MARINHO PINTO VS MM GUEDES


Finalmente alguém conseguiu dizer em directo à MM Guedes algumas verdades que ela precisava ouvir.

Da TVI, quando posso, vejo uma das melhores séries da televisão portuguesa – O Equador, e pouco mais.

Há já bastante tempo que me recuso a ver noticiário neste canal. A principal responsável por esta opção, é a prestação horrível desta senhora desde o tempo em que apresentava o “jornal da noite”, todos ou quase todos os dias da semana. Esta nova versão de 6ª feira nunca vi, mas pelo que se apura, continua na mesma onda, para muito pior.
Ora, hoje encontrou O Marinho Pinto que lhe disse das boas. Consegui ver o vídeo e realmente o homem não tem papas na língua e coragem não lhe falta. Ela nem conseguia articular palavra no meio do paleio do Bastonário da AO. Não sei se ele tem razão, no diferendo com os conselhos regionais, mas aqui, o que eu gostei, foi o ter conseguido desmascarar, do ponto de vista funcional, a pessoa que tinha à frente.

SBF
(Foto: Wikipédia - A marreta é um martelo grande, ou, também se diz, de pessoa estupida)

PÓLIPOS

No calor do seu ninho quentinho e resguardado, feito de tripa – mucosa de animal homem/mulher, neste tempo de banalidades formalmente repetidas sempre pelos mesmos protagonistas, diz um “pólipo” para o outro “pólipo”:

Primeiro pólipo: Ai mano! Viste o espectáculo daquela luz na ponta da sonda endoscópica?

Segundo pólipo: Vi mano. É um espectáculo, só que da próxima vez também deve vir a “tesoura” e… lá vamos nós.

Primeiro pólipo: O quê, a “tesoura”? E não nos podemos esconder? Não podemos resistir ao “corte”?

Segundo pólipo: Se vierem depressa não podemos fazer nada. Agora, se nos deixarem fortalecer durante mais uns tempos, já vamos ter condições para aguentar o ataque.

Primeiro pólipo: Então, vamos convocar os “manos” todos para nos unirmos e lutarmos contra a “tesoura”.

Neste tempo em que discursam, e desmentem, e repetem, e se afirmam com a única verdade, e jogam com as palavras de vento em rajada forte, para que o compromisso, em tempo “santificado”, rapidamente passe à história, e para que a culpa seja do outro, e jogam com a cintura larga dos almoços e jantares da campanha eleitoral eterna,

e os pólipos na tripa – mucosa do animal homem/mulher português(a), assobiam para o lado, esfregam-se de contentes, e preparam-se para resistir e contra-atacar como se fossem os verdadeiros cavaleiros do apocalipse,

e, digo eu, estou a reunir todas as forças com a experiência doutras batalhas anteriores e a estratégia está montada. Pelo meio, em força, avança a infantaria da "minha vontade" e pelos flancos, fortes como paredes de betão, avança a cavalaria da "vida". Com estas forças no terreno, não há pólipo que resista e, mais uma vez, vamos vencê-los!

SBF

CAPADÓCIA - TURQUIA



Dizia ela: Ai, o meu sonho de criança era vir à Capadócia.

Ele: O sonho da minha namorada era vir à Capadócia.

Ela: Estudei muito sobre a Capadócia.

Ele: Passei muitos serões a ler panfletos turísticos sobre a Capadócia.

Ela: O meu namorado ensinou-me muito sobre a Capadócia.

Ele: Estou muito contente em poder oferecer este presente à minha namorada.

Ela: Estou muito contente em ter realizado este sonho de criança. De criança, de juventude e sei lá mais o quê.

Ele: Estou muito feliz com o passeio. Só foi pena ter deixado a sandes de fiambre do lanche, na algibeira do casaco.

