O POLVO NÃO DORME!

Com a volta da calma, embora efémera, à Grécia, os tentáculos do polvo voltam-se novamente para Portugal. Na véspera de mais uma ida ao mercado, uma das agências ataca. A seguir virão as outras e entretanto vão-se acumulando os estragos (bolsa, juros, desconfiança, etc.).
O que antes da crise servia para justificar os cortes e o aumento dos juros, a instabilidade política, a tomada de medidas de austeridade, a necessidade da ajuda (?) externa, etc., agora já não vale nada, porque, assim sendo, e estando ultrapassados esses constrangimentos e se a honestidade na análise e nos objetivos fossem apanágio, o que devia acontecer por parte dos mercados (?) era o contrário.
Hoje temos um Governo maioritário, um acordo com a troika com apoio de 85% do parlamento, um Presidente da República sintonizado, força para a implementação de medidas de austeridade, etc., para quê? O que lhes interessa?
Os tentáculos são muitos, são compridos e o EURO está marcado. Para chegarem ao miolo precisam de começar pelas pontas e, a Europa, jogando com os egoístas interesses, vai correspondendo à fúria especulativa que não pára.
Sem entrar na questiúncula partidária portuguesa:
Quantos níveis de rating os tipos já nos desceram desde que o anterior Governo caiu?
Quantos pontos percentuais dos juros da dívida subiram?


Quem comanda esta coisa sabe o quer e não parará enquanto ninguém lhes fizer frente.


Silvestre Félix

SOBERANIA?

Na Europa, o conceito de soberania foi mudando à medida dos que dominam e, por isso, mandam. Ou seja, todos os que, como Portugal, são dominados e mandados, já não têm qualquer tipo de soberania.
Já se sabia que as “Goden Shares” iam acabar e, ainda por cima, faziam parte do acordo com a troika mas, entre o saber e o acontecer, vai alguma distância. Agora é uma sensação real de perca.
Qualquer destas empresas, a EDP, a GAP ou a PT, são portuguesas e, a partir de agora, podem simplesmente deixar de o ser. Pode acontecer que até deixem de ser europeias, bastando para isso que o controle acionista passe para capitais chineses, americanos, do Qatar ou até da “Conchichina”.
Que no Brasil haja arte, engenho e dinheiro, para tomarem posição forte nestas empresas por enquanto portuguesas.


Silvestre Félix

POLÍCIA ÚNICA

Acho que já ontem era tarde a criação duma “Polícia única” juntando a PSP, SEF e PJ. Pena é, e não entendo, que a GNR esteja fora do projeto. Acho que não se justifica haver um corpo policial civil e outro militar, ou melhor, não é necessário existir uma força policial militar.
A estrutura da GNR, incluindo o pessoal, devia ser distribuída pelas Forças Armadas na sua vertente militar e, pela nova polícia, na vertente civil.


Desta maneira era concretizada uma grande reforma, racionalizava-se os meios das polícias e das Forças Armadas existentes, apurava-se a eficiência e, a poupança, em vez de 270 milhões como dizem, subia para o dobro ou triplo.


Silvestre Félix

LIDERANÇA DO PS

Falta ainda algum tempo para os socialistas irem a votos eleger o seu novo líder mas a maioria da comunicação social portuguesa já fez a sua escolha.


Silvestre Félix

O DESEMPREGO HÁ CEM ANOS?

O Ministro da Economia disse que «há cem anos não tínhamos uma taxa de desemprego tão elevada.»
É verdade que temos uma taxa de desemprego elevadíssima e, desde que há registos, é recorde. Já não é verdade que há cem anos houvesse estatística de emprego comparável à actual e, por outro lado, o conceito de ocupação profissional não tinha nada a ver com o dos nossos dias.


Esteve mal o Ministro quando fez estas declarações.


Silvestre Félix

D. MARIA ADELAIDE DE BRAGANÇA – A INFANTA REBELDE - De Raquel Ochoa

A vida de D. Maria Adelaide de Bragança testemunhada aqui por Raquel Ochoa, ilustra bem de que “massa” algumas pessoas são “feitas”.
A obra, rapidamente “absorvida” por mais de um leitor cá em casa, está muito bem construída e faz jus ao gosto que tive quando li outras coisas da autora.
A par da vida desta Senhora que, se fosse esse o caso, inspiraria muitos romances e filmes, conta-nos Raquel, um lado da nossa história que normalmente não conhecemos. É sempre assim que acontece, «só dos vencedores reza a história». Independentemente do que esteve certo ou errado, tudo passou no tempo e devia também ter passado à história. Os intervenientes dum lado e do outro tiveram vidas, foram patriotas dos “quatro costados” e, neste livro, fica bem demonstrado que se revelaram grandes figuras de quem nos podemos orgulhar e prestar-lhes todas as homenagens.
Raquel Ochoa dá-nos vários “quadros” da grandeza da “Infanta” ao longo da vida, bem patenteada na sua participação “resistente” anti-nazi durante a ocupação fascista de Viena sofrendo prisões e torturas e, depois, já em Portugal, com a criação e manutenção da “Fundação D. Nuno Álvares Pereira” até ao final dos anos setenta.
A forma como D. Maria Adelaide “recebe” um assaltante nocturno em sua casa, é lição intemporal e universal. Só “grandes” pessoas têm este grau de humanismo!
Raquel Ochoa nasceu em 1980, em Lisboa. Tem viajado bastante aproveitando a descoberta e aprendizagem para a sua escrita. Em 2009 ganhou o Prémio Literário Revelação Augustina Bessa-Luís, com o (grande) romance “A Casa-Comboio” que percorre quatro gerações da mesma família indo-portuguesa e que me deu muito prazer ler.
A edição é da “Oficina do Livro” e a 1ª de Junho de 2011.
Silvestre Félix
(Gravura: Capa do livro digitalizada)

SEXTA-FEIRA AZARENTA OU NÃO?

Então agora o Strauss-Kahn foi libertado? Será que realmente tinham armado uma “estrangeirinha” ao homem? O actual Presidente francês anda em maré de azar: Ontem, puxaram-no (literalmente) pelo cachaço que não ganhou para o susto, ontem/hoje, esta notícia da libertação do, antes, seu carrasco na corrida presidencial do próximo ano. Ele há sextas-feiras que não precisam de ser “treze”, para serem azarentas!


Vamos lá a saber:


O deficit do primeiro trimestre deste ano apurado ontem pelo INE, é de: 7,7%, 7,8% ou 8,7%? É que já vi estes três números referidos em televisões e jornais, com algumas repetições o que retira a hipótese de engano de quem escreve. Será que já toda a gente liga tão pouco ao deficit que, décima para baixo ou décima para cima, é a mesma coisa?


Quando ontem me sentei e olhei para a televisão na altura em que estava a ser transmitido o debate parlamentar, fui obrigado a aproximar-me mais do televisor porque pensei estar a ver outro parlamento que não o nosso. O que vi não foi debate, foi troca de cumprimentos e muitas vénias.


Por quanto tempo?


Silvestre Félix

NUM DESTES DIAS

Anti - democracia  net de Wilson Ferrer Um dia, passados para lá de cinquenta e cinco, em anos contados, no tempo duma senhora que era outra...