  net de Wilson Ferrer Um dia, passados para lá de cinquenta e cinco, em anos contados, no tempo duma senhora que era outra...