SBF
(Foto: Vista Capadócia - Wikipédia)

ROSÁRIO DE MARIA


Daquela janela do terceiro andar, via o rio à esquerda chapado nos estaleiros e docas secas em Cacilhas, com letras muito grandes “Lisnave”, orgulho do regime em “primavera” corrida com fim já não muito longe. Recortando ainda esta visão de “esquerda” (para o Tejo), a estátua no meio da praça, que todos dizem - Cais do Sodré, mas é do Duque da Terceira, esta ilha dos Açores, e este Duque, companheiro de armas do quarto D.Pedro, primeiro do Brasil, que daquele grupo central do arquipélago navegou até ao continente e desembarcou na “Invicta” para acabar de vez, em nome do quarto D. Pedro e primeiro do Brasil, com a aventura absolutista do ditador primeiro D. Miguel, em conluio com a mãe Dona Carlota Joaquina, dos dois D. Pedro e D. Miguel.


Daquela janela do terceiro andar via e ouvia os amarelos que, ao passarem sobre os carris, guinchavam e rolavam em direcção ao Camões a subir ou a descer em direcção à dita praça que já foi terreiro do cais e agora do Duque. Os amarelos tinham outras cores vistosas de publicidade e os pendurados davam ainda mais “gosto” ao vai e vem e ao som único do T’liiim! T’lão! Dos amarelos da Carris.


Daquela janela do terceiro andar via, os que entravam e saiam da estação dos comboios “pouca – terra – pouca - terra” da antiga primeira ou segunda classe, não do comboio mas da escola primária de assentos com nome de carteira em peça única com tinteiro para a caneta de tinta – permanente. Reguadas e palmatórias com ponteiro de cana – da – Índia eram ferramentas do “ensinador” oficial.


Daquela janela do terceiro andar via, para o meu lado direito de quem sobe, a entrada para o velho hotel Bragança que já era para o Eça, Bulhão Pato e outros famosos do dezanove desde a contagem depois de Cristo em séculos.


Daquela janela do terceiro andar via, todos os dias e a toda a hora, mesmo à frente do outro lado da, do alecrim, as águas – furtadas que “furtavam” o meu sossego, em sonho constante de rosário de Maria com respeito e de contido desejo à medida da verde idade. Logo de manhã, todos os dias, aquele percurso rotineiro pela Bernardino Costa, largo do Corpo Santo a do Arsenal pelo Município até ao Terreiro, este do Paço. Depois a volta, a respiração ofegante, as pernas a tremerem, a mão quando toca vira choque como se fosse electricidade, ela a corar sempre no meu olhar. O tempo passou contado em muitos anos. Rosário de Maria cheia de amor disponível, e que deixei no meio daquele Verão quente que na história será “ PREC”.


E o Cacilheiro zarpa do cais do sodré para a outra margem, e tanta gente, e depois vem, e eu, o vejo sempre de lá para cá e de cá para lá, daquela janela do terceiro andar.


SBF
(Foto: Cais do Sodré - google earth)

A VIAGEM DO ELEFANTE



Não consigo gostar do homem, mas gosto de alguns dos seus romances.

Acabei hoje de ler a hilariante narrativa que é o romance do José Saramago “A Viagem do Elefante” e fiquei com sensação de, eu próprio, ter feito a mesma viagem naquele tempo, tal é a capacidade provada do escritor, em colocar o leitor dentro da história e fazer com que seja um personagem activo.

Não sou incondicional da escrita do Saramago, mas alguns livros, não os li, devorei-os, como aconteceu com a Viagem do Elefante.

Estou na expectativa do próximo!

SBF


TOURADAS E CIRCOS

Num destes dias, foi votada na Assembleia da República, proposta de Lei do BE para proibição de touradas e circos com animais. Como era de esperar, a maioria dos deputados votou contra.

Há cerca de duas semanas, na Assembleia Municipal de Sintra, foi votada idêntica proposta do BE. Aqui, o resultado foi completamente diferente e a proposta foi aprovada por maioria. Sintra entrou para o reduzido número de Concelhos onde, por Lei municipal, é proibido a realização de touradas e espectáculos de circo com animais.

Como toda a gente devia saber e aceitar, a tradição não justifica tudo. A sociedade muda e existem muitos usos e costumes, que são maus, que devem ser adaptados ou simplesmente acabar com eles.

Relativamente às touradas, apoio a medida no tempo e no modo, é coisa de que nunca gostei e cada vez mais detesto.

Também não sou adepto de circo com animais. Não tinha o hábito de levar os meus filhos ao circo. Embora aprecie os palhaços e outros artistas deste espectáculo, nunca achei piada aos “números” com animais. Também aqui as coisas evoluíram e o futuro é, o moderno circo tipo “Le Solei”. No entanto, considerando a situação social da grande massa dos trabalhadores, artistas e até alguns proprietários de circos em Portugal, sobrevivendo com dificuldades de toda a ordem, sou de opinião que não se deveria ir tão depressa, ou seja, talvez começando com um licenciamento de actividade mais rigoroso, exigindo um padrão aceitável de condições para os animais. É indisfarçável a forma pouco recomendável como nalguns circos se tratam os animais. Existem excepções que confirmam a regra. As exigências para o licenciamento deveriam ser cada vez mais, de maneira a que, naturalmente, os animais fossem desaparecendo do circo, dando lugar a um espectáculo mais actual, mais artístico afinal.

SBF

1º DE MAIO


1º DE MAIO DE 1974

As comemorações do 1º de Maio de 1974 foram decisivas para a consolidação das acções levadas a cabo na madrugada de 25 de Abril, e nas horas que se seguiram. Foi neste dia 1 de Maio de 1974, que se sentiu verdadeiramente a libertação.

Naquele mar de gente, comecei a tomar consciência de que a PIDE, de facto, já não era.

Admiti, finalmente, que a guerra colonial acabaria a tempo de eu não ter que participar nela.

Acreditei que o espírito vivido naquele dia, seria a via a seguir no meu País, e que o slogan, “O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO”, ia ser, como um carimbo da nossa liberdade.

35 ANOS DEPOIS

Somos um País da Europa do século XXI, em que, o que me afligia em 1974, hoje, passou literalmente à história, mas, “O POVO NÃO ESTÁ UNIDO”.

Somos uma democracia ocidental (mais partidocracia) liberal, com esta última parte em decadência, em que o Estado se encontra completamente vergado aos interesses das organizações partidárias.

As notícias deste 1º de Maio deveriam ser sobre os festejos do dia do Trabalhador, mas não, eles encarregaram-se de fornecer matéria para os “média” gastarem todo o tempo falando e escrevendo sobre a passagem de Vital Moreira pela manifestação da CGTP.

Quem teve a responsabilidade da constituição da delegação oficial do PS à manifestação, foi o PS, e ninguém pode pôr isso em causa. É claro que ao levarem o cabeça de lista do PS às europeias, sabendo de antemão que, parte considerável dos manifestantes, são do PC, os dirigentes do PS, não estariam à espera que o Dr. Vital Moreira tivesse uma passadeira vermelha à sua espera. Estamos pois, perante uma lógica partidária, onde vale arriscar tudo, em troca de uma boa visibilidade nos “média” durante vários dias.

Por outro lado, os autores dos insultos, ao “vomitarem” o seu veneno, não souberam cumprir os mais básicos deveres de cidadania, ou seja, respeitar o outro mesmo que seja adversário.

O dirigente máximo da CGTP, demorou demasiado tempo a pedir desculpas. Deveria tê-lo feito de imediato. Não é assim que se trata um convidado, para além de que, com a demora nas desculpas, foi até, “politicamente” incorrecto.

As declarações do porta-voz do PS, foram “pior a emenda que o soneto”. Inchou a questão, falou de ódio colectivo, e quem, ouvindo-o, não soubesse a que se referia, pensaria que estávamos perante uma guerra civil.

Todos os partidos condenaram, duma forma clara, os acontecimentos, menos o PC. Também o deveria ter feito. Neste caso, como aconteceu com o SG da CGTP, foram politicamente incorrectos, ou seja, ganharam antipatias e não simpatias como é normal.

Esperamos que a moda não pegue, e que cada um vá às manifestações onde encaixa, porque o direito de tendência é para ser usado em toda a sua plenitude. Se não fosse assim, não havia duas manifestações diferentes.

SBF
(Foto: 1º de Maio 1974 Eduardo Gageiro)

NUM DESTES DIAS

Anti - democracia  net de Wilson Ferrer Um dia, passados para lá de cinquenta e cinco, em anos contados, no tempo duma senhora que era outra...